segunda-feira, junho 05, 2017

Deus queira que sejam culpados

Numa perspetiva simplista o caso cheira a corrupção, estão lá todos os ingredientes para que a condenação pública dispense mais investigações e mesmo que o julgamento nunca se venha a realizar os agora arguidos estão mais do que condenados. Depois da limpeza nos políticos a justiça portuguesa segue o se curso, começou por decidir quem governava o país e destruiu políticos, agora parece que vai começar a limpeza no setor empresarial.

O DCIAP assegura que "as investigações prosseguem, estando em causa factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e participação económica em negócio". Resta saber se os fatos são algo mais do que o quadro que todos conheciam ou se há fatos consistentes que tenham justificado este passo. Esperemos que haja algo que justifique este passo, se a suspeita resulta do que consta nos jornais há vários anos alguém do MP terá de explicar porque motivo só agora se lembrou de ir em busca de provas?

Pessoalmente não gosto do Mexia, mas se consultar a página na Wikipedia para se perceber que a sua nomeação para a presidência da EDP não foi nada de estranho, tinha currículo empresarial mais do que suficiente para o cargo, designadamente no setor energético. É questionável se é aceitável que um ministro venha a ser administrador de uma empresa que tutelou. O facto é que não ocorreu qualquer violação da lei e Mexia não é comparável com outros iletrados que entram no governo sob a forma de entremeada e saem de lá transformados em salsichas.

Pessoalmente não gosto de Manuel Pinho mas se procurarmos na Wikipedia veremos que não é propriamente um iletrado. Sugerir corrupção porque foi professor numa universidade americano, passando-se a ideia de que tal só foi possível graças a um patrocínio da EDP é ignorar que Pinho Já tinha dado aulas na Universidade de Nova Iorque sem precisar de patrocínios. Os patrocínios de empresas a universidades americanas é a regra e não a exceção, a EDP tinha fortes interesses nos EUA no setor das renováveis e Pinho ganhou grande notoriedade neste setor.

Em relação a Manso Neto só posso dizer que é a pessoa mais inteligente que conheci, que é a pessoa mais desprovida de interesses materiais com que me cruzei e tenho muito mais confiança na sua honestidade e competência do que na dos responsáveis do MP. Que o diga o pessoal do BPN.

É muito fácil pensar à Semanário SOL e começar já o julgamento na praça pública. Mas prefiro esperar para ver pois esta “prenda” do MP ao atacar interesses empresariais e um ex-ministro da direita não me convence, Fico com a sensação de que a nossa justiça tanto mata à esquerda como aperta o gasganete à direita. 

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