segunda-feira, outubro 27, 2014

Começou a tremedeira

Passos Coelho foi o líder político que mais foi ajudado pela comunicação social a chegar ao poder, a ajuda dos grandes grupos da comunicação social foi determinante para a transformação de um político inapto num primeiro-ministro e não admira que logo após ter ganho as eleições e ainda antes de tomar posse já era visitado na São Caetano à Lapa pelos donos da Cofina e da Ongoing. Jornais como o DN, o DN, o i ou o Sol estiveram ao seu serviço durante anos, o mesmo sucedendo com as televisões.
  
Dezenas de jornalistas eram jornalistas de oposição durante um dia e à noite alimentavam a blogosfera de apoio a Passos Coelho e quando a direita assumiu o poder muitos destes jornalistas forma para os gabinetes governamentais, muito bloggers foram também agraciados com cargos governamentais em sinal de reconhecimento pelo apoio dado. 
  
Tudo o que agora foi publicado sobre a Tecnoforma era do conhecimento de muita gente mas durante anos tudo foi calado. Alguns jornalistas, o Camilo Lourenço e o director do DE são dois bons exemplos, chamaram a si o papel de jihadistas deste novo califado do liberalismo que tinha como líder espiritual um Vítor Gaspar que entretanto deu à sola. 
  
Mas o lançamento da candidatura de António Costa alterou tudo, Marcelo voltou a sonhar com uma candidatura presidencial pois é pouco provável que Passos Coelho ainda seja líder do PSD no momento da escolha do candidato da direita, Marques Mendes começou a ser um pouco crítico, os jornalistas começaram a contar o que dantes calavam. Portugal é um país de cobardes e de vira casacas e mal se percebeu que os dias de Passos estavam contados formaram-se filas à porta dos alfaiates.
  
O mesmo Passos Coelho que assegura que as eleições não serão antecipadas multiplica-se em avisos aos que querem mudar, agora faz ameaças veladas aos que possam estar a pensar em desertar, avisa que vai ficar por aqui, isto é, que ainda vai ser primeiro-ministro durante mais de um ano e mesmo que perca as eleições não vai querer abandonar a liderança do PSD. Isto é, durante mais um ano será ele a mandar no país e nas e a distribuir as benesses do poder e durante pelo menos dois anos será líder do PSD, até porque com um PSD nos vinte e poucos porcento serão poucos os candidatos à liderança. 
  
Não é difícil de adivinhar que tal como sucedeu no passado o PSD vai imitar no PS e adoptar as directas para a escolha do candidato a primeiro-ministro, desvalorizando a importância do líder do parido. Isso significa que durante muitos meses ninguém se vai oferecer para derrubar Passos Coelho.
  
Passos Coelho já não esconde a tremedeira e se dantes o governo e as suas dezenas de assessores de imprensa geriam as relações com a comunicação social, agora provam o sabor da cobardia nacional. Os directores dos jornais viram-lhe as costas, os jornais da Cofina fazem primárias páginas com notícias sobre a Tecnoforma, o director do DE desmonta o OE e até os blogues ligados à direita já foram mais viçosos, começam a dar sinais de definhamento. Acabou a festa pá!, começou a tremedeira.
  
Como diria o pequeno Marco António ainda não se sabe quando Passos Coelho vai cair, mas já é mais do que certo de que vai cair.

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