domingo, junho 25, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Valente de Oliveira, mandatário do candidato populista

O que não faltou a Valente de Oliveira foram boas oportunidades de se ter demitido do PSD, podia tê-lo feito, por exemplo, quando Passos o ignorou na hora de preencher a vaga de membro da Comissão europeia. Chegar ao fim da carreira política e demitir do seu partido para apoiar um político que sofre de homofobia democrática talvez não tenha sido a melhor das ideias.

Podia ter-se demitido em oposição a políticas, opta-se por se demitir para não ser expulso.

«luís Valente de Oliveira enviou, esta semana, uma carta ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir a sua desvinculação de militante do seu partido de sempre. Na origem da decisão está o convite de Rui Moreira ao histórico social-democrata para ser mandatário da recandidatura independente “Porto, o Nosso Partido”. O presidente da Câmara do Porto confirmou ao Expresso que, tal como nas autárquicas de 2013, o seu mandatário será Valente de Oliveira, que já confirmou o convite e “autorizou que o mesmo fosse divulgado”, tendo ainda revelado que se desfiliaria do PSD para evitar embaraços políticos e eventuais processos disciplinares. Embora ainda não haja data do anúncio formal da candidatura, Rui Moreira fez questão de manter para as eleições de 1 de outubro o seu primeiro mandatário. 
Ao contrário do que sucedeu nas últimas autárquicas, em que manteve o cartão apesar do apoio a Moreira em detrimento do candidato do partido, Luís Filipe Menezes, Valente de Oliveira optou agora por abandonar o partido, esquivando-se a ser repetente num quadro de possíveis ameaças de represálias disciplinares.» [Expresso]

 Proteger as estradas ou proteger as florestas

Durante décadas o país plantou árvores nas bermas da estrada para sombra e para fins decorativos, as árvores pertenciam ao estrado que exploravam a sua madeira e mesmo a fruta ou frutos secos, como as amêndoas, era trabalho da JAE. Os tempos mudaram e os enormes eucaliptos e pinheiros nas bermas das nossas estradas transformaram-se em armadilhas mortais. Ainda hoje há muitas estradas onde um descontrolo na direção do carro pode ser pago com a morte.

Quando os incêndios se começara a multiplicar as estradas foram apontadas como inimigas da florestas, ninguém questionava se nas bermas haviam pinheiros, eucaliptos ou carvalhos, os ambientalistas ainda não dominavam a comunicação social, os estudos de impacto ambiental ainda não eram um excelente negócio para empresários e consultores que se iniciaram nas associações ambientais.

Os carros e os seus ocupantes eram inimigos da floresta porque com fagulhas ou beatas de cigarros provocavam incêndios. Era necessário proteger as florestas dos carros limpando as suas bermas. Só que faixas de terreno com quilómetros e quilómetros de terreno é muita terra mal aproveitada, a consequência é que estradas como a EN236 apresentam troços em que as árvores estãio tão junto às duas bermas que em caso de incêndio foram um túnel de fogo com centenas de graus.

Foi preciso uma combinação de fatores para que se concluam que afinal o importante não é proteger a floresta dos carros e das pessoas, mas sim proteger as pessoas das florestas e dos seus incêndios cada vez maiores, porque há mais floresta, e cada vez mais violentos porque há mais combustível.

 António Costa deve um pedido de desculpas

António Costa parece ter acreditado no sindicalistas dos impostos e ainda na oposição lançou uma cruzada contra aquilo a que se designou por "Lista VIP", chegou mesmo a dizer que o caso merecia um processo crime, o que vindo de alguém que tinha sido ministro da Justiça merecia alguma atenção.

Entretanto, a IGF investigou, o MP investigou e a AT investigou. A IGF fez o que lhe cabia fazer, fez o relatório da conveniência, aquilo a que designa por frete. Mais não era de esperar de uma instituição que pouco tempo antes tinha andado a vasculhar as mensagens de email de todos os funcionários do fisco, num processo que foi devidamente abafado, isto é, ninguém ficou a saber o que se passou.

Mas o MP concluiu que os funcionários que foram sacrificados por causa da lista VIP, a mesma conclusão chegou o processo disciplinar da AT. Isto é, é cada vez mais óbvio que vários funcionários foram vítimas de um processo sujo conduzido com o objetivo de prejudicar pessoas, aquilo que na Sicília se designa por vendetta. Alguns funcionários demitiram-se ( uma forma cínica de ser demitido) e António Costa chegou a primeiro-ministro,

António Costa caiu na esparrela e agora devia pedir desculpa aos funcionários cuja carreira ajudou a destruir e à própria AT, é o preço de ter alinhado no debate político de casos e casinhos.
      
