quinta-feira, maio 22, 2014

Vote contra eles

Se aceita que uma política de austeridade escolha grupos sociais ou profissionais por questões meramente eleitorais, concentrando nesses grupos as medidas mais brutais então faz muito bem em abster-se nas próximas eleições.

Se aceita que centenas de milhares de profissionais indispensáveis ao país e com elevados níveis de qualificação sejam tratados como parasitas da sociedade e mera despesa pública e por isso os responsáveis pela crise, faz muito bem em abster-se.

Se aceita tranquilamente que o Sistema Nacional de Saúde, uma dos sectores mais desenvolvidos e modernos da sociedade portuguesa seja empobrecido e desqualificado, por forma a que se especialize no tratamento dos mais pobres enquanto os mais ricos podem aceder aos sistemas privados de saúde, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que os programas eleitorais sejam mentiras deliberadas, que os programas de governo sirvam apenas para debates parlamentares da treta e que a política seja decidida em função de interesses particulares de membros do governo, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que um governo lhe minta sistematicamente, que lhe apresente falsos estudos para fundamentar as suas decisões e que o engane sistematicamente com truques de propaganda dignos de um Goebels, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que o país seja reduzido ao modelo do século XIX ou mesmo do século XVIII, onde um governo decide de forma arbitrária, sem respeito por qualquer ordem constitucional e com um presidente quem nem corta fitas pois tudo foi suspenso, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que o governo liberalize a legislação laboral com o argumento da criação de emprego que depois não ocorre e concorda que seja escravizado sem direito a qualquer debate ou contestação, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que um qualquer fugitivo governo o seu país atrás de uma troika que dirige mas pela qual não dá a cara e que lhe seja imposto tudo aquilo com que não concorda porque um qualquer imbecil decidiu ser ainda mais troikista do que a troika, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que os seus pais depois de terem encontrado um país subdesenvolvido, paupérrimo,. Sem qualquer segurança social ou sistema de saúde, sejam tratados como parasitas da sociedade e condenados à miséria depois de lhe terem deixado um país com infraestruturas modernas, com um dos melhores sistemas de saúde, com escolas para todos e com uma democracia, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita um empobrecimento forçado para tornar os ricos mais ricos à custa do lucro fácil de uma economia capaz de concorrer com a dos países mais miseráveis, faz muito bem em abster-se.
  
Se aceita que os seus filhos e netos depois de quase duas décadas de estudos em escolas e universidades que você pagou sejam forçados a emigrarem para países que nada investiram neles, passando a financiar os seus estados sociais e deixando Portugal na penúria e sem futuro, faz muito bem em abster-se.
  
Poderia enumerar dezenas de bons motivos para se abster e dormir com a consciência tranquila, nem faltarão mesmo os que por gratidão ou por interesse terão motivos para votar a favor deste estado de coisas. Não faltarão boys, banqueiros e lambe-botas que vão votar a favor dos seus interesses e contra o país.

Mas se é contra o estado a que chegou o Estado deste país não deixe de fazer o seu “golpe de Estado”, se está contra tudo isto não é ficando em casa que muda o que quer que seja e muito menos aquilo de que discorda. Muda-se votando contra, contra o que foi feito, contra o estado a que isto chegou, contra os que governaram. 
  
No dia 22 de Novembro do ano passado Paulo Portas, o irreversível ministro deste governo, criticava Mário Soares acusando-se de apelar à violência, dizia ele que "em democracia e em liberdade, a forma adequada de expressar uma opinião é o voto". Se até aqui esteve calado porque para esta gente só se pode abrir o bico no dia das eleições, então tem aqui a sua oportunidade de dar o seu grito, de lançar a sua pequena bomba sobre tudo isto, vote  contar eles.
  
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