segunda-feira, março 02, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flores do jardim Gulbenkian
  
 Jumento do dia
    
Ferro Rodrigues

Em poucos meses António Costa desiludiu muitos do que os apoiaram, não fez oposição, não assume nenhuma posição alternativa ao governo, desaparece por longos períodos e vai-se entretendo a dizer baboseiras. Só isso explica que as sondagens lhe sejam mais desfavoráveis do que alguma vez foram para o PS desde que a direita chegou ao poder.

Sugerir que a culpa é do processo contra Sócrates significa estar a meter a cabeça na areia, para não dizer pior. Ferro Rodrigues devia perceber a tempo que tem sido um mau líder parlamentar e que a opção de António Costa por se apoiar em militantes mais idosos não está a resultar.

O pior erro que a liderança do PS pode cometer é fazer como a bruxa má e fazer pergunta ao seu próprio espelho, dizendo "espelho meu há político melhor do eu?". É óbvio que o espelho vai dezer que sim, o problema é que nem os eleitores são o espelho da bruxa má, nem o António Costa ou o Ferro Rodrigues são a Banca de Neve.

«Ao fim de 100 dias de liderança de António Costa, Eduardo Ferro Rodrigues vê sem surpresas os resultados das sondagens que apontam o PS ainda longe de uma maioria absoluta – aquela que muitos costistas ferrenhos esperavam dias depois da vitória de Costa nas primárias que destronaram António José Seguro. Numa avaliação sobre este primeiro período do novo secretário-geral, aponta aquelas que, a seu ver, têm sido as dificuldades inesperadas, entre as quais, o rumo da Grécia, o aparecimento de novos partidos e a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates. E as dificuldades em passar a mensagem.

“O PS tem uma situação bastante infeliz com o facto de o antigo primeiro-ministro estar em prisão preventiva, uma situação que causa evidentemente grandes dificuldades”, assume Ferro Rodrigues, um dos socialistas que foi visitar José Sócrates à prisão a Évora, em declarações ao Observador a propósito dos 100 dias de António Costa.

O líder parlamentar do PS considera que o atual secretário-geral tem uma “força diferente” de António José Seguro e que tem uma “legitimação” dada por “milhares de pessoas” nas eleições primárias. Mas admite que nunca embarcou na ideia que há uma altura em que o PS daria um salto nas sondagens porque “a situação mudou muito”.» [Observador]

 Mota Soares

Para o ministro Lambretas se alguém andar a 200 km/h onde só pode andar a 50 e não é apanhado pela polícia porque o radar está avariado, estamos perante um cidadão exemplar que só não foi multado porque foi vítima de um erro da polícia. O infractor queria ser multado mas a avaria do radar impediu a polícia de cumprir o seu dever.
  
      
 A estratégia "agora é a minha vez"
   
«1 A discussão sobre se estamos melhor ou pior do que há quatro anos diz-me muito pouco. Não era, evidentemente, possível continuar no trajeto que estava a ser seguido, sobretudo por razões que transcendem muito as escolhas políticas locais. O impacto que a crise teve nas economias mais desprotegidas, os profundos erros da construção do euro, os incentivos errados ao tecido empresarial, o sobre-endividamento, entre outros, mas também o de não termos ainda corrigido os nossos desequilíbrios estruturais, de que os nossos endémicos problemas de produtividade e escassez de capital são os melhores exemplos.

Por outro lado, chegados aqui, percebemos que a solução encontrada apenas piorou a situação. O desemprego real aumentou - o estrutural nem se fala -, a emigração tornou-se um problema gravíssimo, o investimento baixou para níveis impensáveis, os níveis de pobreza subiram e, em termos gerais, o empobrecimento do país e o emagrecimento violento da classe média são reais e assustadores. Além de tudo isso, os tais problemas estruturais de produtividade e falta de capital agravaram-se.
Digamos que apenas se substituiu a morte pelo fogo por uma por afogamento.

Neste contexto poder-se-iam perceber as palavras de António Costa sobre o país estar diferente. Só que não foi o que o líder do PS disse, ele deu a entender que o país estava melhor do que há quatro anos. E, que fique claro, não houve nenhuma gaffe. Costa quis mesmo dizer o que disse. Foi o próprio e alguns membros do PS invocando sentido de Estado e de não se dever criticar o país perante estrangeiros. Digamos que alguma coisa não está certa no pensamento de Costa, quando pensa que ter sentido de Estado é desdizer o pouco que tem dito ou que a única maneira que encontra de elogiar o país e os investidores estrangeiros é dizer bem da ação do governo.

