sexta-feira, maio 12, 2017

Aceito convites por mensagens SMS anónimas


Ficou para a história o telefonema de Dias Loureiro ao pai, dizendo-lhe que era ministro. Um jornalista mais indiscreto gravou a famosa exclamação “Pai, já sou ministro?”. Dias Loureiro não era um qualquer político, era um braço direito de Cavaco desde a primeira horas e na qualidade de secretário-geral do PSD é um homem poderoso, o que mais tarde se percebeu quando o país assistiu à metamorfose de um advogado que chegou a Lisboa com uma mão à frente e outra atrás num rico banqueiro.

Nos dias que antecediam a formação de um novo governo de Cavaco Silva havia quem proibisse a família de estar ao telefone, não fosse o senhor professor a telefonar para fazer o tão ambicionado convite. Estávamos em 1991, Cavaco tinha ganho as eleições e o jornal “Tal & Qual” decidiu convidar dezassete personalidades para o governo. Foi João Canto e Castro que imitou a voz de Cavaco Silva, das dezassete personalidades só duas não caíram na partida. Para a história ficou a felicidade e total disponibilidade com que muitas figuras públicas de então aceitaram o convite do falso primeiro-ministro

Os tempos são outros e hoje ninguém cairia na paródia, agora tudo se faz por via eletrónica e as decisões mais importantes ou os convites mais sérios parecem ser feitos por mensagens de SMS, onde cabem apenas meia dúzia de caracteres. Já ninguém pergunta o que explicou o presidente ou o que disse o ministro, agora tudo se faz por SMS e é fácil reproduzir uma mensagem, basta reenviá-las. Foi o que sucedeu com as mensagens de SMS trocadas entre Mário Centeno e Domingues, alguém as reenviou para o Lobo Xavier, que por sua vez as reenviou para os amigos do PSD e CDS e para os jornalistas.

Mas desenganem-se o que julgam que foi o Domingues que as reenviou, o “banqueiro” garantiu ao parlamento que não tinha sido ele, isto é, deverá ter sido uma das muitas centenas de pessoas que as receberam! Provavelmente terá sido um anónimo, depois das cartas anónimas a moda agora são os SMS anónimos. Imagine que Cavaco Silva estava agora a formar um governo, Dias Loureito teria recebido um sms anónimo a convidá-lo. Por sua vez mandava um SMS anónimo ao pai para lhe dar conta da sua felicidade.

É por isso que estou disponível para que a Dra. Teodora Cardoso me mande uma mensagem SMS a convidar-me para o Conselho de Finanças Públicas, no caso de Passos Coelho decidir desistir de insistir com o nome de Teresa Morais para o Conselho das secretas pode muito bem mandar-me uma mensagem para o telemóvel. Aliás, se qualquer dirigente secreto do governo, da presidência ou do parlamento optar por me fazer um convite já sabe, basta mandar-me uma mensagem de SMS e nem precisa de se identificar.


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