segunda-feira, julho 08, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Jardim Botânico da Ajuda, Lisboa

 Passos deu a troika a Portas
 
Será que agora que o Portas fica entroikado de uma vez por todas?
 
 A prostituição política segundo Portas
 
Portas é uma puta da política, para ele tudo é uma questão de preço.
 
 Momento de ternura na missa

O merceeiro neerlandês a aplaudir a chegada de Passos Coelho e depois a de Cavaco Silva ao Mosterio dos Jerónimos para assistirem à primeira missa do novo patriarca de Lisboa. Desta vez Cavaco Silva não precisou de cronometrar a sua chegada de forma a coincidir com o início da missa.

Quem parece não ter percebido ou não ter querido perceber o que se passou foi o Marcelo que nem reparou na diferença de intensidade dos aplausos chegando à brilhante conclusão de que o povo da Igreja é de direita. O descuidado professor não reparou que Cavaco foi muito mais aplaudido do que que Cavaco e este foi muito menos aplaudido do que o patriarca. O pobre do Marcelo é tão burro nesta coisa da Igreja que desconhece que uma boa parte dos presentes eram pessoas ligadas ao poder económico e ao governo e até o Paulo Portas deve ter batido palmas a Passos Coelho. Ridículo como de costume.

      
 Voando sobre um ninho de cucos parte II
   
«1. Esta semana deu vontade de gritar a alguns políticos: "olhem que as pessoas estão a ver", "não vêem que as lesões que estão a provocar são, elas sim, irrevogáveis". Não por eles, não para evitar que as pessoas vejam a politiquice de baixo nível, a sua pequenez, as mentiras, as vergonhosas contradições.
  
Não, por todos nós. Nunca como hoje estamos tão precisados de gente que interprete o sentir do povo, que entenda o politicamente possível, que saiba o significado da palavra comunidade. Nunca precisámos tanto de políticos e de razões para neles confiarmos e nunca como nesta semana tantos políticos e com tantas responsabilidades fizeram tanto por lhe perdermos o respeito.
  
Não é um Governo que está em causa, nem umas eleições. É a democracia que põem em causa com esta vergonhosa conduta.
  
2. O homem que apontava o caminho, o homem que tinha a solução, o homem que representava a troika, o homem que de facto liderava o País foi-se embora. Humilde, pela primeira vez, reconheceu na sua carta de demissão o que muitos há tanto tempo gritam: o plano não resulta. Correu tudo mal. Nem ele, mestre na arte da utilização do Excel, exímio malabarista do uso da meia verdade, conseguia esconder mais o absoluto fracasso. Vítor Gaspar saiu tarde e a más horas pela porta pequena, deixando um país arrasado e em muito piores condições do que aquele que encontrou.
  
O primeiro-ministro, claro está, ainda não percebeu nada. É até capaz de pensar que está tudo correr às mil maravilhas.
  
Os portugueses estão a ser vítimas do mais letal dos cocktails: gente incompetente e irresponsável a executar um programa suicida.
  
A loucura pode estar definitivamente instalada e o Governo pode continuar a fingir que está em funções mas não passará da continuação duma criminosa ilusão. Não existirá português que leve o Governo a sério. Nada pode ser pior.
  
3. Se Miguel Sousa Tavares arriscou ser julgado por ter chamado palhaço a Cavaco Silva, por maioria de razão o Presidente devia ter também denunciado Passos Coelho e Portas ao Ministério Público. Deixar Cavaco falar sobre a solidez do Governo lançando até um desafio aos partidos da oposição para actuarem na Assembleia da República e fazê-lo passar pela cena circense de dar posse a uma ministra quando o Governo já estava em pleno colapso foi um insulto bem maior.
  
Digamos que o Presidente se pôs a jeito. A derrota colossal da sua estratégia e a humilhação pública a que foi sujeito são da sua inteira responsabilidade. Claro que Passos não se iria maçar a explicar-lhe o que quer que fosse. Claro que Portas nem pensou em avisar Cavaco de que se ia embora. Não aguentou Cavaco todos os disparates da governação? Não se tornou o maior aliado do Governo, prescindindo do seu papel de árbitro do sistema? Não era claro para todos que podia Cristo descer à Terra que Cavaco não destituiria o Governo? Quem não se dá ao respeito acaba sempre por ser desrespeitado.
  
4. Mas na noite de sexta-feira Passos e Portas, depois de terem estado toda a semana dedicados a acabar duma vez por todas com o Governo, descobrem a solução. Vamos todos fingir que estes dois anos nunca aconteceram, que a carta de Portas foi a brincar, que Gaspar estava só ressabiado, que se pode dar um jeitinho nas políticas. Agora é que vai ser.
  
