quinta-feira, outubro 02, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva 

Há alturas que nem a um presidente convém aparecer em público não vá ser contagiado pelo ébola que contamina a vida política portuguesa. A justiça desmorona-se, o Crato faz asneiras atrás de asneiras, o grilo falante da Troika foi para Bruxelas armado em anti-troika, o salário mínimo é aumentado por um ano após o qual pode voltar a descer, o maior partido da oposição muda de liderança, mas Cavaco está tão desaparecido como quase todo o governo.

Compreende-se a ausência, não aparecendo não tem de falar, não tem de se pronunciar sobre situações incómodas, não tem de responder a perguntas difíceis, não será chamado a pronunciar-se sobre a implosão dos tribunais, não ouvirá falar do BES. É para isto que servem os presidentes, para fugirem quando fazem falta.

 O Benfica é o Mija na Escada?

Só um treinador de um Mija na Escada vai jogar na Liga dos Campeões e está muito preocupado com o próximo jogo com o Arouca.

 Gozar com os pobres, com o país e com a inteligência

O governo aumentou o salário mínimo a título temporário e só até ao fim do ano eleitoral. Foi isto que o bardamerda da UGT aceitou para participar na encenação vergonhosa da concertação social. Agora já só falta vir o Cavaco elogiar a paz social do país com o mesmo ar com que declarou mais um inocente.
   
 Seguristas exemplares

Os mesmos que difamaram Costa insinuando os negócios dão agora o rabinho e cinco tostões para não serem esquecidos por António Costa na hora de o PS chegar ao poder. Uma vergonha.

 Governo cobarde

Maduro, Paula, Paulo Macedo, Pires de Lima, Paulo Portas, Assunção Cristas, são apenas alguns dos nomes dos governantes que andam mais desaparecidos do que durante as férias de Agosto, nomes a que não podemos deixar de acrescentar o do próprio Cavaco Silva que desde que foi de férias só apareceu para ilibar Passos Coelho.

O desastre na justiça, a confusão nas escolas, as dúvidas sobre se Passos era mesmo remediado são alguns dos factos que levam alguns ministros a desaparecerem, como se o país estivesse a sofrer uma epidemia de ébola e os nossos governantes quisessem evitar o contágio. Aparecem o menos possível em público e a não ser o ministro da Administração Interna que parece ser o único com alguma credibilidade e o Aguiar-branco que costuma arranjar uns brinquedos telecomandados para distrair o pessoal, todos os outros evitam aparecer em público e quando o fazem evitam fazêlo ao lado de peçonhas como o primeiro-ministro, ou os incompetentes da Justiça e da Educação.

      
 A impunidade dos Espírito Santo
   
«Depois de darmos a história que publicamos aqui ao lado como confirmada, só me ocorreu uma palavra: “ganância”. Não é só de Ricardo Salgado, mas sim de praticamente toda uma família de banqueiros. São todos os ramos que se fazem representar no Conselho Superior do Grupo Espírito Santo. Todos terão recebido uma comissão de um milhão de euros pelo negócio de compra dos submarinos por parte do Estado português.

O trabalho de Sílvia Caneco demonstra que a família Espírito Santo não pára de nos surpreender – a nós, os os comuns mortais. Já tínhamos assistido a uma guerra familiar em plena praça pública, à derrocada do banco da família e à falência de sociedades fundamentais do Grupo Espírito Santo (GES). Mas ainda não sabíamos que a família Espírito Santo tinha recebido alegadas “comissões” do negócio dos submarinos. E muito menos que discute de forma aberta, e em reuniões de um órgão institucional do grupo, o alegado pagamento de “comissões” que empresas do GES alegadamente fizeram aos administradores da casa mãe. São 5 milhões de euros que Ricardo Salgado, então presidente executivo do BES, confirmou várias vezes naquele dia 7 de Novembro de 2013 que foram pagos aos cinco ramos da família Espírito Santo, liderados por Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo (ao qual pertence Ricardo Abecassis), Moniz Galvão (representado por Manuel Fernando Espírito Santo), comandante António Ricciardi e Pedro Mosqueira do Amaral.

A primeira pergunta é simples: porquê? A que título estes banqueiros têm direito a receber uma comissão por um negócio do qual uma empresa do seu grupo foi consultora? A que propósito é criada uma rede obscura de circulação de dinheiro para pagar 5 milhões de euros aos ramos da família Espírito Santo? E qual a necessidade de uma “comissão” sobre um negócio com o Estado português com os dividendos e os salários principescos que receberam anualmente do GES e do BES? Que necessidade tinham? Uma coisa é certa: as comissões que foram pagas pela Escom muito dificilmente terão justificação legal. Trata-se de receitas que constituem património da Escom e que não podem ser utilizadas desta forma. Ajustiça ditará. O Departamento Central de Investigação e Acção Penal tem aqui mais uma excelente oportunidade e um desafio para desenvolver as investigações ao BEsgate.

Ricardo Salgado já tinha dado provas do seu relativismo moral com a história da prenda dos 14 milhões de euros que recebeu do seu cliente José Guilherme. Tentou desvalorizar o óbvio: o presidente executivo de um banco não pode receber prendas ou promover consultorias a clientes. Com o trabalho de investigação que o i hoje revela também se comprova que Ricardo Salgado geriu a família ao longo dos últimos 30 anos com mão de ferro e com base na regra “não sabe, não pergunte”, ao mesmo que tempo que adoçicava a boca dos restantes familiares com generosos pagamentos de dividendos a cada ramo ou de alegadas “comissões”, como a dos submarinos, divididas por todos. O facto de assuntos como as “comissões” dos submarinos serem discutidos e aprovados pelo Conselho Superior do GES revela igualmente que afinal a estratégia de Ricardo Salgado pode ter fundamento. Afinal todos sabiam o que Salgado fazia?» [i]

      
 Banqueiros ou mafia siciliana
   
«Os cinco clãs da família Espírito Santo que tinham representação no Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES) receberam, em 2004, cinco dos cerca de 30 milhões de euros que foram pagos à Escom por serviços de consultoria na venda de dois submarinos a Portugal — precisamente pelo consórcio alemão que ganhou a adjudicação nesse ano.

