terça-feira, abril 05, 2011

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Mosca do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
JUMENTO DO DIA


António Serrano

A ideia de sugerir aos desempregados que vão trabalhar para a agricultura é brilhante, já estamos a ver um metalomecânico de Lisboa ir apanhar tomate para Santarém prescindindo do subsídio de desemprego e da profissão para ganhar o ordenado mínimo. A ideia é boa mas deslocada geográfica e temporalmente, fazia todo o sentido nos tempos de Mao.
  
Bem, mas como o ministro poderá estar à beira do "desemprego", pode ser que dê o exemplo.
  
«O ministro da Agricultura desafiou hoje, no Algarve, os desempregados nacionais com capacidade para trabalhar no sector agrícola a aceitarem as propostas de emprego existentes em Portugal e recordou que os empresários estão a contratar mão de obra externa.

  
"Gostaria de ver mais gente que está no desemprego a aproveitar a oportunidade que o sector da Agricultura cria, porque há de facto uma criação de postos de trabalho na área", disse António Serrano, à margem de uma visita a diversos investimentos do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) na região algarvia.
  
Questionado pela Agência Lusa sobre o porquê de haver falta de mão de obra portuguesa no setor hortícola e frutícola por todo o país, o ministro explicou que os empresários têm dificuldades em encontrar portugueses que queiram trabalhar na Agricultura e, por isso, estão a recorrer à mão de obra externa, nomeadamente tailandesa.» [DN]

 QUEREM CHAMAR O FMI

A solução é fácil, Cavaco demite Sócrates e nomeia um primeiro-ministro da sua confiança, que até pode ser o Passos Coelho. Com um governo de iniciativa presidencial e como Cavaco acha que é constitucional fazê-lo esse pedido de ajuda pode ser feito. Pode mandar o seu ministro negociar em roda livre e depois dá conhecimento do que decidiu.

 RANGEL 1 - 0 PASSOS COELHO

 
Passos Coelho preferiu ir para Bruxelas lançar insinuações sobre as contas públicas portuguesas.

 RANGEL 1 - 0 CAVACO
  
  
Mais claro é impossível. Não tarda muito enforcam o Rangel.

 KITTY DANCE


 BORN TO CREATE DRAMA


 

 ONTEM FUI À BOLA

«Ontem fui à bola mas esta crónica não é sobre bola. É um desdém sobre os únicos donos da única bola, os especialistas definitivos. Com que então, a entrada do FMI era evidente há meses? Ou, com que então, ainda hoje nos podemos passar do FMI? Lembro-me do especialista típico, o das lapelas largas que ocupa as noites de domingo da SIC Notícias, esse, dizer antes do Mundial que não tínhamos jogadores. Tínhamos Cristiano, Pepe, Nani e Ricardo Carvalho, efectivos nas melhores equipas do mundo, mas não é essa evidência que conta. O importante é que esse especialista não soube (nem nenhum) prever o Coentrão, uma pérola mundial. Daí que sobre a crise eu só oiça os especialistas com a timidez dos sábios: "Sobre o FMI, eu acho, mas não estou seguro, que talvez..." Os definitivos têm a sua agenda: o das lapelas protegia o seu amigo seleccionador, e os "pró-FMI já!" e os "pelo adiar do FMI" protegem os seus votos a 5 de Junho. Continuando a não falar de bola, detesto os que só vêem o argueiro no olho do outro. A biografia de Passos Coelho ser escrita por Felícia Cabrita vale a biografia de Sócrates ser apresentada por Dias Loureiro. Ambas baixezas, mas como não tenho nenhum por santo, não vejo essas circunstâncias das suas biografias como desilusão. Ontem, fui com olhos disponíveis para ver Hulk e Coentrão. Definitiva, só a minha opinião sobre os que queimam um autocarro portista e os que apedrejam dirigentes benfiquistas.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.

 VAMOS A VOTOS

«Em menos de dez dias, após a rejeição doméstica do pacote apresentado pelo Governo em Bruxelas, os juros da dívida subiram três pontos e meio, mais do que haviam subido nos três meses anteriores; algumas das grandes empresas públicas de transporte, deficitárias em todos os países, passaram a lixo; a banca nacional vê as fontes externas secarem; a reputação financeira da República baixa cinco escalões.
  
Impossível dissociar estes acontecimentos da coligação negativa, destrutiva e demagógica gerada e abençoada para demolir o governo na altura mais prejudicial ao País. A loucura continuou com revogações de reformas arduamente conseguidas, como a da avaliação dos professores.
  
