terça-feira, maio 20, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Elevador do Lavra, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

António José Seguro não ignora os acórdãos do tribunal Constitucional como já esqueceu dos sucessivos pedidos de declaração de inconstitucionalidade dos cortes dos vencimentos. Fica-se com a sensação de que Seguro é contra a austeridade mas agradece ao PSD/CDS que a tenha adoptado mesmo contra os princípios constitucionais.

Que mais medidas inconstitucionais e sacanices deste governo serão do agrado de António José Seguro?

«PS faz depender reposição dos cortes aos funcionários públicos da "evolução da economia". Em relação à sobretaxa do IRS, os socialistas apontam para "a eliminação progressiva". A "TSU dos pensionistas" é para acabar

O que fazer com os cortes nos salários e pensões e com os aumentos de impostos aplicados por este governo, nos três anos do programa da troika, é um dos maiores desafios que António José Seguro vai ter de enfrentar se for eleito primeiro-ministro. No "Contrato de Confiança" que apresentou neste fim-de- -semana, o PS desvenda alguns mistérios, mas é cauteloso nas promessas.

Seguro compromete-se a "acabar com a "Contribuição de Sustentabilidade", que o governo apresentou este mês para substituir a CES a partir de 2015 e que prevê um corte entre 2% e 3,5% nas pensões superiores a mil euros. Mas em relação aos cortes feitos aos funcionários públicos, o PS promete apenas "não efectuar mais [cortes]" e "repor o seu rendimento em função da evolução da economia e das receitas do Estado".» [i]
 
 Manifesto numa mais

Versão politiqueira e eleitoral do defunto Compromisso Portugal
 
      
 O doce perfume da mentira
   
«Todas as campanhas abusam da hipérbole, mas existia ainda algum temor da mentira desbragada. Ora tudo isso desapareceu na actual campanha para as eleições europeias. Uma dupla trauliteira auto-satisfaz-se com a mentira, emulando a ultra esquerda sempre vezeira nessas andanças. Associaram-se, sem escritura, numa sanduíche ao PS.

A direita insiste na sua estória sobre Maio de 2011. A Troika teria vindo chamada pelo PS a ele deveriam ser assacadas todas as tropelias que o Governo lhe consentiu ou até incentivou. Dupla mentira: o PS tudo fez para evitar a Troika. Passos e Portas tudo fizeram para que a Troika entrasse. Associaram-se à ultra-esquerda para fazer cair o governo socialista minoritário, mentindo por omissão quando alimentaram a fábula de não terem sido ouvidos sobre o PEC 4, quando Sócrates gastou três horas a discuti-la com Passos. Segunda mentira: se o programa correu mal, a culpa foi do desenho inicial, assacado aos socialistas. Esquecem as suas manifestações de regozijo com a intervenção. Esquecem que o programa inicial era medicina benigna, comparada com a que Vítor Gaspar apimentou, na mira de mostrar serviço e conquistar melhor emprego. O que conseguiu.

A coligação trauliteira não perde ocasião para agravar um defeito da cultura nacional: tem que haver sempre um culpado, pois o povo adora autos de fé. Mas existe uma terceira mentira de imensa amplitude. Alega a dupla trauliteira que o PS é o partido da despesa pública, ao longo de quarenta anos. Falso. Desde que existe estado de direito, o PS governou 14 anos e meio: 1977-1978, 1995-2002 e 2005-2011. O PSD em maioria absoluta governou quase dez anos, de 1985 a 1995. E em coligação com o CDS governou 10 anos: de 1980 a 1983, de 2002 a 2005 e de 2011 a 2014. Ou seja, a direita só ou coligada é responsável por 20 anos de desgraça governativa e de despesismo consciente. Alguns exemplos mais gritantes: O pagamento de indemnizações e rendas empoladas artificialmente às Misericórdias, em 1980, com o pretexto de terem sido “esbulhadas” de serviços de saúde, o que foi falso; Um novo sistema retributivo que aumentou em 28%, num só ano, a despesa em ordenados da função pública; o 14º mês aos pensionistas em 1992; a contagem fictícia de anos de contribuição para a segurança social, a famosa “compra de anos”, que induziu a reforma artificialmente antecipada dezenas de milhares de beneficiários activos; a aposentação no ensino aos 52 anos; a prescrição de medicamentos subvencionados pelo SNS, nas consultas privadas, três meses antes das eleições de 1995, fazendo disparar a factura farmacêutica; os dois submarinos do Dr. Portas, decididos entre 2002 e 2004. Em matéria de despesismo, o PSD/CDS abriram escola: fazem o mal e a caramunha.

Após 2011 uma nova forma de desbaste do Estado atacou em Portugal. A delapidação do património: a ANA concessionada por 50 anos e vendida aos franceses a preço de saldo, em ocasião de saldo; as jóias da coroa, EDP e REN, despachadas com tanta rapidez que nem deu para corrigir as rendas. A privatização dos CTT, apresentada como êxito e agora entrando em rápida perda de valor bolsista. A TAP só não foi despachada por ninguém querer pegar no “brinde” da empresa paulista de manutenção que gera prejuízos. A EGF, vendável num abrir e fechar de olhos, se não fosse a servidão que a vincula aos municípios seus participados. Os Franceses querem as águas (o que só parcialmente conseguiram na Grécia), os Alemães ainda não excluíram a TAP da sua ambição. Outra forma de delapidação consiste na destruição de activos: o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, limitado por lei a deter 55% de obrigações nacionais, vai ver desaparecer esta cláusula para ter que comprar obrigações do tesouro até 90 % dos seus recursos, o que o levará a baixar os activos estrangeiros. A mistificação chega a enganar um respeitável diário que titula ingenuamente “Pensões menos expostas a dívida estrangeira”. A mentira subtil chega a fazer parecer que é bom o que é deveras mau. Sempre poetas, estes financeiros.

