terça-feira, julho 08, 2014

Umas no cravo e outras na ferrdura


 
   Foto Jumento
 

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Sino do NRP Sagres, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Narciso Miranda

Há notícias que só de ler me fazem sentir vergonha.

«Narciso Miranda fez queixa na PSP para ter um aparelho iphone mas continuava a usar o telemóvel que dizia ter sido roubado.

Como presidente da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta foi-lhe dado um telemóvel. Menos de um ano depois, Narciso Miranda apresentou queixa para que lhe fosse dado um aparelho mais novo, lê-se na acusação do Ministério Público ao ex-autarca, citada pelo "Correio da Manhã".
O ex-presidente câmara de Matosinhos está também acusado de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio e ai também responder por simulação de crime.» [DN]
 
 Coisa estranha

Seguro, o tal político que era diferente, agora que vê o poder fugir-lhe já recorre ao populismo e ao mesmo tempo que acusa Passos Coelho de atirar os cidadãos do litoral contra os do interior faz o inverso, atira os do interior contra os do litoral. O "pobre" do Passos Coelho é que não tem culpa nenhuma do oportunismo de Seguro pois esta erecção de oposição visa mais António Costa do que o governo com o qual ou tem concordado ou tem sido conivente.

O argumento em favor da manutenção dos serviços públicos mostra até onde pode ir Seguro no domínio do populismo mais ignorante, diz ele que tanto custa um serviço público no interior como no litoral. Seguro tem razão, só que se esquece que não é a mesma coisa um serviço público servir 100 mil pessoas ou duas dezenas.

Para além desta forma oportunista de abordar o problema Seguro não faz distinção entre serviços e faz uma promessa que ninguém sabe o que é, fala em contratualização com as autarquias para manter os serviços, provavelmente porque acha que a despesa das regiões não é despesa pública.
 
 Moda: Boliqueime versus Madrid

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 BES

Brevemente saberemos quanto custou ao país a nomeação de tanta gente do ou próxima do PSD para o BES, sim, porque nisto da banca há de tudo menos almoços grátis e quem costuma pagar estas almoçaradas são os funcionários públicos e os pensionistas. Como diria o outro "ai aguentam, aguentam" e quem aguentou o BPN do Dias Loureiro também corre um sério risco de aguentar o BES do Mota Pinto.
 
 A visitas dos monarcas de Castela

Se não fosse a presença de tanta bruxa até se diria que tínhamos visto a encenação de um conto de fadas.

 Seguro e Vítor Bento

Seguro está muito incomodado com as escolhas para a liderança do BES e pediu uma reunião com o sr. Costa do BdP. O que responderá Seguro se o sr. Costa lhe recordar que Vítor Bento até esteve numa conferência do Novo Rumo?

«O secretário-geral do PS encerra no sábado, em Lisboa, uma conferência "Novo Rumo" sobre reforma da administração pública, que terá intervenções do conselheiro de Estado Vítor Bento e do presidente do Tribunal de Contas, Guilherme Oliveira Martins.

A conferência, intitulada "Uma administração pública eficiente e com qualidade", decorrerá no Centro Cultural de Belém e está integrada na iniciativa do PS "Um novo rumo para Portugal", que culminará com a realização de uma convenção a 17 de Maio, ocasião em que os socialistas pretendem apresentar as principais linhas de um programa alternativo de Governo.» [Sol]

 A república beijando (ou chupando?) a mão à realeza?

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 A demissão de pensar
   
«Ao fim de três anos de crise, comprovada a ineficácia do medicamento, assumindo que a virulência do agente patogénico se atenuou pela interacção agente-hospedeiro e não por razões externas, convencidos de que foi a adesão à terapêutica que controlou a infecção, os clínicos do reino concluem, com falsa sabedoria, que a crise já passou, o debilitado organismo vai agora recuperar e que o sofrido tratamento e a violenta purga, justo castigo de desmandos passados, devem ser recomendados a outros doentes.

Até já falam em comidas suculentas para dar força ao débil organismo da economia. E pasme-se, já se preocupam com o estado geral do doente.

Todavia, as melhoras pouco têm a ver com a terapia. Os mercados que ditaram a nossa desgraça são os mesmos que agora auguram a débil recuperação, tornados tolerantes por fartura de liquidez. O organismo perdeu força muscular, desaprendeu de gerar vigor, continuando em depressão e desengano, ou seja em alto desemprego e imperceptível crescimento. A conta na farmácia e na clínica, isto é, a dívida pública, aumentou sem controlo, apesar de as doses consumidas, isto é o défice orçamental, terem sido dramaticamente reduzidas, sem que as suas causas tenham sido debeladas. Os físicos do reino, quando conferenciavam com os de fora, eram ainda mais reducionistas que os rigorosos tutores, mais papistas que o próprio papa.

Na última conferência de sábios conselheiros, relutantes ortodoxos já admitiram falar em crescimento e emprego, acompanhando os que quebraram de há muito o “tabu”, ao recomendar negociações que reforcem a capacidade de pagamento da dívida. Até o chefe do governo parece defender um outro olhar sobre o monstro da dívida, “se a Europa o consentir”. Nesta posição se resume a nossa desgraça.

