quinta-feira, julho 11, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Borboleta, Lisboa
 Um presidente muito coerente...
 
O mesmo presidente que diz que o país precisa de ser salvo defende agora um compromisso de salvação nacional. O mesmo presidente que atacou o PS de forma violenta no passado dia 25 de Abril quer agora prender este partido ao seu governo.

Com esta comunicação percebeu-se que Cavaco não sabe o que fazer e tenta a todo o custo prender o PS ao seu governo.
 
 Cavaco lança o país numa crise política

O nim dito por Cavaco à solução governativa proposta por Passos Coelho tem como consequência o impasse e isso significa uma crise política sem solução pois o que Cavaco defendeu é inviável. Só se Seguro fosse doido alinharia numa solução de salvação nacional inventada por Cavaco com o único objectivo de repartir os prejuízos de uma política incompetente que teve o seu total apoio.

Além disso, Cavaco esqueceu-se de que é primeiro-ministro e excluiu três partidos da sua solução, para este senhor há partidos de primeira e partidos de segundo, assumindo ele próprio a iniciativa de excluir os representantes de uma boa parte dos portugueses.

Cavaco tem uma visão um pouco oportunista da salvação do país, enquanto esperou que o governo do seu partido conseguiria resolver os problemas apoiou-o, ria-se das alternativas e, pior do que tudo, ignorou, desprezou e acabou por agredir o PS. Agora que o desastre é eminente Cavaco quer que o PS salve Passos Coelho e o seu governo de incompetentes.

E fá-lo de uma forma que faz lembrar a demissão do Gaspar, tentando atirar os portugueses contra os partidos e, em particular, o PS. Cavaco deveria ter negociado esta solução em privado em vez de apelar à sociedade para forçar o PS pois é este o partido sistematicamente visado por Cavaco Silva.
 
Mas o que vai fazer Cavaco? Se defende que o acordo terá de ser entre os partidos isso significa que Cavaco defende um governo de salvação nacional de iniciativa governamental pois o governo tem maioria absoluta e só abrindo mão dela chegará a um acordo com o PS. Isto é, Cavaco lança a confusão e atira as responsabilidades para os partidos, sai da sala de partos para não assumir responsabilidades.
 
Mas o raciocínio aberrante de Cavaco vai mais longe ao propor que se combinem eleições antecipadas para 2014, isto é, Portugal tem um Presidente da República que sugere que uma parte dos partdos combinem uma redução inconstitucional da legislatura. Cavaco não usaria a bomba H, propõe que sejam os partidos a vestirem um colete de bombistas que será detonado com recurso a um relógio.
 
Tudo isto é ridículo demais e Cavaco lançou uma crise bem pior do que o fogacho provocado por Paulo Portas.
 
      
 O tempo está quente e perigoso
   
«Lisboa, ontem, 38 graus. Com 38 graus frita-se um ovo em cima de um capô de carro. Calcule-se o efeito sobre a moleirinha de uma presidente do Parlamento. Alguém sopra a Assunção Esteves que o seu assessor Jorge Sobrado apoia o candidato à presidência da Câmara de Viseu, Almeida Henriques (PSD). Lisboa, ontem, vento fraco. O que sopra só pode ser cálido, alimentando a modorra. Assunção pega na caneta e manda: "Tendo notícia de que um assessor por mim contratado estará a dar apoio a uma candidatura autárquica, decidi fazer cessar as suas funções no meu gabinete." A caneta desfalece e a segunda figura da hierarquia nacional mantém-se hirta, cuidando em não recostar-se ao cadeirão ardente. À porta do gabinete, o povo espera. Em alguns olhos manhosos chispam suspeitas: "Será que o tal Sobrado levou os aparelhos de ar condicionado do Parlamento para Viseu?..." A caneta de Assunção retoma: "Tenho no meu gabinete pessoas de diferentes origens partidárias e, em tempos normais, refletiria sobre a liberdade particular de alguém exercer a sua cidadania ao lado das suas funções. Mas, em tempo de crise, entendo que não deve haver margem para dúvidas." E é tudo o que há para saber. Assunção falou. Alguns do povo metem um dedo nos colarinhos para descolar do suor e vê-se-lhes no olhar que não perceberam nada. O pior é se perceberam: em havendo crise, suspende-se a cidadania. Dos assessores! Calculem o que será para o povo...» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
     
 A vitória da perfídia
   
«A política portuguesa atingiu o nível mais rasteiro até agora visto. O "irrevogável" de Paulo Portas já faz parte do anedotário nacional e ao vê-lo, solene e compungido, beijar o anel de D. Manuel Clemente, na cerimónia de consagração do bispo como patriarca de Lisboa, não podemos remover a ideia de farsa de um comportamento que devia ser pautado pela rectidão de carácter. Mas Portas não está hipotecado a essas minudências da honra e do exemplo, e não venha ele lá agora dizer que a grotesca cambalhota foi dada em nome do "interesse nacional."
  
Não é só a ele, porém, que devemos imputar a falta de palavra. Ao admitir a validade do dito pelo não dito, tanto Passos Coelho como o extraordinário dr. Cavaco cumpliciaram-se na infâmia. O "novo" Governo, cerzido com a benevolente aquiescência de Belém, é um trambolho desprezível para todas as partes. Além de constituir uma afronta a todos aqueles que respeitam as regulares normas de conduta, e ainda mantêm a força de se indignar com a ignomínia.
  
