terça-feira, maio 20, 2014

O julgamento

Nos próximos três actos eleitorais o governo vai a julgamento, teremos a primeira instância nas Europeias, daí o governo poderá recorrer para a Relação nas legislativas e ainda terá uma última oportunidade de recurso nas presidenciais. Todavia, o julgamento está parcialmente viciado, na presidência do tribunal temos alguém que foi conivente com os arguidos, tendo-se comportado como aquele que fica na porta do galinheiro enquanto os outros entram para roubar as galinhas.

Mesmo que o esganiçado mais o outro se esforcem por dizer que não as europeias não são um julgamento e que isso só sucederá nas legislativas, a verdade é que tudo o que dizem serve para justificar o que foi feito. Comportam-se como testemunhas de defesa de Passos Coelho e Paulo Portas, enquanto o juiz presidente dá uns bocejos e a sua esposa decide sentar-se ao lado para intervir em defesa dos arguidos.
  
Estamos perante um julgamento onde os jurados é o povo português e os arguidos são acusados de terem cometido o crime de abuso do país. A acusação refere que o país foi abusado contra a vontade dos eleitores, que esse abuso foi premeditado pois os eleitores foram levados a votar de forma ardilosa e que foi cometido com recurso à coação, o país foi abusado sob a ameaça permanente da troika. São também arguidos o presidente porque se demitiu das suas responsabilidades ao permitir o abuso sem recorrer aos mecanismos de protecção da Constituição de que dispunha e Durão Barroso por conivência e um papel activo na coação. 

Trata-se de um julgamento com regras duvidosas, alguns dos criminosos fugiram e estão em paraísos salariais, Durão Barroso é julgado à revelia e tudo faz para continuar a ter um cargo que lhe proporcione imunidade para todas as suas canalhices, os rapazolas da troika desapareceram, Rangel dá a cara por Passos Coelho no julgamento da primeira instância e aquele que devia ser arguido e estar no “banco dos réus” por muito do que abusivamente fizeram ao povo português ainda preside ao tribunal. Os jurados estão sujeitos à manipulação de dezenas de arguidos, comentadores e patrões da comunicação social, gente que durante três anos acusaram o poder, como Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, faltam ao julgamento ou, de forma inesperada ou talvez não, aparecem como testemunhas abonatórias do poder.
  
O governo joga tudo e nem lhe faltou um esquentador luxemburguês convencido de que o Colombo era português para cá vir aquecer-lhe a alma. Numa tentativa desesperada por conseguir espectadores favoráveis agenda as sessões do julgamento para terras onde se sente mais seguro, como Aveiro ou Viseu, ignorando que nem o Cavaquistão se escapou aos seus abusos. Até tenta iludir os jurados dizendo-lhes que não estão ali para o julgar por abusos.
  
Agora estão usando um argumento muito comum a outros abusadores, que justificam os seus abusos com os abusos que sofreram quando eram pequeninos. Admitem implicitamente as culpas, mas dizem que os abusos de que estão sendo culpados são do Sócrates, estão abusando do povo porque Sócrates terá abusado deles, o que justifica o ódio desmedido que sentem pelo seu antecessor, abusou-os, humilhou-os e agora que se sentem acusados com o estatuto de bestas tentam ilibar-se. De  abusadores querem passar a vítimas, aqueles que em tempo quiseram acusar Sócrates porque teria sido mole querem agora julga-lo pelos seus próprios abusos.
  
O julgamento vai realizar-se neste domingo e eu já tenho o meu veredicto, culpados. Esperemos que sejam poucos os abusados deste país que apresentem agora o síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet), depois de tanta manipulação por parte do poder e da sua comunicação social são ainda muitos os portugueses que sentem simpatia pelos abusadores.
 
 

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