Mas será que Cavaco está tão cego ou tão aterrado que ainda vai acreditar em quem o traiu de forma tão evidente? Será que não sabe que este Governo não passa dum cadáver e nada nem ninguém o pode ressuscitar? Será que acredita que um Governo liderado por Passos Coelho depois da vergonha desta semana tem condições políticas para apresentar um Orçamento do Estado? Será que pensa que o povo aceitará que gente que leva a palco este patético espectáculo pode cortar 4700 milhões de euros ou fazer uma reforma de Estado? Será que não percebe que é o Governo a fonte de toda a instabilidade? Será o Presidente da República ou um simples cidadão capaz de acreditar em Paulo Portas se ele ficar no Governo depois de ele ter dito que a sua decisão de sair era irrevogável, que ficar seria um acto de dissimulação, que não era politicamente sustentável ficar no Executivo? Será que ele aceita a óbvia chantagem de que está a ser alvo pelos partidos da coligação?
  
Não é que Cavaco Silva ainda mereça o benefício da dúvida, mas nem ele consegue evitar o evidente, o óbvio ululante: é fundamental um novo Governo e não há, neste momento, outra forma de o encontrar sem que primeiro tenhamos eleições.
  
Ou então estamos definitivamente sem Presidente da República e Cavaco é apenas um ministro sem pasta.
  
(Este artigo acabou de ser escrito às 10.30 de dia 6, pode ser que quando chegue ao leitor Gaspar seja de novo ministro das Finanças e Miguel Relvas primeiro-ministro.» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Marques Lopes.
   
   
 Tiririca deixou a política e volta a ser palhaço
   
«O Brasil não existe. Para se fazer um levantamento na caixa de multibanco, seja qual for o montante, paga-se um tanto de taxa. Para ver o extracto, outra taxa. Para levantar dinheiro directamente do balcão, mais uma taxa. Não há direito e não admira que todos os brasileiros paguem tudo, mas tudo, com cartão, é directo, a custo zero, e assim não se anda com notas nem moedas no bolso, ali, à mercê do amigo do alheio.

O Brasil não existe. Um deputado federal é eleito pelo povo, chega a Brasília, estuda a situação política e apresenta o seu primeiro projecto, o da bolsa alfabetização, para adultos concluírem curso para aprender a ler e a escrever. A ideia--base é dar um valor mínimo de 545 reais para cada interessado, com a "finalidade de estimular o aprendizado da leitura e da escrita, de forma a qualificar e assegurar ao cidadão o pleno acesso à utilização da informação." Em contrapartida, é exigido ao aluno um período mínimo de seis meses de aulas, com 85 por cento de frequência. Caso as notas do aluno sejam satisfatórias, o programa continua para outros patamares, cada vez mais elaborados e exigentes. Coisa boa, portanto. O que faz o Congresso? Veta o projecto.

Dois meses depois, uma mente iluminada do governo de Minas sugere o cartão Aliança pela Vida, uma espécie de bolsa crack. Cada família de um dependente químico ganha 900 reais por mês para tratamento do vício. Desse valor, 810 são destinados ao pagamento da comunidade terapêutica, 90 para despesas de familiares com visitas aos dependentes. Ao todo, gastam-se 70 milhões de reais por ano numa bolsa bastante controversa porque a maioria dos especialistas na prevenção do uso de drogas entende que as famílias não estão devidamente preparadas para usar o dinheiro em benefício do dependente. Apesar de todas as reticências, a bolsa crack é aprovada.

Enquanto isso, a bolsa alfabetização está na gaveta e o Brasil apresenta um estudo em que 38% dos estudantes universitários não dominam a escrita nem a leitura, fora aqueles que se alfabetizam à pressa em instituições privadas criadas sobretudo na era do presidente Lula (2002-2010) para fazer crer no crescimento exemplar da educação no país.

É por estas e por outras que o deputado mais conhecido do Brasil quer sair do governo, esquivando-se às eleições de 2014. Por falta de opções e também por falta de tempo para a sua profissão de anos e anos, Tiririca está de saída. Tiririca, Tiririca, Tiririca, esse nome é-nos familiar. Refresquemos a memória. Dois--mil-e-dez é um ano engraçado para a política brasileira porque os eleitores elegem um palhaço - de verdade - para o Congresso Nacional. É Tiririca, ou melhor Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca. É o deputado mais votado de 2010, com 1,35 milhões de "likes", digamos assim, à frente de Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, e é também o segundo mais votado de sempre, atrás de Enéas Carneiro, com 1,571 milhões de votos em 2002.» [i]
   
Parecer:

Pede-s um mau políticos e ganha-se um bom palhaço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão do exemplo do Tiririca a todos os palhaços que desempenhem funções políticas em Portugal.»
  
 Directora do FMI critica austeridade brutal
   
«O ajuste orçamental “brutal” não tem de ser levado até ao seu “máximo”, disse hoje a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, admitindo erros cometidos pelo organismo na sua avaliação sobre a situação de alguns países.

“Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo”, declarou a responsável do Fundo Monetário Internacional num encontro de economistas em Aix-en-Provence, no sudeste da França.» [i]
   
Parecer:
 
E os imbecis de Massamá ainda foram mais longe do que o muito que já era exigido pela troika.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos imbecis.»
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