sexta-feira, outubro 10, 2014

Uma sharia da Opus Dei na fiscalidade?

Aquilo que se está a passar com a suposta reforma do IRS é um espectáculo que começa a ser ridículo, o governo porta-se de forma infantil num domínio que merece ser tratado com seriedade.
  
Para eliminar benefícios fiscais ou para decidir um aumento brutal do IRS o PSD e o CDS não precisaram de ouvir os sábios da direita nem de sequer de pensar muito tempo, tudo foi decidido em horas. O aumento brutal do IRS foi decidido de uma forma que lembra o velhinho anúncio da bagaceira Aldeia Nova, “Ai não tem Aldeia Nova? Então dê-me um pastel de bacalhau”. Vítor Gaspar dizia que queria criar emprego e decidiu reduzir a TSU dos patrões à custa de um aumento da TSU dos trabalhadores, como o país se opôs decidiu num dia que aumentaria o IRS.
  
Há meses que a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais usa a reforma do IRS para gerir a estratégia pessoal de comunicação do seu responsável, nem mesmo a vitória de Costa nas directas se escapou a esta estratégia manhosa, no dia seguinte a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais tentou desvalorizar o impacto da vitória de António Costa lançando na comunicação social o esquema da inclusão no IRS das famílias dos velhinhos com reformas miseráveis.
  
Sempre que o secretário de Estado, uma espécie de ministro das Finanças do mini-governo do CDS, precisa de reanimar a sua imagem na comunicação social convida mais uma personalidade ou associação para discutir a reforma, como sucedeu, com o sempre útil Daniel Bessa. EM alternativa, levanta um pouco o véu da reforma e dá a conhecer mais uma medida.

Foi o que sucedeu com a ideia peregrina dos velhinhos, uma medida cujo impacto financeiro é bem menor do que os benefícios da propaganda, para conseguir os mesmos resultados na gestão da imagem o governo teria de gastar muito mais do que o montante que vai perder em receitas. Esta medida não tem qualquer impacto financeiro e traduz-se numa redução da carga fiscal de quase 0%, mas durante um ou dois dias a medida foi vedeta na comunicação social.
  
No caso dos incentivos à natalidade assiste-se a um comportamento do CDS que roça o miserável, o Lambretas cortou em todos os apoios sociais, aumentou o número de crianças nas turmas dos infantários para pobres, cortaram brutalmente nos abonos de família, fez todos os possíveis para aligeiras a despesa do Estado aliviando todos os custos do combate à pobreza. Agora dizem que querem incentivar a natalidade com benefícios fiscais que numa família de parcos recursos mal dá para comprar preservativos que impeçam o aumento da miséria.
  
Este benefício devia ser designa por benefício opus família pois os grandes beneficiários são as famílias numerosas por opção religiosa, isto é as boas famílias da Opus Dei. Já beneficiam de facilidades no emprego pois os senhores da Opus Dei favorecem os seus (lembran-se do BCP do Jardim Gonçalves), tem descontos nos colégios da Opus Dei e agora ainda beneficiam no IRS.
  
No meio disto tudo em vez de os problemas serem discutidos no parlamento fica-se com a imnpressão de que não É na AR que está a oposição, é dentro do próprio governo, com o coordenador Portas a falar de redução do IRS e o seu ministro das Finanças privativo a prometer aumentos de receitas, ao mesmo tempo que a coordenada Maria Luís diz o contrário. Só não se entende a razão porque Cavaco não vai promover a sua cultura de compromisso dentro do seu governo.
  
por aquilo que se vai ouvindo a reforma do IRS corresponde a uma opção ideológica de raíz religiosa, é como se no domínio fiscal passasse a vigorar uma espécie de sharia cristã conduzida pela Opus Dei.

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