sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O Carnaval da Santinha

O governo decidiu mais uma vez que os portugueses são demasiado gandulos e consumidores para que o país possa brincar ao Carnaval, ofendendo os sentimentos dos alemães, eu se sentiriam mal dispostos se nos andassem a dar de comer para depois irmos brincar em vez de trabalhar. Mas a generosidade do nosso primeiro-ministro não tem limites e em vez de uma festa de três dias deu-nos uma festa de semanas, tudo começou com o milagre económico anunciado pela Santinha da Rua da Horta Seca mal chegou ao seu altar e, desde então, o país tem vivido em festa.
 
Na agricultura multiplicam-se os fenómenos do Entroncamento e a Dona Cristas conseguiu que as nossas couves galegas dessem azeitonas e graças ao fenómeno a ministra do CDS conseguiu que Portugal fosse um grande exportador de azeite, de um dia para o outro. A Santinha da nossa devoção foi às estatísticas, calculou as percentagens e descobriu que graças à sua influência as exportações estavam crescendo desde 2010. O milagre foi de tal dimensão que um país à beira do segundo resgate tem agora dinheiro para contratar empréstimos para ter dinheiro em 2015 quando ainda nem sabe como vai pagar as despesas de 2014.
 
De um dia para o outro o país ficou devoto da Santinha da Horta Seca, já ninguém se lembra da nossa saudosa Santinha da Ladeira, até  já há quem pense em mudar a estátua do Camões para o Intendente, até porque o poeta sempre gostou de putas e ramboia, libertando o Chiado para uma catedral capaz de receber a romaria dos que se converteram à nova milagreira da Nação. O culto até já chegou a paragens longínquas, os milagres da Santa já tiveram destaque no Financial Times, gente protestante pouco dada a santinhas. Até o finlandês Olli parece discordar dos seus pares da Comissão e já veio em romaria falar do milagre.
 
Em vez do Carnaval pagão das bebedeiras e das orgias pagãs o país entrou nos eixos, seguiu o exemplo do administrador das cervejas que de despojou das riquezas e honrarias para andar por esse mundo fora anunciando o milagre que fez em Portugal. O seu empenho no anúncio da boa nova é tal que À pobre Santa não resta tempo para fazer mais nada.
 

Os portugueses sabem que daqui a vinte anos terão emprego, aqui a três décadas talvez se aposte na ciência, que as auto-estradas servirão para jogar às caricas, mas estão tão felizes que nem querem ouvir falar de carnavais, isso de marchas com as mãos encostadas ao cu do que vai à frente, enquanto o comboio apita é coisa para gente como o Marques Mendes ou o Seabra, o povo crente acredita na Santa e um dia destes vai em romaria a Massamá tal como os andaluzes vão à Virgem del Rocio.
  



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