 Um fim de semana mal passado
   
«O interrogatório a Hermínio Loureiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e um dos detidos na operação Ajuste Secreto da Polícia Judiciária (PJ), terminou na sexta-feira à noite, disse à Lusa fonte judicial.

Hermínio Loureiro começou a ser ouvido pela juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, cerca das 15h30 e saiu do Tribunal da Feira por volta das 23h00, regressando à cela da PJ do Porto, a fim de ai pernoitar pela quinta noite consecutiva, juntamente com os outros cinco arguidos detidos.

No sábado de manhã, a juíza de instrução criminal irá interrogar o ex-presidente do conselho de administração da Assembleia da República e ex-deputado social-democrata João Moura de Sá, que resolveu prestar declarações, apesar de inicialmente ter dito que não queria falar.

Para as 15h30, estão agendadas as alegações, devendo a decisão sobre as medidas de coação ser proferida apenas na segunda-feira, Antes de Hermínio Loureiro, a juíza esteve a ouvir José Oliveira, presidente da Concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis.» [Expresso]
   
Parecer:

Com tanto incêndio no Porto  e nas autarquias e ninguém fala deste príncipe dessa combinação entre PSD, bola e autarquias, uma combinação que em tempos se uniu com o patrocínio de Santana Lopes, para ajudar Durão Barroso a chegar ao poder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por segunda-feira.»
  
 Um sindicalista estranho
   
«O arquivamento, noticiado nesta sexta-feira pelo Diário de Notícias, é para o presidente do sindicato, Paulo Ralha, um “verdadeiro milagre” por "branquear" os nomes apontados pela própria IGF como responsáveis, por acção ou omissão, pela “lista VIP”. Em causa estão quatro pessoas: o ex-subdirector-geral José Maria Pires, que autorizou o funcionamento do sistema num dia em que o director-geral estava ausente, o próprio ex-director-geral António Brigas Afonso e dois outros funcionários, a coordenadora da área dos sistemas de informação, Graciosa Martins Delgado, e o chefe de equipa da área da segurança informática que lhe respondia, José Morujão Oliveira. “Nem o Omo lava mais branco do que isto…”, reage Paulo Ralha, pegando numa célebre campanha publicitária de uma conhecida marca de detergente para a roupa para descrever a actuação da AT.

Se há dois anos a IGF recomendou que fossem ponderados processos disciplinares aos quatro funcionários por causa de condutas “susceptíveis” de violar, em diferentes graus, deveres profissionais previstos na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, o entendimento que a AT faz do caso é o oposto: os visados agiram no cumprimento dos seus deveres de protecção de dados.

“Foi criado um mecanismo desta natureza e não há responsáveis”, insurge-se Paulo Ralha, considerando que quem fica em xeque é a própria AT. “A situação é absolutamente Kafkiana, põe em causa o princípio da igualdade, os princípios da democracia, e no final não há responsáveis”, acusa, lembrando que a mesma instituição que agora arquivou os processos dos dirigentes aplicou sanções a alguns funcionários (repreensões escritas suspensas por seis meses ou um ano) por terem consultado informações fiscais de figuras públicas, mesmo não se verificando violação da protecção de dados.» [Público]
   
Parecer:

Persegue os sócios do seu próprio sindicato.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Palhaçada moçambicana
   
«A auditoria às dívidas ocultas de Moçambique deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Lacunas permanecem no entendimento sobre como exactamente os dois mil milhões de dólares foram gastos, apesar dos esforços consideráveis" para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação feita pela consultora internacional Kroll.

Por outro lado, "a auditoria constatou que o processo para a emissão de garantias pelo Estado parece ser inadequado, sobretudo no que respeita aos estudos de avaliação que devem ser conduzidos, antes da sua emissão", acrescenta-se.» [Público]
   
Parecer:

Um procurador-geral tão nabo que não consegue dizer o que fizeram a dois mil milhões de dólares.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao pobre diabo que beba água.»

 A vez dos barrosistas
   
«Mas o apoio do barrosismo à lista anti-Passos não fica por aqui. Outros três membros do Executivo de Barroso destacam-se na lista de subscritores da candidatura de Sarmento. Com relevo para José Luís Arnaud, que foi o braço-direito de Durão, depois de ter sido secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa.

Maria da Graça Carvalho, ex-ministra da Educação, e Pedro Roseta, ex-ministro da Cultura (e dirigente da distrital de Lisboa nos anos 80) estão igualmente entre os subscritores da lista de Morais Sarmento.

O antigo ministro da Presidência, que nos últimos anos foi várias vezes apontado como putativo candidato à chefia do PSD, apresentou na sexta-feira a sua candidatura e assumiu a oposição a Passos, defendendo o surgimento de um "novo PSD".» [DN]
   
Parecer:

O Morais Sarmento ainda vai passar a perna ao indeciso Rui Rio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

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