sábado, maio 06, 2017

A versão saloia do Jeroen Dijsselbloem

SIC (vídeo)


Não há populistas bons por se dizerem de esquerda ou por se afirmarem de direita, por serem do interior e falarem mal do litoral ou por serem do Porto e dizerem cobras e lagartos de Lisboa, por serem ricos e dizerem mal dos pobres ou por serem tesos e condenarem os ricos, por saberem dizer mal de tudo e de todo ou por defenderem que está na hora de dizer bem.

Os populistas são oportunistas, são meros parasitas de uma sociedade inundada de má informação, beneficiários de uma comunicação social onde os jornalistas se sentem no dever de condenar todos os políticos. Os populistas não são de esquerda ou de direita, do interior ou do litoral, do norte ou do sul, os populistas são oportunistas que ora são daqui, ora são dacolá, se são de extrema-direita escondem-se atrás dos trabalhadores, se são de extrema-direita são ao mais democratas. Nunca sabemos muito bem quem é um populista.

Pessoalmente nunca apreciei Rui Moreira o líder daquilo que ele designa como movimento de apoio a si próprio, uma estrutura assente em laços que desconhecemos, unida em torno de objetivos mal definidos e que visa a projeção de alguém que se sente superior aos partidos, como se estas organizações fossem o símbolo de todos os lais e o seu “movimento” fosse a imagem das virtudes. Não lhe conheço grandes competência, nem um currículo empresarial digno de nota, ganhou nome naquelas funções onde as boas famílias colocam os filhos menos dotados e conquistou imagem comentando chutos na bola.

Foi um erro crasso um partido com tradições democráticas e republicanas tão fortes e identificadas com os valores da cidade do porto ter cedido à tentação de se associar ao “movimento” sem direção de Rui Moreira, comprometendo o seu futuro e alimentando um populista imprevisível cujo programa se resume a pouco mais do que a sua fotografia. Entende-se que um Portas oportunista tentasse projetar o seu partido sem expressão autárquica num movimento de um populista com simpatias á direita. É inaceitável que um partido como o PS tivesse abdicado da sua identidade, para se sujeitar aos ditames dos líderes obscuros de um “movimento” duvidoso.

È preferível perder umas eleições autárquicas a alimentar as ambições de um populista. Foi um erro apoiar alguém com valores bem piores do que os que resultaram das declarações desastradas de Jeroen Dijsselbloem. Não entendo como muita gente que se indignou com o ministro das Finanças Holandês ignorou a forma como o populista da direita portuense ofendeu os autarcas de Vigo só porque estes tomaram uma decisão de que o populista não gostou.

Na ocasião o populista foi de uma grande desonestidade ao dizer que “Vigo sente-se como a salsicha fresca dentro da francesinha, mas percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem uns aviões a hélice parados e pode mandá-los àquele aeroporto miserável que eles lá têm e trazer uns passageiros a dormir a Lisboa” e acresecentou algo bem pior do que Dijsselbloem, insinuou que a TAP tinha comprado os autarcas de Vigo com serviços de prostitutas em Lisboa, e interrogou-se “Só pergunto se a TAP também oferece companhia em Lisboa…” Ao contrário de Dijsselbloem que se retratou das suas declarações infelizes, Rui Moreira manteve até hoje as suas insinuações porquinhas. 

É preferível perder a apoiar este Dijsselbloem a apoiar a sua versão saloia.

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