segunda-feira, junho 26, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna

A ministra da Administração Interna espera por conclusões técnicas para tirar as ilações pessoais que deve tirar. A ministra está a incorrer num erro inaceitável ao fazer depender uma decisão pol´+itica pessoal de um relatório técnico. Esta posição da ministra não é mais um erro de comunicação como é inaceitável.

É inaceitável, antes de mais, porque a comissão de técnicos não vai avaliar o processo de decisão ministerial no dossier do combate aos incêndios, vai sim avaliar o que foi feito no terreno e nesse capítulo a ministra não conta. Constança Urbano de Sousa não é bombeia ou guarda da GNR pelo que não faz sentido que venha a tirar conclusões pessoais em função do que se passou naqueles incêndios.

As responsabilidades de Constança Urbano de Sousa são de natureza política e as perguntas a que tem de responder a si própria para tirar as suas ilações pessoais são outras. Estava em condições de minimizar os erros e falhanços no combate ao incêndio? Teve conhecimento de insuficiências no sistema de comunicações da Proteção Civil e fez o que estava ao seu alcance para as superar? Foi-lhe informado do risco de incêndios muito graves e fez o que lhe cabia nessas circunstâncias.

São estas as perguntas que a ministra deve fazer a si própria e em função da resposta tirará as ilações que deve tirar. Se não fosse assim nas próximas eleições os portugueses só votariam depois de uma comissão técnica independente avaliar o desempenho governamental ou, então, as propostas dos partidos teria de ser previamente avaliadas por técnicos.

Constança Urbano de Sousa não foi para técnica mas sim para ministra e isso significa que a avaliação do seu desempenho enquanto ministra  é de natureza política. Esconder-se atrás de uma comissão técnica é mais um erro que a ministra comete.

«Se a comissão independente atribuir responsabilidades à tutela, Constança Urbano de Sousa garante que tirará "as devidas ilações"

A entrevista a Constança Urbano de Sousa foi gravada na sexta-feira às três da tarde. Na noite de sexta-feira foram conhecidas as respostas da Autoridade Nacional de Proteção Civil, reconhecendo falhas no SIRESP, assunto que é tema nesta entrevista. A atualização da entrevista não foi possível porque a ministra "não pretende fazer novas declarações sobre a matéria até receber o relatório circunstanciado que já tinha pedido ao SIRESP".» [DN]

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