sábado, outubro 25, 2014

As eleições que não interessam a ninguém

O único político que até agora propôs a realização de eleições antecipadas foi Cavaco Silva, em tempos o ainda presidente achou que podia “comprar” o apoio de Seguro a Passos Coelho em troca de umas eleições antecipadas que conduziriam a um governo de aliança entre Seguro e Passos, tutelado por Belém. Naquele tempo Passos Coelho não questionava a constitucionalidade da solução.
 
É muito pouco provável que Cavaco esteja interessado em realizar agora essas elições e é bem provável que se esqueça dos negócios manhosos que propôs no o passado e se esconda atrás dos princípios constitucionais. O pesadelo de Cavaco é ter de vir a dar posse ao governo que ajudou a derrubar, terminando o seu mandato e a sua carreira política de forma humilhante. Resta a Cavaco a esperança de que haja algo que ajude Passos a ganhar as próximas eleições.
 
Paulo Porta luta por todos os meios contra a extinção do CDS e o fim da sua carreira, usa a política fiscal para gerir a sua imagem com o apoio do Núncio Fiscólico e faz os negócios que ainda pode fazer através da pasta da Economia. Para Portas umas eleições antecipadas poderiam ser o seu fim, uma provável maioria absoluta do PS deixá-lo-ia exposto e limitado aos rendimentos e imunidade parlamentar de um modesto deputado.
 
Mesmo depois do reconhecimento dos erros seguido de fuga por Gaspar, o autor da política económica pinochetista de Passos Coelho o ainda primeiro-ministro sonha que um dia ocorrerá mesmo um milagre económico. Sabendo que corre o risco de ver o seu partido reduzido à representatividade eleitoral dos seus liberais de extrema-direita, Passos foge para a frente na esperança de poder vir a mostrar resultados usando o OE2016 como o programa eleitoral nas legislativas.
 
Seria um erro trágico para o PS se chegasse ao poder por eleições antecipadas, assumindo as consequências de uma política de que não foi autor ao mesmo tempo que Passos diria que os resultados não aareceram graças às alterações de política entretanto introduzidas. É do interesse do PS e de todo o país que este ciclo político se concretize para que a direita assuma os resultados do que fez.
 

É do interesse de todos que não ocorram eleições antecipadas.

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