A Europa não é um bloco de granito da meseta. A Europa constrói-se de vinte e oito países e das suas opiniões. Quem cala, quando pode e deve falar, dá a entender que consente, diz o brocardo. E já há muitos e bons que falam com voz cada vez mais grossa contra a doutrina destrutiva: desde o presidente reeleito do Parlamento Europeu, Martin Schulz, ao novo presidente do conselho europeu rotativo, o italiano Renzi, desde alguns membros da direita e quase todos os verdes e liberais e espera-se, em coerência com o seu passado, o próprio recém-indicado presidente da Comissão, o luxemburguês Jean-Claude Juncker. Eis por que é tão importante que o País tenha quem o defenda, lá fora, e não quem o enterre, cavando ainda mais na depressão e na miséria. O argumento de que perdemos poder negocial se avançarmos com novas condições, além de timorato é caricato: quem não arrisca não petisca, diz o povo. É certo que Portas bem tentou um frustrado road-show, hoje é fácil concluir que foi apenas um modo de Coelho o encalacrar, isolando-o. A desculpa de que não havia condições para levantar a voz é a confissão da desistência antes da tentativa. A ideia de que a depressão cura é perrice ideológica de quem não reconhece que o garrote mata por asfixia.

Tudo começou na política, mascarada de ideologia. Quando a direita recusa o PEC 4, já aceite pelos credores, não foi atrás da ideologia, mas sim do poder, da política. Conquistado aquele, o excesso de zelo é arvorado em arma ideológica, ineficaz como hoje sabemos. Quando surge a primeira ocasião para virar de bordo e expor aos credores o falhanço da terapia, reconhecido pelo seu principal mentor, Vítor Gaspar, resolve-se quixotescamente, em vez de demonstrar a evidência negativa da experiência natural, cerrar fileiras atrás da muralha de erro, fechar as portas do castelo, deitar solas de molho e caçar os ratos para salgar e comer. E quando surgem do lado dos credores os primeiros sinais de reconhecimento do erro, a vítima complacente, tomando como endógenas as variáveis exógenas, de novo recusa lutar por melhores condições, satisfeita com o crédito a vinte anos e outras trelas. Vem agora o Primeiro-ministro admitir que talvez haja uma aurora de esperança, vinda de dentro do Conselho Europeu. Nem sequer nos diz se para ela espera contribuir, ou apenas se regalar quando ela nos aquecer.

Mas então e a ideologia? Não é ela que nos embaraça? O que é ela senão comunidade de ideais e opiniões baseadas em conhecimento? Quando a realidade se revela e denuncia o falso conhecimento, quando o ajustamento congela e destrói o crescimento, não era boa a altura para se mudar? Parece simples mas não é. Um edifício ideológico que levou trinta anos a construir, não é fácil de desmantelar. Terá que ser pedra a pedra. E não nos esqueçamos que o edifício abriga, protege e acalenta quem o ajudou a erguer. O receio do desconhecido passa a pavor quando as fissuras começam a surgir.  » [Público]
   
Autor:
 
António Correia de Campos.
      
 Pudor, isso, pudor
   
«Há quem julgue que o pudor só serve para medir a altura das saias, mas é também uma bela palavra que nos aconselha o recato com os sentimentos fundos. Ontem, na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa deu os parabéns à comunicação social pela forma como cobriu a morte do filho de Judite Sousa. Eu não dou. Uma mãe perder um filho não sei o que é, é-me indizível. Indizível, mesmo, isto é, não sei dizê-lo. Não conheço pessoalmente a Judite Sousa, se fosse amigo dela tentaria encontrar as palavras poucas, ou mais provavelmente o silêncio, que lhe fizessem saber a minha dor envergonhada pela tamanha dor dela; se me cruzar com ela, baixo os olhos como se deve aos pais que perderam um filho; se fosse colega dela, não programaria uma reportagem sobre como sobreviver à dor de perder um filho, usando outras mães dolorosas, abusando delas e de Judite Sousa, como fez a TVI minutos antes de perguntar a Marcelo como se comportaram os jornais e as televisões. Se eu mandasse num jornal e conhecesse a Judite Sousa a ponto de ir ao funeral do filho dela, não faria as indecentes capas que o Correio da Manhã tem feito sobre a morte do filho de Judite Sousa. E o meu pudor maior nem seria com Judite Sousa, mas com o filho. Uma celebridade, na morte, talvez tenha de aturar algum abuso à sua privacidade. Mas ninguém pode ser desapossado do direito de ser alguém e passar, na morte, a ser o filho de uma celebridade.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   
   
 Mais um milagre de Seguro
   
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, prometeu hoje que, se for primeiro-ministro, vai negociar com as autarquias para manter os serviços públicos às populações do interior e corrigir perdas, onde se justificar.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Com Seguro o Estado consegue manter os serviços e reduzir a despesa, basta contratualizar com as autarquias e estas assumirem a despesa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Mais um populista da treta
   
«"Durante a vigência deste Governo, não haverá um euro de financiamento na expansão do metro de Lisboa que não seja aplicado no Porto", assegurou o governante no Porto, durante a apresentação de um projeto que vai prolongar os horários do metro e autocarros locais durante 24 horas aos fins-de-semana.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

E Faro, Bragança. Ponta Delgada, Beja, Évora e muitas outras cidades terão direito a quantos cêntimos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao imbecil populista.»
   
 Mais uns milhares de euros para o lixo
   
«O Ministério Público arquivou os dois inquéritos relacionados com a manifestação das forças e serviços de segurança a 6 de março junto à escadaria da Assembleia da República.

Segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), produzida toda a prova ao alcance do Ministério Público, "não foi possível individualizar responsabilidades ou mesmo recolher vestígios da prática dos crimes - como foi o caso de rebentamentos de engenhos pirotécnicos, os quais se desfazem após a deflagração".» [DN]
   
Parecer:

Para este tipo de acções não falta o dinheiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao MP se não precisa de dinheiro.»
     

   
   
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