segunda-feira, junho 12, 2017

Os fins de semana do PS

Quando Passos Coelho percebeu que a estratégia do exilado que esperava pelo diabo tinha falhado começou a fazer comícios com lombo assado, todas as noites de sexta e sábado são dedicadas a pequenos comícios, onde o líder do PSD diz que quer sem qualquer risco de contraditório. Pouco importa se o jantar é para reunir as mulheres do PSD ou para apresentar candidaturas autárquicas, o que importa é dominar a comunicação social durante o fim de semana. Desvaloriza-se o debate parlamentar onde tem de enfrentar os fantasmas do o passado, prefere jantares com dez minutos de tempo de antena.

O PS tem dado uma preciosa ajuda a esta estratégia, desde que é governo que este partido parece entrar em regime de descanso total na sexta-feira à tarde, para só regressar ao fim do dia de segunda-feira. Passos resguarda-se toda a semana e na sexta-feira à noite ou no sábado chama a comunicação social para mais um jantar onde aproveita o que sucedeu para dizer o que lhe apetece pois sabe que vai estar dois ou três dias sem resposta, por mais falsos que sejam os seus  argumentos.

Com tantos canais de informação e tão poucas notícias, ainda por cima com o futebol de férias, as televisões matraqueiam os telespetadores durante dias com as mesmas declarações, apresentando-as sem qualquer contraditório e como se fossem verdades absolutas. Ainda este fim de semana isso sucedeu, Passos apanhou o Costa “agarrado” às comemorações do Dia de Portugal e viajou do Porto para Santarém, para atacar a nomeação de um administrador da TAP e gozar com a intenção do governo de recuperar 500 milhões de euros de rendas concedidas à EDP.

Em nenhum dos dois casos Passos estava a ser honesto. Na TAP o novo administrador representa os interesses do Estado, os mesmos interesses que defendeu quando representou o Estado na reversão da privatização da EDP. No que se refere às rendas da EDP as intenções do governo não surgem com as investigações naquela empresa, já constavam no programa do governo.

Mas durante dois dias as mentiras de Passos, político que não respeitou o Dia de Portugal e fez o seu comício, foram repetidas até à exaustão em toda a comunicação social. A resposta só foi dada já domingo ao fim do dia, primeiro veio o ministro da Economia responder na questão da TAP, mais tarde foi Carlos César que repôs a verdade na nomeação na TAP.


Mas as mentiras de Passos já tinham passado e mais uma vez o governo foi penalizado por este curioso calendário político em que o PS permite que em cada sete dias o PSD tenha o exclusivo da comunicação social durante dois dias e meio e sem qualquer contraditório ou resposta por parte do PS. Pior ainda, o próprio BE aparece a aproveitar, fazendo surf nas mentiras de Passos Coelho, como sucedeu neste domingo, quando veio associar-se a Passos nas críticas à nomeação do administrador da TAP, aprovando e consolidando uma mentira.

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