sábado, outubro 25, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



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Espantalho na Comporta
  
 Jumento do dia
    
Rui Machete

Quando Rui Macehete se explica dizendo que tudo o que afirmou já tinha sido escrito na comunicação social teremos de concluir que o seu nível de inteligência não lhe permite distinguir entre o que se escreve num jornal e o valor de uma declaração de um ministro dos Negócios Estrangeiros ou então que o país tem um ministro cujo pensamento em matéria de Negócios Estrangeiros é um arrazoado de declarações tiradas de jornais.

«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, foi uma das primeiras pessoas a falar na reunião de quinta-feira do Conselho de Ministros para justificar as declarações que fizera em Nova Iorque a propósito dos jihadistas portugueses que querem regressar e que geraram polémica – incluindo uma manchete do DN que dava conta de mal-estar nos serviços de informações e de segurança.

Segundo relato feito ao Observador, o ministro disse que não divulgara qualquer informação de caráter sigiloso, na linha daquela que é a argumentação que usa esta sexta-feira, numa carta enviada ao DN e que o jornal publica. Machete alega que, na entrevista dada à RR a partir de Nova Iorque, menciona apenas dados que são do conhecimento geral da opinião pública através de notícias na comunicação social.

O ministro, nessa carta, diz claramente que “o número aproximado de portugueses que militam no ISIS foi o já referido publicamente e também divulgado por diversos jornais” e que “a referência à existência de famílias portuguesas que lamentam que os filhos tenham viajado para a Síria vem descrita em vários artigos recentes da imprensa nacional”. Machete acrescenta ainda não ter dado “qualquer pormenor que permita identificar pessoas concretas”. Segundo apurou o Observador, esta última questão é a mais delicada nas declarações do MNE – dizer-se que os portugueses jihadistas querem regressar pode pôr em causa a sua vida na organização onde ainda militam ou inviabilizar qualquer tentativa de fuga.» [Observador]

      
 Deixem-se de histerias
   
«As pessoas espantam-se com cada coisa. Agora é porque um tribunal superior diz que nas mulheres a atividade sexual serve sobretudo para a procriação, logo depois dos 50 e já tendo parido dois filhos não poder ter sexo não releva grande coisa para efeitos de indemnização por danos, e dá como assente que uma mulher deve cuidar do marido.

Isto no país e na semana em que, reagindo ao caso do homem que em Soure, Coimbra, matou a mulher e uma filha à facada e deixou outra filha ferida, um porta-voz da GNR disse ao DN: "É difícil perceber, ainda para mais quando se atacam os filhos. Pertence ao domínio da psicologia." Ora bem. Se o homem matasse só a mulher seria mais fácil perceber, até porque é o pão nosso de cada dia, a gente já não estranha (só até junho foram 24, uma por semana) - e, como daquele senhor tão engraçado chamado Palito que, estando com pulseira eletrónica por violência contra a ex-mulher foi de caçadeira para a matar e matou a ex-sogra e a irmã dela por se meterem à frente, diziam os populares (as populares, aliás) que o aplaudiram à porta do tribunal, "se fez aquilo alguma razão teria."

Aliás, como nos lembrou nesta mesma semana e neste mesmo país o presidente da Federação das Associações de Ciganos, contestando um projeto parlamentar de criminalização de casamentos forçados (de menores, portanto), o papel da mulher está muito bem definido e o resto são aberrações que podem levar os homens à loucura e o mundo à ruína: "A cigana é preparada para o casamento. As ciganas aprendem a lavar, a coser, a passar a ferro, a fazer tudo. Ao contrário da sociedade maioritária em que a maioria delas nem sabem fritar um ovo. Até se vê mulheres a conduzir um automóvel e os maridos a conduzir carrinhos de bebé. As nossas são 100% femininas, 100% donas de casa."

O mesmo país em que estas declarações passam sem uma única reação institucional de repúdio (fosse um muçulmano a debitá-las, ui), que é o mesmo país em que uma proposta de criminalizar o assédio sexual das mulheres na rua é acolhida com gozo - o argumento predileto é "só as feias não gostam" - e no qual a quebra da natalidade é invariavelmente imputada à "dificuldade de conciliar maternidade e trabalho", é também o mesmo em que uma loja pode apostar, como estratégia de marketing, num cartaz à porta a dizer "homens e cães podem entrar, mulheres não." Fosse "proibida a entrada a negros", "judeus" ou "ciganos", isso sim, era inaceitável, discriminatório, insultuoso. Mas é com mulheres, pá. Qual é o problema de discriminar e insultar as mulheres, que, toda a gente sabe, já não se podem queixar de falta de igualdade? Se calhar queriam valer mais do que os homens, ou ter um estatuto intocável, não? Um bocadinho de sentido de humor, vá. E digam lá se aquele acórdão, bem vistas as coisas, não é a nossa cara.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 O país da bandalhice
   