Impossível igualmente dissociar a súbita crise, no seu súbito agravamento, da vertigem de contradições de que dá mostras a alternativa opositora. É a proposta de descida e de subida do IVA, a justificação da recusa do pacote por excessivo, com o argumento, para Wall Street, de que afinal seria insuficiente, a privatização "parcial" da Caixa, as pífias, incolores e inodoras "linhas de orientação para elaboração do programa eleitoral". Mesmo os prometidos estados gerais, até agora limitaram-se a um curto espectáculo de uma tarde, para mostrar sintonia com Belém, com homens do Presidente na primeira fila. Pouco, muito pouco e mau, como notaram os avaliadores que nos desgraduam. E como estão já os eleitores a notar, pelas primeiras sondagens após crise.
  
O ponto de encontro de oposições e alguns comentadores passou a ser o ataque ‘ad hominem' a José Sócrates. Desde "delinquente político, a "Drácula que culpa a vítima de lhe sugar o sangue", não há limites ao insulto. Cabeças outrora respeitáveis e agora desvairadas por ódio e intolerância usam linguagem política de contornos inaceitáveis. Fazem-se "apelos" ao PS para se libertar do seu líder, esquecendo que vivemos em democracia e que ela tem partidos, eleições e autonomia decisória.
  
A Pátria perde ânimo, por serem mais os que a puxam para trás que os que empurram para seguir caminho. A estrada perdeu sinais de trânsito e sobretudo o seu necessário regulador. Neste teatro, o contra-regra saiu do palco para a plateia.
  
E no entanto a Terra move-se, os dias sucedem-se. Sabemos como vai ser injusta, dura, incerta, quiçá improfícua a campanha. Alguns prefeririam homens providenciais, governos de salvações nacionais, coligações inviáveis, de súbito possíveis. Não é assim. Em democracia, cada voto conta e são os votos que vão contar, mesmo em difícil aritmética. Os dois meses que aí vêm não serão fáceis, seriam dispensáveis, mas tornaram-se necessários.» [DE]

Autor:

Correia de Campos.

 É O PETRÓLEO, ESTÚPIDO!

«Khadafi é um ditador abominável, dizem-nos as grandes potências ocidentais.

Os insurrectos armados são seres virtuosos, amantes da liberdade, dizem-nos as grandes potências ocidentais. Só derrubando o líder histórico se alcançará a democracia e o progresso na Líbia, dizem-nos as grandes potências ocidentais. Só uma intervenção militar estrangeira, a cargo das grandes potências ocidentais, garantirá a segurança das tribos e a paz, dizem-nos as grandes potências ocidentais. O que as grandes potências ocidentais não nos dizem é sobre as suas reais motivações. Petróleo é o nome do jogo.
 
Khadafi é um ditador? Sim, sem dúvida, tal como todos os dirigentes supremos do mundo árabe. Só Marrocos e o Líbano, por via de uma proximidade histórica e cultural mais acentuada com a Europa, exibem indicadores de autocracia algo abaixo do comum. No espectro mais largo do mundo muçulmano, o Irão, o Paquistão e a Indonésia não são exemplos que se recomendem. A Turquia, esperemos, poderá ser um caso à parte, se o legado de Ataturk não for desbaratado pela deriva fundamentalista.
  
Khadafi é exuberante e imprevisível? Sim. Na exuberância e noutras coisas não andará longe de Berlusconi, nos ziguezagues dos alinhamentos internacionais pós-guerra fria pede meças à generalidade dos líderes dos países ditos emergentes. Tem culpas em actos terroristas? Muito provavelmente. Condenável? Sem margem para dúvidas. Tanto quanto as grandes potências ocidentais pelas inúmeras atrocidades cometidas em nome de valores que só um juízo benevolente e dúbio poderá justificar. Não me esqueço do rebentamento do Rainbow Warrior perpetrado pelos serviços secretos franceses (em que um português perdeu a vida), para não falar dos actos de barbárie cometidos por tropas americanas em cenários bem recentes. Não me falem em supremacias morais, em valores inquestionáveis e coisas quejandas, uma atrocidade é uma atrocidade. Ponto final.
  
E a Líbia, é um "mau" país? No mundo árabe, não. Possui índices educacionais, de esperança de vida e de rendimento per capita acima da média. O fundamentalismo islâmico está contido, o grau de participação das mulheres na vida social é elevado, não se conhecem casos de decepação de membros por roubo nem de lapidação por adultério, ao contrário do que se passa nos países do Golfo, onde imperam os interesses petrolíferos das grandes potências ocidentais, sem ponta de recriminação quanto aos costumes e às práticas de justiça, bárbaras e medievais, que por lá se praticam. Na Península Arábica, onde as mulheres não têm sequer direito a carta de condução e a Al-Qaeda medra, as grandes potências ocidentais não vêem tiranos nem se preocupam com valores "civilizacionais".
  
