quarta-feira, julho 20, 2016

A grande reforma

É possível reduzir o Estado a um mínimo, transformar Portugal numa das economias mais competitivas do mundo, como chegou a visionar o traste de Massamá, libertar recursos para capitalizar a banca, promover a criação de capital nacional? 

É possível e para isso é necessário um grande ímpeto reformista, ímpeto que deverá conduzir à escravatura. Portugal não tem recursos naturais e se os tem é melhor não os usar pois podem poluir as praias, por mais doutores que forma não consegue criar novas empresas tecnológicas, portanto, a única solução está em reintroduzi a escravatura. 

As reformas seguidas pelo traste de Massamá, o aumento do horário de trabalho sem qualquer negociação ou compensação remuneratória ia nesse sentido, os trabalhadores do Estado passaram a ser funcionários públicos durante 35 horas e escravos do governo nas outras 5 horas. Aliás, como os cortes nos vencimentos rondaram os 20%, as horas de trabalho escravo semanal decretado pelo traste de Massamá foram de 12 em 40 semanais, isto é, todos os funcionários passaram a ser escravos às segundas e terças de manhã.

É evidente que quem pode evitar ser escravo foge e muitos hospitais deixam de ter médicos e enfermeiros, o que é uma grande vantagem, os escravos não precisam de grandes cuidados de saúde pelo que o Estado pode muito bem poupar no SNS. Não admira que os hospitais deixem de prestar serviços enquanto surgem clínicas e hospitais privados. Isso sucedeu, por exemplo, no Algarve onde nem o CMR Sul, um serviço de reabilitação de excelência, escapou aos cortes, ao mesmo tempo que os seus quadros foram disputados por serviços privados.

A estratégia era clara, introduzia-se a escravatura parcial dos funcionários públicos, que eram apontados como os culpados de tudo, à semelhança do que fizeram com os judeus na Alemanha, depois dizia-se, como chegou a ser dito, que os funcionários já tinham feito o seu ajustamento e que agora seria a vez do sector privado. Veja-se como o senhor Saraiva da CIP aceitou de bom grado todas as perdas de direitos no sector privado e como se lambeu quando pensou que ia ter um corte na TSU financiado por um aumento da TSU dos trabalhadores.

Nas sociedades modernas os políticos procuram criar melhor qualidade de vida para o seu povo. EM Portugal isso deixou de ser um objectivo, o primado é o do ajustamento que mais não é do que promover a escravatura parcial para que sejam os trabalhadores a resolver os problemas da má gestão no Estado e nas empresas. No pós-25 de Abril ficou célebre o dia do trabalho nacional, agora o traste de Massamá não só gostaria de acabar com o 13º e 14º mês e em vez disso obrigar os trabalhadores a um mês de trabalho nacional em favor do Estado e dos patrões.


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