«“O Banco Espírito Santo e a Portugal Telecom eram classificados nas primeiras posições de vários ‘rankings’ de ‘corporate governance’ [gestão empresarial]. As regras formalmente estavam lá, mas não eram cumpridas”. É este o diagnóstico feito por Carlos Tavares dos acontecimentos que levaram ao colapso do Grupo Espírito Santo e aos problemas na Portugal Telecom. O presidente da CMVM nota que “nos EUA ninguém ousa mentir aos reguladores e supervisores”. “Aqui, infelizmente, as penas são ligeiras, se é que há algumas”, lamentou na quinta-feira, durante uma conferência organizada pelo Jornal de Negócios e pela corretora GoBulling, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa.

O presidente da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM) alertou que “os modelos podem ser perfeitos, mas não funcionam se as pessoas que os executam não forem as adequadas”, considerando que os gestores, sobretudo, das empresas cotadas em bolsa, têm que ter “ética” e “competência”. “O não cumprimento das regras tem que ser penalizado”, defendeu Carlos Tavares, acrescentando que é necessário “encontrar mecanismos que sejam dissuasores dos maus comportamentos”.» [Observador]
   
Parecer:

O que Carlos Tavares disse é que é mais perigoso investir na bolsa portuguesa do que ir para uma favela do Rio de Janeiro exibir um anel de diamantes, a probabilidade de ficar sem um dedo é maior se o meter no mercado português.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 "Vamos brincar aos pobrezinhos"
   
«O eco daquelas palavras ainda perdura. No verão do ano passado, numa reportagem do Expresso na Comporta, um membro da família Espírito Santo falou de um café onde, gracejou, iam "brincar aos pobrezinhos". A frase foi glosada, citada, criticada e irritou muitos membros da família, cujo nome estava a ser afetado por causa de uma frase disparatada de um membro sem qualquer relevo pessoal ou profissional na vida do grupo.

Nessa altura, a crise dentro do Grupo Espírito Santo não tinha ainda rebentado nos jornais, o que aconteceria em setembro, com a primeira notícia sobre os problemas financeiros na Espírito Santo International a ser publicada no Expresso, em setembro. Meses depois, a situação estava já descontrolada. Em abril deste ano, Ricardo Salgado já afirmava numa reunião do Conselho Superior: "Estamos quase pobres". A brincadeira acabara. 

A reunião é relatada na edição de hoje do jornal "i", que cita frases entre aspas dos intervenientes de um plano que visava salvar o Grupo Espírito Santo: Ricardo Salgado e José Honório, curiosamente antigo gestor de Pedro Queiroz Pereira, inimigo frontal de Salgado. Salgado quis José Honório a trabalhar consigo. E para isso precisou de convencer a família a contratá-lo - e pelo preço que o gestor exigia, que implicava um custo de 2,1 milhões de euros por ano.

"Estamos quase pobres, mas se é preciso investir em alguém com estas qualificações é este tipo e não é outro. Não conheço outro em Portugal", afirmou Ricardo Salgado, para persuadir a sua família na contratação de José Honório, que classifica nessa reunião de início de abril como um "tipo brilhantíssimo", segundo cita o "i" desta sexta-feira. » [Expresso]
   
Parecer:

Uma família com sentido de humor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ela acredita!
   
«Maria Luís Albuquerque foi a primeira oradora nas terceiras jornadas parlamentares conjuntas do PSD e CDS-PP, que esta manhã começaram em Lisboa, na Sala dob Senado da Assembleia da República. Segundo a ministra das Finanças, "as bases para o crescimento estão construídas, o que permite olhar para o futuro com mais esperança".

As exigências orçamentais impostas ao país nos últimos anos vão agora ser reduzidas, permitindo um aumento de esperança e de melhoria nas condições de vida e de trabalho de muitas famílias, garantiu a ministra.

Confiante numa recuperação da actividade económica, Maria Luís Albuquerque acredita que "com o aumento do salário mínimo e com o aumento do rendimento de muitos pensionistas", as famílias vão poder finalmente ver o seu poder de compra crescer.» [Expresso]
   
Parecer:

Esta rapariga é uma crente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Jornadas parlamentares: não se fala da "culigação"
   
«As jornadas parlamentares conjuntas entre PSD e CDS, que decorrem entre sexta-feira e sábado, terão um tema sobre o qual não se falará: a coligação. O pedido foi feito pelo líder do Governo. Passos Coelho não quer pôr já na agenda pública o tema e censurou este ponto da lista de pontos em debate, escreve o Diário de Notícias.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não se fala de nada que possa incomodar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Portas se vai ou não "culigar-se" a Passos.»

