segunda-feira, outubro 20, 2014

A geração BES, yuppies, o botox e a sucata liberal que nos governa

Se a história deste desgraçado país fosse um filme valia a pena rebobinar e ver o que diziam, faziam ou defendiam alguns dos manjericos que por aí andam. Recuemos, por exemplo, aos tempos de Cavaco Silva primeiro-ministro e procuremos nos seus discursos, nos seus programas de governo ou nas suas propostas eleitorais uma preocupação com a importância dos famosos “bens transaccionáveis” de que se lembrou quando precisou de dar coerência económica ao seu ataque ao governo de Sócrates.
  
Aliás, se a história pudesse ser rebobinada para ajudar a memória colectiva o percurso de Cavaco seria uma preciosa ajuda para percebermos o que se passa agora. Seria muito interessante ir rever a privatização do BPA ou os discursos em que apresentava a banca de sucesso como o exemplo da liberalização económicia por si defendida.
  
Mas deixemos de bater no “ceguinho”, o percurso político de Cavaco é de tal modo desastroso que bater em tal figurar já começa a meter algum dó. Pequemos antes num Vítor Gaspar que atingiu o pico de notoriedade quando escreveu um editorial para um livro com teses por provar assentes em erros. Seria interessante ver se nos seus escritos Vítor Gaspar alertou com a devida antecedência para a crise das dívidas soberanas.
  
Recuando dez ou quinze anos iríamos descobrir um Horta Hosório em boa forma jogando squash com um ainda jovial Belmiro de Azevedo, esquecido o problema das heranças o Belmiro era um caso de sucesso enquanto o Horta Osório era a prova de que qualquer jovem podia ter sucesso sem grandes doutoramentos, bastava estar no dia certo no lugar certo e tornar-se amigo da filha de um grande banqueiro.  O que um e o outro diziam era bebido avidamente pelos jovens tigres do liberalismo tuga. Hoje um está velho e outro tem aa cara com tantos inchaços que aprece ter sido insuflado com alguma mezinha da juventude.
  
Mais ou menos nessa época o Ricardo Salgado era dono disto tudo, todos os jornalistas económicos estavam disponíveis para o lamber dos pés à cabeça, ditos cujos incluídos. Era um tempo em que as grandes vedetas do liberalismo iam a Belém defender os centros de decisão tugas e todos se reuniam sob o patrocínio do dono num Compromisso Portugal. 
  
Hoje o Cavaco está em decadência acelerada, o Horta Osório apresenta sinais de velhice, do Mexia nem se fala, a geração BES está retirada, gorda e enriquecida. Deixaram a sucata liberal, com licenciaturas tiradas em universidades da treta, com um pensamento económico cheio de citações coladas a cuspo e uma ideologia onde se misturam, as ideias do Gaspar com o fundamentalismo cristão da sua avozinha de Manteigas.

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