Mas a poesia não faz esquecer que o desemprego em três anos subiu de 9 para 15%; que a emigração por dois anos seguidos, passou aos valores do tempo da guerra colonial, 110 a 120 mil emigrantes, agora todos com formação profissional qualificada; o risco de pobreza aumentou para 25% e o número de pobres, de 16 para 18 %; a frequência do ensino superior foi reduzida para além do efeito demográfico e a desistência dos estudos aumentada por incapacidade financeira das famílias; a constituição de novas famílias, com o elevado desemprego jovem, tornou-se mais difícil o que certamente influencia a baixa da natalidade; a dívida pública passou em três anos de 90 para 130% do PIB, tornando os seus encargos anuais iguais ao orçamento da Saúde.» [Público]
   
Autor:
 
António Correia de Campos.
      
 Cristóvão Colombo e os esquentadores
    
«Os portugueses, tal como a generalidade dos povos europeus, cedo se aperceberam que a União Europeia estava a ser "construída" no mais completo divórcio com a sua vontade
1 - Em cumprimento do calendário arrasta-se a mais desoladora campanha eleitoral de que tenho memória, o que não pode deixar de entristecer quem acredita nas virtualidades da democracia. A indigência e o vazio do discurso dos candidatos dos partidos do governo cruza-se, nas ruas, com a gélida indiferença dos cidadãos, aqui e ali disfarçada pela cobertura mediática de visitas a empresas ou jantaradas com a nomenclatura partidária; também os partidos da oposição não conseguem mobilizar o imenso caudal de descontentamento que por aí abunda. O que era de esperar. Um povo enganado, maltratado e sem esperança em dias melhores, não corre atrás de foguetes, nem comemora, como o governo, o empobrecimento, o desemprego, a emigração forçada de centenas de milhares de jovens. Um povo enganado, maltratado e sem esperança em dias melhores só pode desconfiar de qualquer promessa eleitoral, tanto quanto começa a desconfiar de todos os políticos, senão mesmo desta democracia agrilhoada, em que só em véspera de eleições lhe dão palmadinhas nas costas e falas mansas. E depois, uma vez recolhidos os votos, os eleitos engrossam a voz e brandem o chicote escondido atrás das costas. Lincoln já tinha advertido: "não se pode enganar a todos todo o tempo".

2 - O desinteresse dos portugueses pelas eleições para o parlamento europeu já vem de trás. Desde há vinte anos, a abstenção ultrapassa os 60%, apesar de, ainda em tempo de ilusões, em 1987, logo após a integração europeia, mais de dois terços dos eleitores terem votado, ficando a abstenção nos 27%. Isto significa que há uma relação directa entre a abstenção e a percepção da utilidade do voto. Os portugueses, tal como a generalidade dos povos europeus, cedo se aperceberam que a União Europeia estava a ser "construída" no mais completo divórcio com a sua vontade. Sem qualquer debate, e sobretudo sem qualquer envolvência dos cidadãos. O seu voto era inútil, porque em nada alterava o rumo do "monstro" burocrata e autoritário que crescia em Bruxelas. E o desinteresse foi crescendo, de eleição para eleição. Mesmo o terço de eleitores que se deslocaram às urnas de voto nas últimas eleições europeias não foram, certamente, escolher as duas dezenas de deputados portugueses em Bruxelas, aos quais, mal ou bem, não outorga qualquer utilidade, mas foram sobretudo pronunciar--se sobre as políticas do governo português no momento. É o que vai acontecer, também, no próximo domingo. Ao contrário das eleições autárquicas, em que se misturam uma multiplicidade de protagonistas, de candidaturas independentes e interesses locais, estas eleições europeias vão ser um referendo, um plebiscito, uma gigantesca sondagem às políticas deste governo. No fundo, o ensaio geral das legislativas do ano que vem. E, se assim for, os resultados podem constituir uma desagradável notícia para o governo.

3 - Como se não bastasse a dupla Paulo Rangel e Nuno Melo, os candidatos dos partidos do governo, espreguiçarem-se no mais primário discurso político e na completa indigência intelectual, tomando os portugueses por parvos, apareceu ao seu lado Jean-Claude Juncker, no mesmo registo. O candidato à presidência da Comissão Europeia pelos partidários de Ângela Merkel, veio a Lisboa passear a sua ignorância sobre o fundador da primeira cidade de origem europeia na América, o navegador genovês Cristóvão Colombo. Disse o luxemburguês: "Os socialistas lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem." Para além de Colombo não ser nosso compatriota, apesar da ficção o querer fazer galego ou catalão, e mesmo português, a patacoada é alarve, própria desta gente que gere a destruição da União Europeia e que não sabe "que o sonho comanda a vida". Assim os socialistas, portugueses e europeus, fossem capazes de, tal como Colombo, "dar novos mundos ao mundo" e descobrir de novo outras Américas. De Colombo fala-se 500 anos depois; de Juncker, mesmo pago com dinheiro dos contribuintes, daqui a uma década não passa da marca de um esquentador.» [i]
   
Autor:

Tomás Vasques.
   
   
 A  anedota do dia
   
«O antigo presidente dos sociais-democratas Luís Filipe Menezes considerou hoje que Paulo Rangel tem atualmente mais prestígio do que o PSD e manifestou-se convicto de que este vai reeditar a vitória obtida nas europeias de 2009.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Menezes tem razão, o prestígio do PSD é zero, pelo que até o esganiçado consegue ter mais prestígio do que o seu partido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecia gargalhada.»
     

   
   
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