Já sabíamos que a estratégia de Costa é não dizer nada. Até poderia pensar-se, dado o acontecido, que ficar calado talvez seja melhor para o seu objetivo de ser primeiro-ministro, é que elogiar o governo não parece ser grande ideia para o líder da oposição.
Mas, claro, não será bem isso. Convém, assim, tentar perceber melhor a opção pelo mutismo político. No fundo, António Costa acha que nada pode prometer, que em nada se pode comprometer, porque, dado que não se sabe ainda para que lado a Europa se vai virar, tudo pode mudar. Será quase escusado lembrar que o imprevisto é isso mesmo: o impossível de prever. A atuação de Costa é como a daquele cidadão que não sai de casa porque pode cair-lhe um piano na cabeça.

Chega a ser confrangedor ver o PS sem uma palavra sobre que propostas tem para reverter os dados da pobreza, nem sequer um comentário sobre a sangria de centenas de milhares de jovens que fogem para o estrangeiro, sobre o desemprego estrutural. Sim, a Europa pode mudar ou seguir o mesmo caminho suicida, mas há um sem-número de medidas internas, de opções que podem ser feitas no nosso país. Que diz António Costa? Nada. Ou melhor, logo se vê.

Claro que tem uma vantagem, não fará como Passos Coelho que mentiu com quantos dentes tinha na boca, mas a diferença na essência não é muita. Os "se", "talvez", "pode ser que" não passam de um pedido de um cheque em branco para governar como muito bem se entender, sem a mínima preocupação em explicitar o que se quer para a comunidade. E esses cheques já ninguém quer passar. Os cidadãos estão tão fartos de promessas não cumpridas como de gente que simplesmente acha que chegou a sua vez de governar e para nada dizer se refugia em futuros incertos.

2 A leveza, digamos assim, com que a procuradora-geral da República tratou, em entrevista ao Público, questões graves ligadas à justiça deixou-me preocupado. Mas de todos os assuntos que abordou, a forma como falou do dossiê submarinos foi especialmente chocante.

Disse a senhora procuradora que "o caso dos submarinos é daqueles que darão uma imagem não muito simpática do Ministério Público, mas também órgãos de polícia criminal e outros órgãos... Ver onde houve passos menos corretos e tornar-se um case study que nos permita melhorar a nossa capacidade de investigação criminal. Aí o MP terá de reconhecer que podia ter tido um desempenho mais adequado".

Salvo melhor interpretação e parecendo-me evidente que não se quis criticar a ação do MP e das polícias criminais por terem deixado passar informações para o espaço público que puseram em causa o bom nome de várias pessoas, nomeadamente de Paulo Portas, estas declarações fazem lembrar processos que, infelizmente, conhecemos demasiado bem: nada se conseguiu provar, ninguém foi sequer acusado, mas deixa-se uma suspeição no ar, uma espécie de condenação na praça pública que não se conseguiu fazer nas instâncias próprias. E feita por quem devia deixar absolutamente claro que, não tendo havido julgamento ou sequer acusação, nada mais haveria para dizer.

Continuem, então, os responsáveis políticos, os partidos, o Presidente da República e praticamente toda a gente a fingir que não temos um problema sério na nossa justiça.» [DN]
   
Autor:

Pedro marques Lopes.


 Passos Coelho está ofendidinho
   
«Pedro Passos Coelho fez passar ontem uma mensagem ao presidente do Conselho Europeu, “pelos canais diplomáticos normais”, sobre a sua “perplexidade” com as palavras “infundadas” de Alexis Tsipras, ditas ontem perante o comité central do Syriza, disse ao Observador uma fonte próxima do primeiro-ministro.

Este domingo, a imprensa espanhola dá conta que Mariano Rajoy ligou ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, assim como ao presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, pedindo a ambos que “condenem as palavras de Alexis Tsipras”. Segundo a mesma fonte, contactada pelo jornal espanhol, Rajoy acredita que essas declarações “são contrárias ao espirito de solidariedade que deve reger as reações entre estados-membros”. Uma fonte da Moncloa disse mesmo ao El Mundo  que o primeiro-ministro-ministro português tomou idêntica iniciativa, o que é negado por São Bento.

O jornal ABC dizia, também esta manhã, que haveria uma iniciativa conjunta dos chefes de governo ibéricos, com uma carta que Passos Coelho teria tido a iniciativa de mandar a Jean-Claude Juncker e a Donald Tusk, presidente do Conselho, onde “por escrito” Passos se queixaria da “falsidade” das declarações e com o facto de serem “desapropriadas a um líder europeu”. O jornal conservador anotava que Rajoy falou na tarde de sábado com o presidente da Comissão e que manifestou “acordo com o protesto do português”.

“Não houve iniciativa conjunta”, garantiu, porém, a fonte contactada pelo Observador. Mas houve, isso sim, uma mensagem transmitida pelos habituais canais diplomáticos dando conta do desagrado de Passos Coelho.» [Observador]
   
Parecer:

Andoru trªês anos a ofender a Grécia e os gregos com comparações inaceitáveis e comentários jocosos, agora arma-se em virgem ofendida.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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