Não, não é o déspota Khadafi, nem os alegados ataques dos seus exércitos sobre a população civil (não confundir com civis insurrectos armados, coisa bem diferente), que justificam os bombardeamentos de franceses e ingleses. O motivo é outro, bem mais prosaico.
  
Dias antes da intervenção militar das grandes potências ocidentais, Khadafi havia declarado que, face às ameaças externas, a Líbia se preparava para abrir concessões petrolíferas a russos e a chineses. É uma curiosa coincidência com as semanas que antecederam a infeliz intervenção militar norte-americana no Iraque. Sadam havia então declarado que as exportações iraquianas de crude iriam passar a ser denominadas em euros, em vez de dólares.
 
Dentro de meses, quando o ditador Khadafi já tiver sido deposto, a Irmandade Muçulmana tiver alcançado o poder no Egipto, a Itália a transbordar de exilados árabes (egípcios, líbios e tunisinos), a laicidade da Argélia de novo ameaçada pela FIS e os interesses das companhias petrolíferas ocidentais reforçados na região, veremos como os "mártires da liberdade" se comportam. Oxalá me engane.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Luís Nazaré.



 OUTRO A NÃO RESISTIR À TENTAÇÃO DO PODER

«Mariano Rajoy, que ecoou assim os comentários feitos no fim-de-semana por outros dirigentes do PP, considerou que as eleições antecipadas são essenciais para garantir "estabilidade, confiança e certeza" no momento económico atual.

  
Para Rajoy, que falava à Cadena Ser, seria "uma boa notícia" que se clarificasse a liderança do país e se "produzisse uma mudança política".» [DN]

Parecer:

Parece que o exemplo de Portugal não lhe serve de lição.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 MARCELO JÁ DIZ QUE ERA PREFERÍVEL NÃO HAVER ELEIÇÕES

«"As eleições são sempre respeitáveis em democracia, porque, em última análise, é o povo quem mais ordena e recorrer ao povo é sempre certo em termos teóricos. Neste momento, no meio da crise económica e financeira, era preferível não haver eleições", disse Marcelo no habitual comentário do Jornal Nacional.
  
O comentador político explica que o Presidente da República não tinha outra alternativa a não ser dissolver o Parlamento e convocar as eleições, uma vez que essa era a vontade de todos os partidos. "Não foi possível formar um Governo de coligação entre os partidos ou um Governo baseado num acordo entre partidos, porque todos os partidos da oposição disseram que não aceitavam coligações com o PS e queriam ir para eleições", explicou.» [DE]

Parecer:

Nem o professor Marcelo é insensível às sondagens.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Marcelo se já se esqueceu de quando defendeu que deveriam haver eleições depois de aprovado o PEC.»

 DIGO LEITE CAMPOS ESTÁ NOVAMENTE NA MODA

«Diogo Leite de Campos, vice-presidente do partido, adiantou ao “Diário de Notícias” que o PSD pretende acabar com o limite legal que permite aos trabalhadores recusarem a mobilidade sempre que o novo serviço esteja fora dos concelhos limítrofes. “Uma pessoa pode ir da Guarda para Trás-os-montes”, exemplifica o fiscalista.
  
Em contrapartida, caso o partido chegue ao poder, são prometidas ajudas à mudança de casa, à inscrição dos filhos na escola e garantias bancárias à compra de casa, diz o responsável.» [DE]

Parecer:

Neste PSD não se sabe muito bem quem manda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se costuma saber o que este vice-presidente vai dizer aos jornais.»

 PSD É A FAVOR DAS SCUT

«O líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, defendeu a necessidade de serem encontrados "critérios de discriminação positiva" para as regiões do Interior onde vão ser aplicadas portagens nas SCUT.
  
O líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, defendeu a necessidade de serem encontrados "critérios de discriminação positiva" para as regiões do Interior onde vão ser aplicadas portagens nas SCUT (autoestradas Sem Custos para o Utilizador).» [JN]

Parecer:

Aos poucos vamos conhecendo o programa do PSD, rigor lá fora e bandalheira cá dentro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se esta é a sua posição.»

 BE NA CDU?

«Numa nota de imprensa, o Bloco de Esquerda anuncia que convidou a direcção do PCP para uma reunião destinada a debater a “situação política e social”. É um dos primeiros passos para uma eventual aliança entre os dois partidos.
  
O encontro entre as cúpulas do Bloco e do PCP acontecerá na próxima sexta-feira, a partir das 11h00, na Assembleia da República.
   
Refira-se que a abertura dos bloquistas a uma eventual aliança com os comunistas, que o PÚBLICO avançou na passada semana, está expressa na moção de orientação cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã e que será apresentada na Convenção do partido, agendada para o início de Maio.» [Público]

Parecer:

É mais o que os une do que o que os divide.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «O Jerónimo que tenha cuidado com o Francisco.»
  


 OLIVIER GUETIN