 Não, era remediado!
   
«Pedro Passos Coelho está de visita ao Luxemburgo. O programa desta quinta-feira teve na agenda uma visita a uma escola onde a maioria dos alunos é portuguesa. Uma menina surpreendeu o primeiro-ministro e Nuno Crato: “O Passos Coelho também era pobre quando era pequeno?”

A pergunta foi feita a Nuno Crato por uma menina que não teria mais de seis, sete anos. O ministro da Educação, embaraçado e trocando olhares com o primeiro-ministro, respondeu: "Passos Coelho é o primeiro-ministro. Acho que não, acho que não. Não era rico. Que eu saiba não era rico, mas pobre, pobre não era."» [Público]
   
Parecer:

Não era pobre mas era esperto, como se viu depois na Tecnoforma.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Falam, falam, mas não dão a cara
   
«As garantias dadas esta quinta-feira por António Costas ao PÚBLICO relativamente à pluralidade nos órgãos nacionais do PS poderão ter travado uma eventual candidatura alternativa à do futuro secretário-geral. Mas fontes afectas a António José Seguro dizem que há pessoas disponíveis, mas para já ninguém quer dar a cara. Os apoiantes do ex-secretário-geral dizem que só decidem se desistem de uma candidatura própria a 6 de Novembro, dia quem que António Costa apresentará a moção ao Congresso de Lisboa.

Mas o agitar de uma eventual candidatura alternativa a Costa não tem apenas a ver com a questão da pluralidade nos órgãos nacionais, vai para além disso. Seguro saiu de cena, mas os seus apoiantes estão activos e temem “o caminho da esquerdização” - é assim que o classificam -, que António Costa está a tomar ao chamar para a liderança do grupo parlamentar Ferro Rodrigues e ao entregar a vice-presidência da bancada a Vieira da Silva. Alguns deles lembravam, de resto, que quem assinou o memorado com a troika foi o PS e que alguns daqueles que defendiam que a dívida devia ser suspensa estão com Costa, numa alusão ao deputado Pedro Nuno Santos que, num jantar de Natal do PS, disse que se estava a “marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou”.

“Com esta gente fica-se com a ideia de uma certa esquerdização no PS e isso é preocupante. Isto é o regresso ao passado e o futuro do país não passa pelo passado”, disse ao PÚBLICO  um apoiante de Seguro nas primárias. A mesma fonte, que pediu para não ser identificada, lembra que o PS quando ganhou eleições foi ao centro e não à esquerda, e adverte que as legislativas de 2015 não estão ganhas. Marinho e Pinto, que lidera o Partido Democrático Republicano, e Rui Tavares, do Livre, vão tirar muitos votos ao PS, acreditam apoiantes de Seguro.» [Público]
   
Parecer:

Porque será que os apoiantes de Seguro não dão a cara pelas suas ideias?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Cobardolas!»
 Macedo irritado com o Cota das Necessidades
   
«Miguel Macedo tem fama de ser um político ponderado na gestão da sensível pasta que tutela, a Administração Interna. Nada o incomoda mais do que holofotes virados para questões operacionais de segurança nacional. Por isso, fontes próximas do ministro garantiram ao DN que o calmo Macedo não terá conseguido esconder a sua "irritação" quando ouviu o colega, ministro dos Negócios Estrangeiros, falar publicamente daquele que é a mais tabu das suas pastas, o terrorismo.» [DN]
   
Parecer:

O homem tem toda a razão, é preciso ter muita paciência para aturar o cota do ministério dos Negócios Estrangeiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao cota porque não retira da política.»
  
 Obrigadinho ó Santinha
   
«O ministro da Economia, António Pires de Lima, referiu-se hoje a uma série de "tentações" a que o Governo resistiu, como o aumento do IVA em 2015, das taxas aeroportuárias e das taxas de dormidas.

"Resistimos em Conselho de Ministros à tentação de aumentar o IVA em 2015", afirmou Pires de Lima numa intervenção nas jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP, que decorem hoje e sábado na Assembleia da República.» [i]
   
Parecer:

Para a Santinha da Horta Seca os portugueses devem estar gratos ao governo pelo que de bom faz, mas também e sobretudo pelo que de mau não faz.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor que regresse às Super Bocks.»
  

   
   
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