De acordo com o jornal i, foi a 7 de novembro de 2013, durante a reunião do Conselho Superior onde José Maria Ricciardi contestou abertamente a liderança de Ricardo Salgado. Foi nessa reunião que Salgado fez uma confissão relacionada com o negócio da compra dos submarinos. “Deram-nos cinco a nós e eles [os administradores da Escom] guardaram 15″, respondeu, quando questionado por um dos membros sobre como tinha sido “esse assunto do recebimento da comissão da Escom”. Nenhum dos membros do antigo Conselho Superior contactados pelo i quis prestar declarações.

A reconstituição da reunião feita pelo i mostra que a questão dos pagamentos só veio à tona porque Ricardo Salgado terá exigido a Manuel Fernando Espírito Santo, representante do ramo Moniz Galvão, a assinatura numa carta que, por sua vez, tivesse as assinaturas dos representantes da família que tinham direito de voto no Conselho Superior do GES. Para Ricardo Salgado era “fundamental” a existência de uma carta com a “assinatura dos cinco”, porque quando o processo judicial fosse arquivado, ele seria “tornado público”.

“Se não assinas a carta, assumes a responsabilidade de te estares a afastar da coesão dos fundadores”, terá dito Salgado, explicando que a carta pretendia ser “um ato de gestão que institucionalizasse a decisão” tomada na altura da compra dos submarinos. Perante a insistência de Salgado, Manuel Fernando acabou por assinar a carta. “Eu assumo a responsabilidade”.

A transferência dos cinco milhões de euros foi feita, em parcelas iguais, através da Escom, empresa do grupo GES, para as contas pessoais de cada um dos representantes da família na Suíça e noutros países estrangeiros. O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) detetou essas transferências para a Suíça e solicitou a quebra do sigilo bancário de modo a aceder à identidade das pessoas que receberam a transferência. Ricardo Salgado e os restantes membros da família já tinham essa informação, daí a importância da existência de uma carta que tornasse legítimos os valores pagos pela Escom.» [Observador]
   
Parecer:

A divina família tem mais semelhanças com as famílias de mafiosos sicilianos do que com uma família de banqueiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 A "Commissione" dos Espírito Santo
   
«A decisão foi tomada depois de o Estado sair do capital do banco e de Ricardo Salgado se ter tornado, aos 47 anos, o mais jovem membro da família a assumir o cargo de presidente executivo do BES. Os Espírito Santo queriam promover o diálogo e que todas as decisões importantes relacionadas com o grupo fossem tomadas por consenso e sob um manto de confidencialidade. Foi com esses objectivos que, em 1991, criaram o Conselho Superior do GES e, em Junho de 1993, o regulamentaram.

“O Conselho Superior tem por missão zelar, de forma permanente, pela preservação e realização dos interesses do Grupo Espírito Santo e das actividades das sociedades que o compõem”, diz o regulamento do Conselho Superior assinado em Maio de 2011, e a que o i teve acesso. O decano do clã, António Ricciardi, apresentou-o assim: “O órgão com a missão de colegialmente decidir superiormente em relação a qualquer actividade do grupo.” Salgado elogiou a capacidade de diálogo que o órgão promovia: “O grupo discute até à exaustão e só quando todos estão de acordo a decisão é tomada.”

No órgão de cúpula da família estavam representados cinco clãs. Todos eles com o mesmo poder de voto e todos eles accionistas da Espírito Santo Control, a sociedade-mãe do conjunto de empresas que formam o Grupo Espírito Santo. Mário Mosqueira do Amaral era o único que não pertencia à família, mas era tratado como se pertencesse. António Ricciardi, pai de José Maria Ricciardi, presidia ao Conselho. Além dele e de Mosqueira do Amaral, o grupo era constituído por Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo Silva e Manuel Fernando Espírito Santo, representante de Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo. A estrutura viria a crescer em 2012, quando os cinco ramos da família decidiram abrir o órgão a novos elementos. Cada um podia designar até dois representantes.» [i]
   
Parecer:

Tucco como na mafia sicialiana, até tinham a sua commissione
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

 A incompetente contra-ataca 
   
«O Ministério da Justiça garantiu esta terça-feira que prepara um projeto legislativo de forma suspender os prazos judiciais já que o sistema informático da Justiça está bloqueado há um mês.
  
Este anúncio foi feito dias depois de o Conselho Superior da Magistratura e do Ministério Público terem feito este um apelo - em forma de deliberação nas respetivas sessões plenárias - à ministra da Justiça.
  
Num comunicado enviado às redações, o Ministério da Justiça garante, na comarca dos Açores, o Citius já está a funcionar em pleno. Em jeito de balanço, o gabinete de Paula Teixeira da Cruz defende que foi dado início o processo de levantamento das comarcas. "A comarca dos Açores foi a primeira a ficar disponível para tratamento informático de todos os processos. Seguir-se-á o levantamento das restantes 22 comarcas, isoladamente ou em grupos, em função da sua dimensão", diz a nota.» [DN]
   
Parecer:

A maluquinha chegou a informar que os problemas do Citius estariam resolvidos antes do fim da manhã no dia em que a bandalhice judiciária entrou em vigor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se a incompetente.»
  
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