sexta-feira, julho 05, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Torre Vasco da Gama, Lisboa
    
 A culpa da crise é de Sócrates

A crise foi lançada depois de Portas se ter animado com a promoção das vendas do Magalhães, percebeu que o computador tinha mais futuro do que os pastéis de nata do Álvaro e decidiu ficar com a pasta da Economia.

 Ainda bem

Ainda bem que a direita superou a sua crise de repartição do poder e do acesso às comissões, agora que espera um empurrão europeu Portas decidiu e conseguiu chegar-se ao pote, vai ser ele a mandar nas benesses do Estado e da UE às empresas, deixando ao PSD o odioso do governo, Passos abana a árvore e Portas apanha a fruta, isso se não apanhar também com um enxame de vespas.

A direita que leve o que está fazendo até ao fim, como diria o senhor Silva, até ao pós-troika, pode ser que fim saia disto bem entroikada.

 Uma crise política original

Ainda não vai a meio e já ninguém está interessado em saber como vai acabar. Isto não é uma crise, é um negócio de comissões.
 
 A crise é uma oportunidade para Cavaco
 
Mostrar como é capaz de gerar consensos  ... dentro da coligação. Ou será antes uma culigação?
 


 O fadário português
   
«Vítor Gaspar foi embora compulsivamente. Era preciso ter um espírito coriáceo incomum para aguentar o que aguentou. Um cerco infernal de insultos, execrações, vitupérios rodeou uma actuação cuja doutrina em que se escorava era tão absurda como apavorante: tínhamos de rastejar na miséria, no empobrecimento e na dor, para renascer, como a Fénix, na felicidade e na fortuna. Não digam que o não disseram: Passos Coelho alertou-nos, com a convicção de um fanático e a obstinação de um anacoreta.
  
A história destes dois anos é um fadário. A intrusão de modelos estrangeiros suscita, inicialmente, rejeição e repulsa, mas, progressivamente, acabam por ser admitidos com resignação. Pensavam eles. O tiro saiu pela culatra. Nunca Portugal se tinha levantado em massa como o fez. No armorial das nossas indignações aprendemos a conhecer o poder de que dispúnhamos.
  
Mas há o inevitável cansaço, insidioso, viscoso e denso. Passámos demasiado tempo num tempo semelhante. Foi ontem, foi muito longe. A memória faz emergir coisas excessivamente dolorosas. É preciso não esquecer que morreu muita gente, punida pela razão singela de querer ser livre. Um dos mais belos livros que fala dos dias claros, Alvorada em Abril, do Otelo, ilumina, ainda hoje, muitos de nós, para essa construção justa, de coragens insólitas e exaltações grandiosas. O festim foi curto. "Qual é a tua, ó meu/ Andares a dizer/ Quem manda aqui sou eu..." Rematou a marcha de José Mário Branco, melancólica por já não podermos pertencer e defender a cultura do interdito. A sociedade fora chamada pelas classes dominantes, acordadas do susto e recompostas para julgar e castigar o nosso modesto grito de subversão. Desde aí, sobrenadamos nesta impossibilidade trágica de ser felizes. Pedro Passos Coelho resulta de um desenraizar dos ensinamentos e dos padrões com os quais vivemos. Não sabe, nunca soube, por impreparação e alarmante incultura, que abria a caixa de Pandora. Vítor Gaspar representou-se-lhe como uma espécie de guru, ainda não totalmente riscado da nossa tragédia. Extirpar o desígnio maléfico do programa imposto vai levar décadas. A pouca atenção dada aos excluídos e a indiferença moral que nos foi inculcada não é um plano recente: nasceu há muitos anos e foi cuidadosamente apensa a uma ideologia. 
  
Gaspar, tão elogiosamente referido pelo fatal Catroga e pelo inexcedível Beleza, deixou sementes do ódio. A senhora que o substituiu não poderá proceder à reforma deste pensamento e muito menos à inversão da sua acção, pela impossibilidade que a dinâmica dos factos impõe. Trocar alguém ou um governo por outro alguém não é factor tributário de "mudança". Talvez melhore, mas não resolve. Está por fazer a narrativa do que nos tem sido ocultado, e a releitura crítica destes dois últimos anos de vassalagem de um Governo a outro. Gaspar foi embora ou não?» [DN]
   
Autor:

Baptista-Bastos.
   
   
 Quais agentes políticos?
   
«No final da reunião do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, evitou as perguntas dos jornalistas relativamente às negociações em curso entre o chefe do Governo, Passos Coelho, e o ministro demissionário Paulo Portas, sublinhando apenas que “o momento difícil” que o País atravessa “exige uma responsabilidade muito grande de todos os agentes políticos" na “preservação da estabilidade política que melhor possa defender os sacrifícios dos portugues.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Pela forma como este senhor fala parece que andam todos os agentes políticos a comportar-se de forma irresponsável, quando na verdade é que são os líderes do PSD e do CDS que andam a brincar aos papás e às mamãs e que fica prenho com essa brincadeira de mau gosto é o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor ministro que se deixe de manobras de diversão e que comece ele próprio por ser responsável e a melhor foram de o ser é começar por ele próprio em vez de mandar recados a terceiros. Por outras palavras, que vá à bardamerda mais os seus conselhos paternalistas, ou já se terá esquecido de dizer que agora sim que o país está parado.»
  
 E não quererão um aumento do vencimento?
   
«Os sindicatos da educação anunciaram hoje no parlamento que vão propor que o adiamento para fevereiro de 2015 da aplicação das regras da mobilidade especial concedido aos professores do pré-escolar até ao ensino secundário seja extensível ao ensino superior.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Como de costume os professores ficam beneficiados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
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