segunda-feira, maio 15, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Nuno da Câmara Pereira, monárquico

Desde as famosas palavras do ministro da Administração Interna do governo nado morto de Passos Coelho, quando explicou as chuvadas que inundaram Albufeira como resultado de "forças demoníacas" que o país não ouvia um discurso tão bacoco como o que nos é proporcionado pelo monárquico.

As considerações sobre a condição feminina e a sugestão de usar calças ou saias largas em vez de espartilho ou saia travada estão entre o imbecil e o ridículo.

«Assunção Cristas assinou hoje com o MPT e o PPM um acordo de coligação para a candidatura autárquica a Lisboa, com o vice-presidente do partido monárquico a defender que, para trabalhar, usa-se saia larga ou, se necessário, calças.

O vice-presidente do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, começou por elogiar a "experiência académica, social e política" da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, mas considerou que, "acima de tudo", a candidata é "uma mulher casada, que provou, como a maioria das portuguesas pode trabalhar e ter filhos", já que "não descurou o trabalho e não descurou a casa".

Depois de assinar o acordo de coligação com o CDS-PP, MPT e o PPM, na sede do CDS-PP, o vice-presidente do partido monárquico pretendeu estabelecer uma analogia entre a mulher e a cidade, afirmando que Lisboa é, neste momento, "agradável à vista e fotogénica, mas de espartilho e saia travada".

"Com dificuldade em respirar e andar, não trabalha e vive da foto", disse.

"Como mulher, a dr.ª Assunção Cristas sabe bem que, para se trabalhar, não se pode usar espartilho nem a saia travada, a saia tem de ser larga e, se necessário, vestir calças, calças que ultimamente não se sabe onde andam, custam a ver", afirmou Gonçalo da Câmara Pereira, após a assinatura do acordo, na sede do CDS-PP, Lisboa.» [DN]

 Aos poucos o país sai da depressão

A economia cresce, Portugal ganhou o Europeu, as pessoas sabem quanto vão ganhar no próximo mês, cria-se emprego, o papa esteve cá dispensando milagres baratos como o da 7.ª avaliação, o Benfica é campeão e o Salvador ganhou a Eurovisão.

      
 Salvador, Salvador
   
«"Salvador, qué buen nombre tienes." Tem barba e não é mulher barbuda. Sobe para o palco e canta para o microfone sem flics-flacs de costas para nos distrair nem mise en scène de arquitetos de interiores par nos impressionar. Simplesmente canta. Canta palavras, assim: "Talvez devagarinho possas voltar a aprender", e é devagarinho que nos canta. Sei lá se sente, faz-nos sentir que sente. E nós sentimos. Ele arma-se para essa função de nos fazer sentir, assim: se canta o simples, "peço que regresses", "meu bem", "o meu coração pode amar pelos dois", então, ele, os cabelos arruma-os com os dedos, não os transforma em peça de pastelaria. Na primeira volta do festival, a dele foi a única canção que não foi em inglês. Mas no Azerbaijão entenderam-no. Porque não? Pensavam que quem amou Bob Dylan, no Minho e nos anos 60, sabia-lhe o inglês como quem adivinha um futuro Nobel? Os dedos de Django Reinhardt falavam cigano e o mundo entendia-lhe o jazz. "A música é para sentir", disse Salvador, ontem, quando o parabenizavam pela glória de há bocadinho ainda. E dizendo-o ele levou a mão ao peito para os surdos o ouvirem. Abre os olhos como um palhaço porque ele está no palco, como um palhaço. Ator, artista. E tão, tão inteligente. Ah, não notaram... Pois, não era para notar. Não dar conta foi meio caminho para pôr a Europa rendida, ela, já tão farta de tanta coisa que dava para perceber que também o Festival da Eurovisão tinha de mudar. Ele percebeu. Ele, Salvador, como já um mês, no El País, a cronista Elvira Lindo lhe chamou, entendendo tudo: "Salvador, qué buen nombre tienes."» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

  Partidos e SMS
   
«(...)

2. Marques Mendes afirmou que Júlio Magalhães tinha sido convidado pelo PS para ser candidato à Câmara Municipal do Porto e que a administração do Porto Canal teria até reunido por causa desse convite.

Júlio Magalhães, em declarações à SIC, disse que tinha recebido um sms de alguém, que tanto podia ser do PS ou não, a convidá-lo para uma candidatura.

Se o Júlio Magalhães não quer saber quem lhe faz convites, e logo para ser candidato a uma câmara como a do Porto, é lá com ele. Segundo as suas palavras, já foi convidado muitas vezes para muitas câmaras e, presumo, por já ser rotina nem liga e nem quer saber, sequer, quem o convida.

Se Júlio Magalhães não sabe quem o convidou, nem o partido que fez o convite, nem a pessoa, como é que Marques Mendes sabe? É que na quarta-feira o jornalista ainda não sabia - pronto, é pouco curioso. Mendes conhece o número de quem mandou a mensagem ao diretor do Porto Canal? O emissor disse-lhe, apesar de não ter dito ao jornalista? E não é um bocadito estranho a administração do Porto Canal fazer uma reunião de urgência por causa de um sms que não causou qualquer sensação ao convidado?

Sim, isto não passa de um fait divers que até já deve estar esquecido, mas Marques Mendes tem responsabilidades que lhe advêm não só de ser visto por muitos milhares de pessoas mas também por ser conselheiro de Estado. Não há quem não se engane ou seja enganado, é da vida, mas quem decide dar notícias e não só opiniões tem responsabilidades acrescidas. Eu gostava, como espectador assíduo, de manter a confiança nas notícias que Marques Mendes dá. E não devo ser só eu.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

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