segunda-feira, julho 04, 2016

Sanções

Portugal aprovou o Tratado Orçamental nos termos do qual se um Estado-membro não cumprir determinados critérios orçamentais deve sofrer sanções. Na ocasião o debate não era sobre a necessidade ou não deste Tratado, sobre os seus critérios ou sobre as sanções nele previstas a maioria da direita e o PS, então liderado por um tal Tozé Seguro, a grande discussão era se as suas normas deveriam ou não constar no Constituição.

Se bem me recordo o nosso governo esteve ao lado dos mais fundamentalistas na tentativa de transformar os seus valores ideológicos em premissas constitucionais e na ocasião não propunha critérios subjectivos, avaliações morais ou quaisquer outros, ou se cumpriam os critérios e, designadamente, o limite do défice ou vinham aí as sanções. 

Para a direita a austeridade não deveria ser um atributo do seu programa, devia ser uma imposição para outros governos, aliás, desde que a geringonça tomou posse que a direita pretende apenas provar que este governo também aprecia a austeridade, daí todas as suas posições acerca do famoso plano B.

A verdade é que as normas são que são e o governo português, o tal governo extremista da direita que liderava a exigência do Tratado Orçamental, que era contra qualquer intervenção monetária do BCE e defendia uma política pura e dura de austeridade falhou, não cumpriu as normas e ainda juntou à sua displicência orçamental de 2016 as asneiras d BANIF. Sem BANIF o défice passou os 3% e cm Banif passou os 4%.
  
A violação do Tratado Orçamental não resultou de qualquer reversão, de um contexto internacional adverso, da receita decorrente da necessidade de enfrentar uma situação adversa. A verdade e que em 2016 a dona Maria Luís andou a brincar com a despesa, fartou-se de exibir gordurinhas como sinal de abastança. Aldrabou as contas para inventar falos reembolsos, valeu de tudo para tentarem ganhar as eleições, e falharam.
  
Aplicar as sanções é tratar o cão com o pelo do próprio cão, os seus grandes defensores são as suas primeiras vítimas e aqueles que tanto elogiaram um governo extremistas esquecem-se agora dos elogios e de terem fechado os olhos e amaram-se em duros, já que não é uma França que está em causa. Seremos nós a suportá-las, mas a verdade é que estamos perante a aplicação de sanções à direita europeia e à estupidez de Passos Coelho que contava com cunhas para escapar às consequências das suas manobras eleitoralista.


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