sábado, maio 13, 2017

Se os pastorinhos estivessem na escola seriam santinhos

Visto de fora as aparições de Fátima, que aos poucos a própria Igreja Católica vai transformando em visões foi uma grandiosa obra de marketing conduzida ao longo de décadas pelos governos e clero portugueses. De aparições não reconhecidas, uma entre muitas aparições comuns na época, as aparições de Fátima transformaram-se num fenómeno mundial.

Aos poucos o catolicismo vai promovendo uma espécie de revisionismo, as aparições já não o são para passarem a ser visões, em vez de se pedir que se acredite no fenómeno sugere-se que se acredite na espiritualidade do local, o próprio papa desvaloriza a dimensão milagreira da Nossa Senhora, algo que teve o seu expoente máximo quando Cavaco sugeriu que o bom resultado da 7.ª avaliação da Troika se devia ás rezinhas da esposa à Nossa Senhora de Fátima.

Mas quem eram os “pastorinhos”, que cultura tinham, em que meio viviam? Os agora santinhos não tiveram uma grande sorte, deixaram de ser crianças de um dia para o outro, dois morreram ainda em crianças vítimas da doença e da miséria, a sobrevivente viveu enclausurada pelas paredes dos conventos e pelas paredes de convicções adquiridas em criança.

Se as três crianças em vez de andarem a guardar gado andassem na escola a Nossa Senhora teria aparecido? As crianças teriam visto a Nossa Senhora e ouvido os seus segredos?

Poder-se-á colocar a questão de outra forma, porque será que  a Nossa Senhora que poderia ter aparecido em qualquer dado, a adultos com formação ou a crianças na escola, preferiu aparecer junto de crianças sem qualquer cultura, que viviam num ambiente fechado cheio de santos e de diabos? A resposta é porque a Nossa Senhora prefere os mais pobres. Os mais pobres ou os mais ignorantes?

Hoje é treze de maio uma data importante para quem nasceu numa terra fundada pelo Marquês de Pombal e que sempre se manteve fiel ao ministro de D. José, o Marquês nasceu precisamente nesta data. Por isso celebro o nascimento do Marquês, respeitando os valores religiosos de cada um e, em especial dos que em vez de optar pela estátua do marquês de Pombal, em Lisboa, preferem a Santa Iria.

Mas espero que da próxima vez a Nossa Senhora apareça a crianças que andem na escola.


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