Nesta parada repugnante, o pobre Passos Coelho acaba como um joguete, mais digno de compaixão do que de zombaria. Com Vítor Gaspar foi o que se viu. Aceitou todas as patifarias que o Grande Manitu infligiu a Portugal, o descalabro do desemprego, a queda abissal da economia e, por fim, a consciência de que todo o programa tinha falhado, assim como as previsões, todas as previsões "cientificamente" consumadas. Despediu-se com um mea culpa tão absurdo quanto impune. Nós é que fomos vítimas da experiência.
  
Meteu-se com Paulo Portas, subalternizando-o e desprezando a índole de um homem rancoroso, irresolvido, que não cresceu e capaz das mais torpes vinganças. Basta recordar o que fez a Manuel Monteiro, a alegre cilada a Marcelo Rebelo de Sousa, ou as insídias executadas no Independente (exemplo típico de imprensa marrom, sob a capa de "modernidade"), para se aferir da estofo moral do artista. Pedro Passos Coelho não sabia com quem se enredava. Depois do golpe de cartola, aceitou todas as exigências do parceiro de coligação. Sai desta contenda reduzido a subnitrato e Portas elevado e promovido. A quê, e por quanto tempo?
  
A miséria destas encenações sem grandeza nem recto propósito é que elas traduzem a leviandade de um indivíduo, já de meia-idade, que se diverte a cometer perjúrios, traições e perfídias sem um pingo de vergonha. Contudo, a vergonha, nestes tempos sombrios, está, ela também, desempregada, e nem resquício da sua presença se adivinha no horizonte das nossas preocupações. O pior de todo este descrédito é que parece ser ele aceito por Belém, sempre em nome do tal "interesse nacional" que oculta, normalmente, as maiores maroteiras. As coisas não podem ficar por este intermezzo, embora ele seja demasiado trágico e doloroso para os portugueses.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
   
   
 Pastas do governo são moeda de troca
   
«Ainda não é certo que Nuno Brito suceda a Paulo Portas e venha a ocupar o lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros, mas a provável nomeação do embaixador português em Washington já tem causado mal-estar. Segundo a edição de hoje do jornal Público, o provável novo ministro é acusado de ter quebrado uma regra governativa e de ter sido o arquitecto da Cimeira dos Açores, onde se preparou a invasão do Iraque.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros foi escolhido por competência ou para pagamento de fretes?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Quem quer Cavaco salvar
   
«O Presidente da República lembrou que “Portugal está viver uma grave crise política” e que “num quadro desta gravidade” todos têm de actuar de forma ponderada.

O Presidente da República exigiu esta quarta-feira dos líderes políticos um "acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS” assente em “três pilares”, a saber, eleições antecipadas para Junho de 2014, apoio dos três ao governo que se mantiver em funções até lá e apoio dos mesmos ao Governo futuro.

Cavaco Silva ameaçou depois Passos, Portas e Seguro que caso falhassem atingir esse compromisso, os portugueses iriam ser capazes  de “tirar as suas ilações” sobre as “responsabilidades dos três partidos do arco da governação.

O “compromisso de salvação nacional” defendido por Cavaco está assente em três condições que o Chefe de Estado classificou como “fundamentais”. O primeiro é um “calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas”, a “coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira, em junho do próximo ano”.

A segunda condição é o “apoio à tomada das medidas necessárias para que Portugal possa regressar aos mercados logo no início de 2014 e para que se complete com sucesso o Programa de Ajustamento”

A terceira e última é a garantia de que o “Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego”» [Público]
   
Parecer:
 
A solução de Cavaco não tem por objectivo salvar o país, o que Cavaco quer é diluir as suas culpas em todo o processo e as culpas do governo do seu partido, o que Cavaco quer é salvar-se a si próprio amarrando o PS a dois anos de incompetência e má fé no governo e na Presidência da República.

Com esta solução a que ninguém do PS vai dizer sim o que Cavaco consegue é lançar o país numa crise que parecia ultrapassada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Teixeia dos Santos diz que ministra das Finanças mentiu
   
«Numa audição que está a decorrer na comissão de inquérito aos swaps, Teixeira dos Santos acusou a actual ministra Finanças de não falar verdade no que diz respeito à passagem de informação sobre os contratos subscritos por empresas públicas.

O ex-ministro das Finanças do PS começou por citar declarações feitas por Maria Luís Albuquerque, ex-secretária de Estado do Tesouro escolhida por Passos Coelho para substituir Vítor Gaspar, no Parlamento a 25 de Junho.

Nessas declarações, a nova ministra das Finanças referiu que “quando este Governo entrou em funções, o problema relativo aos swaps já existia. Apesar disso, na transição de pastas nada foi referido a respeito dessa matéria”, citou Teixeira dos Santos, garantindo que o que “foi dito não é verdade”. O ex-ministro garantiu, uma vez mais, que essa informação foi passada ao actual executivo, nas reuniões ocorridas a 18 e 20 de Junho com Vítor Gaspar.» [Público]
   
Parecer:
 
Parece que senhora mentiu mesmo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma esferográfica à senhora, para que asine a sua carta de demissão.»
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