quarta-feira, julho 30, 2014

O PREC pós BES

Com a aparente queda do DDT, o Dono Deles Todos, o país vive um PREC na versão BES, políticos corruptos, jornalistas e outros oprimidos aparecem agora a dizer cobrar e lagartos do mesmo Ricardo Salgado que antes bajulavam. Já só falta mesmo que comecem a surgir na comunicação social anúncios em que se de clara “Eu fulano de tal informo que nunca tive quaisquer relações com Ricardo Salgado, familiares e amigos, nunca comprei obrigações da Rio Forte ou de qualquer empresa da família, nunca fui a nenhum beberete organizado pelo GES, não passei férias com o Ricardo Salgado, nem recebi prendas de Natal”.
  
Do outro lado estão os que eram íntimos do regime, os que se podem escapar sem exposição pública permanecem em silêncio, os que viram as suas relações denunciadas em público afirmam os valores da amizade, garantem que não esquecem os amigos. Há ainda jornais e jornalistas que por terem tido um arrufo de namorados com o Ricardo Salgado aparecem agora a cobrar o estatuto de velhos resistentes, perseguidos e enclausurados durante o regime BES.
  
Vivemos num tempo em que faz lembrar aquele em que o PPD estava na primeira linha da defesa do socialismo e no apoio ao Conselho da Revolução, de um dia para o outro todos os políticos são contra a promiscuidade entre política e negócios, os jornalistas libertam-se do peso da consciência condenando a influência do poder económico nas redacções e até o Seguro parece o Arnaldo Matos destes tempos revolucionários.
  
Infelizmente este período nada tem de revolucionário e apenas reflecte a miséria humana de muito dos que nos governam ou que influenciam a opinião pública. Não estamos perante gente corajosa que vai revolucionar o que quer que seja, assistimos a um cortejo de gente cobarde que muito em breve estão procurando novo dono.
  
Imagino e gostava de ver o que vai pela cabeça do Ricardo Salgado, deve estar farto de berrar “`àquele dei um quadro do pintor fulano de tal, a esse paguei umas férias em Santorini, aquele outro comprou a casa de férias com um crédito simpático, esse empregou a mulher no BES”. O que Ricardo Salgado sente nestes dias não é mais do que muitos outros já sentiram, resta-lhe a satisfação de saber que muitos destes revolucionários apenas se estão expurgando para melhor se venderem a outros, talvez ao BCP, ao BPI ou, quem sabe, à filha do José Eduardo dos Santos.
 
 
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