sexta-feira, janeiro 24, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Vista de Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

Durão Barroso que em relação a Portugal sempre considerou não ter existido uma crise financeira internacional vai agora a Davos dizer que a crise ainda não passou. Quando lhe interessava ajudar a direita portuguesa no assalto ao poder não havia uma crise europeia, agora que anda a tentar segurar-se no lugar de presidente da Comissão já faz queixinhas.

A verdade é que não só houve e há uma crise europeia como ele e o seu colega Olli o Químico se revelaram incompetentes para a enfrentar, vão ficar na história da UE como os comissários mais incompetentes que passaram por Bruxelas.

«No encontro anual do Fórum Económico Mundial em Davos, José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, lembrou que a crise financeira ainda não terminou. "Virámos a esquina, mas não podemos dizer que saímos da crise com taxas de desemprego tão altas", defendeu o ex-primeiro-ministro português. Esta foi a leitura que o Banco Central Europeu fez das declarações recentes do presidente da Comissão Europeia em que defendia que a crise na zona euro já tinha sido superada.

Num debate dedicado a "encurtar o atraso na competitividade da Europa", Durão Barroso começou por lembrar que em edições anteriores do encontro em Davos as previsões - do colapso da zona Euro, ao fim da moeda única ou à saída da Grécia da União Europeia - se revelaram mais negras do que a realidade se revelou. No entanto, Barroso lembrou que os líderes políticos têm de resistir à tentação de "se sentar" e imaginar que a crise financeira acabou.» [DE]
 
 Olli, o Químico

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O químico da austeridade que envenenou a economia portuguesa.
 
      
 Sem Estado não havia Apple
   
«Li e reli a entrevista que o presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia deu ao Público. O que o dr. Seabra disse naquelas páginas não me tranquiliza em nada quanto às suas competências para desempenhar o lugar. Fiquei, aliás, esclarecido sobre a evidente incapacidade para ajudar a ciência a atravessar a atual míngua financeira.
  
Talvez faça sentido começar por aqui. Numa altura de monumental aperto seria impossível manter o mesmo nível de investimento público realizado a partir de 2005 - ainda assim abaixo da média da UE. O endividamento do País teria de sentir-se de alguma maneira. Ignorar este ponto e desprezar o contexto é tão asno como os argumentos do género: se não há dinheiro para o leitinho das crianças e para as pensões dos velhinhos, então não pode haver para os malucos dos cientistas. A discussão beligerante que hoje contamina tudo em Portugal é das consequências mais trágicas da Grande Recessão.
  
Mas afinal para que serve o investimento público em ciência? Que riqueza traz? Nas reportagens que li sobre as manifestações dos bolseiros que aconteceram anteontem, as inquietações não eram naturalmente estas; eram mais pessoais. Há gente, nem toda ela boa, que vai perder o emprego e não sabe o que fazer à vida. Não é um assunto menor, mas a bem dos próprios investigadores também não devia ser a única abordagem sobre a mesa. Um tema de impacto nacional, a ciência - seja em que domínio for -, fica assim limitado à sua manifestação mais básica.
  
Mas não são apenas os bolseiros a afunilar o debate. Nuno Crato incentiva a mediocridade. O título da entrevista do presidente da FCT, que o ministro da Educação tutela, é toda uma tese de doutoramento. Diz ele: "Queremos que a ciência esteja cada vez menos dependente do Orçamento do Estado." Cá está o liberalismo de pacotilha: tudo o que é Estado é horrível, tudo o que é privado é o nirvana. Não importa ao dr. Seabra que os grandes avanços científicos que abriram caminho a coisas tão prosaicas como a internet, o GPS, a nanotecnologia - isto é, o iPhone, o iPad, medicamentos espantosos e outras maravilhas da economia privada - tenham na sua origem investigação paga e dirigida por dinheiro público.
  
A Apple não existiria se o Governo americano não tivesse, décadas antes e de forma persistente, investido na incerteza que os privados por definição rejeitam. Silicon Valley e os míticos empreendedores de garagem existem, sim, mas em regra beneficiam do esforço incremental que foi (é) desenvolvido por universidades e laboratórios financiados pelos impostos. Os ciclos económicos importam, claro, mas não podem dinamitar tudo. O Estado não tem de comercializar barcos, nem vender telemóveis, mas também não pode sumir-se. Não basta ser regulador e garçon dos privados. Há riscos de partidarização? Há. Mas também há o perigo de ficarmos reduzidos a um país de técnicos garagistas, embora diplomados.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
   
 Quem é que está eufórico
   
«Pires de Lima alertou que "a euforia é um estado de espírito muito periogoso" e que Portugal não pode ficar "demasiado entusiasmado" com a recente descida das taxas de juro da dívida portuguesa e a subida da bolsa nos últimos meses. "Temos que continuar confiantes". 

Em entrevista à cadeira norte-americana de televisão CNBC, em Davos, o ministro da Economia voltou a dizer que Portugal pode sair do programa de ajustamento de forma "limpa", como a Irlanda, mas que mantém-se em aberto a possibilidade de um programa cautelar: "As duas opções estão em aberto e é bom que possamos ter a liberdade de escolher entre as duas três ou quatro semanas antes do fim do programa", comentou.» [DE]
   
Parecer:

Já alguém viu algum português eufórico além do Paulo Portas?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Descanse-se a Santinha da Horta Seca, os portugueses estão tudo menos eufóricos.»
  
 A novidade do dia
   
«A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, garantiu que a descida dos impostos vai começar pelo IRS, mas recusou-se a adiantar uma data para essa redução. A garantia foi dada pela governante numa entrevista à "TVI".» [i]
   
Parecer:

Esperemos que não mude de ideias e volte a começar pelo IRC.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à sra se não será melhor começar pelo imposto de selo.»
     

   
   
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