terça-feira, julho 01, 2014

Lixívia cavaquista

«"Aprendemos a lição dos últimos anos. O povo português teve um comportamento extremamente responsável e queremos agora entrar numa trajectória de crescimento económico e de criação de emprego, em particular pensando nos nossos jovens que tem tido alguma dificuldade no acesso ao mercado de trabalho"» [DE] (Cavaco dirigindo-se ao presidente alemão Joachim Gauck)

Compreende-se que Cavaco Silva tente atribuir todas as culpas da crise ao país e, em particular, aos últimos três anos de governo de Sócrates, desta forma alinha com os argumentos do Passos Coelho e fundamenta a política do governo que ele próprio ajudou a eleger.
  
Mas é uma ilusão pensar que o que move Cavaco é apenas o apoio ao seu júnior de São Bento, por uma questão partidária ou de solidariedade institucional. Cavaco é o género de pessoa que está convencida que o norte magnético fica algures ali para os lados do seu umbigo. A posição de Cavaco é uma tentativa desesperada e revisão da história.
  
Imagine-se o que seria hoje Portugal se os governos de Cavaco Silva tivessem adoptado medidas de simplificação e de modernização do Estado como aquelas que foram adoptadas por José Sócrates duas décadas depois.

Imagine-se o que seria hoje Portugal se em vez de esbanjarem os dinheiros do Fundo Social Europeu os governos de Cavaco tivessem apostado com seriedade na formação profissional, como fez Sócrates duas décadas depois.

Imagine-se o que seria hoje Portugal se em vez de escolas em betão pre-fabricado e com telhados de amianto os governos de Cavaco Silva tivessem apostado na renovação do parque escolar dotando as escolas de recursos modernos, como fez Sócrates duas décadas depois.
  
Imagine-se o que seria hoje Portugal se em vez de ter apostado na destruição do sector primário e no crescimento desmesurado os governos de Cavaco Silva tivessem apostado na industrialização e na exportação, como fez Sócrates duas décadas depois.

Imagine-se o que seria hoje Portugal se em vez de terem ignorado o problema energético da economia portuguesa, os governos de Cavaco Silva tivessem apostar nas energias renováveis, como fez Sócrates duas décadas mais tarde.
  
Imagine-se o que seria hoje Portugal se em vez de promover o abandono dos campos e ignorado a necessidade de concluir Alqueva, os governos de Cavaco Silva tivessem apostado na produção agrícola, como fez Sócrates duas décadas depois.
  
Poder-se-iam dar mais exemplos e isso ajudaria a compreender o que pretende Cavaco Silva, o que aquele que infelizmente é PR pretende não é apenas ajudar o seu pupilo de Belém, é esconder as suas responsabilidades no falhanço de Portugal. Cavaco não quer que os portugueses estabeleçam a relação entre a classe corrupta que tomou conta do país com os seus governos e o beco quase sem saída em que Portugal está.
  
Cavaco que sempre soube tudo, que previu tudo em artigos, que raramente tem dúvidas e nuca se engana, pensava que vinha para a presidência encerrar o seu ciclo, limpando o currículo de algumas nódoas mais sujas como a recusa da pensão a Salgueiro Maia e ficando na história de Portugal como o grande modernizador. Teve azar, a tal crise financeira que ele tanto ignora teve pelo menos um mérito, os portugueses ficaram a saber quanto custou Cavaco a Portugal.

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