terça-feira, maio 30, 2017

Passos Coelho, o reformador (da treta)

Quando não sabe o que dizer e quer armar-se em líder da oposição, Passos Coelho recorre à lenga, lenga das reformas, passando a imagem de um político reformador contra a de uma geringonça e de um PS incapaz de promover. A imagem não poderia ser mais falsa e recorro a um artigo no Público para analisar o “ímpeto reformador” de Passos Coelho:

Dívida

A única proposta referida é a de pagar antecipadamente ao FMI algo de que este governo está tratando, ainda que com uma pequena diferença em relação ao passado. Quando antecipou esse pagamento o PSD enganou os mais descuidados dizendo que já estava pagando a dívida. O discurso deste governo é o de substituição da dívida evitando os juros elevados praticados pelo FMI.

Segurança Social

O anterior governo promoveu um corte linear das pensões a que chamou de reforma e teve de ser o Tribunal Constitucional a explicar a Passos Coelho que um corte de pensões não era uma reforma. Uma reforma da Segurança Social, a única de que há memória, foi a que foi feita no governo que antecedeu o de Passos Coelho.

Educação

A grande proposta de Passos é financiar o ensino privado com dinheiros públicos, algo que fez em agradecimento ao apoio que lhe foi dado na campanha eleitoral de 2011 pela associação dos colégios privados. Ao mesmo tempo que financiava turmas do setor privado com menos de 20 alunos obrigava as da escola pública a abarrotar as salas. A reforma de Passos era financiar a escola privada à custa da qualidade da pública. Quanto a universidades, investigação e requalificação profissional Passos nada reforma.

Recorde-se que antes de Passos houve um governo que avaliou profissionais, que modernizou instalações, que introduziu o ensino do inglês no ensino básico, que apostou na requalificação profissional, que investiu na universidade e na investigação.

Estado

Passos quase nada fez na reorganização do Estado, ao contrário do que prometeu deixou os institutos como estavam e não mexeu nas fundações, falando agora na centralização da gestão dos recursos privados. É bom recordar a Passos que o governo que o antecedeu reformou o sistema de avaliação dos funcionários, adotou medidas de reestruturação da gestão dos recursos humanos, centralizou as compras, para não referir as muitas medidas adotadas no âmbito do SIMPLEX.

Concorrência nos serviços

Passos parece defender reguladores fortes para assegurar a concorrência entre serviços. Viu-se o que os reguladores fortes fizeram na concorrência entre bancos ou nos preços da EDP, onde o amigo Catroga abichou um tacho e onde chegou a meter o marido ameaçador da Maria Luís Albuquerque. Quanto a reguladores estamos conversados.

Políticas de combate às desigualdades

Este item das reformas de Passos Coelho apenas serve para confirmar que ele está a gozar com os portugueses.

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