domingo, outubro 12, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



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Flores do Jardim Gulbenkian, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Pires de Lima, ministro que nada fez desde que tomou posse

A direita à beira de se afogar agarra-se à PT para desviar a atenção das suas responsabilidades e agora todas as culpas são anteriores aos acontecimentos, são de Sócrates. Só que um dos mais inúteis ministros deste governo vai mais longe e recorre a um "segundo se sabe" para lançar acusações. É o desespero de quem durante mais de um ano andou armado em Santinha da Horta Seca, um sucedâneo da famosa Santinha da ladeira, aproximando-se do fim do mandato com uma imagem de inutilidade.

O problema é que segundo se sabe pode levar a que fiquemos a saber muitas coisas. Por exemplo, segundo se sabe alguém recebeu pelo menos um milhão de euros da Escom e segundo se sabe num julgamento na Alemanha ficou provado o pagamento de luvas no negócio. Será que o beneficiário daquilo que se sabe e segundo se sabe será o tal? Como a Santinha da Horta Sé um finório bem informado talvez nos possa ajudar também neste capítulo.

«“O momento fatal para a PT foi o Governo de José Sócrates só ter acedido à venda da Vivo pela compra, a um preço exorbitante, da Oi, que era uma empresa de terceira classe. Esse movimento destruiu muito valor e, segundo se sabe, foi uma exigência direta de Sócrates”. É assim que Pires de Lima vê a atual crise da PT Portugal, que esta semana viu a Oi a admitir a sua venda e acabou por receber uma delegação dos franceses da Altice, que mostram pressa em fazer uma oferta.

Sobre esta parte do processo, o ministro diz que o Governo nada fará: “As perspetivas que a PT possa ter pela frente não terão comparação com as que existiam antes, mas compete aos acionistas escolherem o caminho. Eu não sou um governante socialista que vá dar palpites à PT sobre o que deve fazer, como no passado acontece com José Sócrates“, diz Pires de Lima em declarações ao Expresso.

Sem grandes expectativas sobre uma solução perfeita, e parecendo pouco convencido com a proposta francesa, Pires de Lima volta a carregar sobre o último Governo socialista, quando este, através da golden share, travou a OPA da Soane sobre a empresa de telecomunicações: “É chocante que há uns anos se tenha questionado tanto a possibilidade de a PT ser comprada pelo grupo Soane, que fez uma OPA valorizando a empresa em 10 mil milhões, ou até ser integrada na Telefónica, para hoje vermos a PT terminar a ser alvo de empresas internacionais com projetos que não têm comparação com aqueles que se prefiguravam há uns anos”. » [Observador]

      
 Um plano demasiado inclinado
   
«Depois do famoso pedido de desculpas - seguido de várias promessas -, o ministro da Educação veio agora dizer que não prometeu aos professores a manutenção do lugar.

Depois do famoso pedido de desculpas - seguido de várias promessas -, o ministro da Educação veio agora dizer que não prometeu aos professores a manutenção do lugar. "Disse 'mantêm-se'. Não disse 'manter-se-ão'". O Governo entrou na fase "não leram as letras pequeninas" - é muito comum acontecer quando fazemos negócio com gente sem escrúpulos. Perante as justificações do exigente Crato, penso que é possível os alunos usarem os mesmos estratagemas semânticos quando responderem nos exames: "Eu disse que Fernando Pessoa tinha, pelo menos, um heterónimo".

Depois de ter errado na fórmula matemática de colocação dos professores, Crato começa, também, a tropeçar no português. Na sua aparição na televisão, Crato disse que vinha "esclarificar" a situação... Esclarificar é uma mistura de esclarecer com clarificar, que dá uma substância esponjosa, e pouco consistente, como se viu pelas justificações do ministro. Posso garantir que não fiquei nada esclarificado. Aliás, fiquei envergurioso: que fica ali entre o envergonhado e o furioso. As desculpas do ministro dão vergonha alheia e enfurecem porque são feitas como se aquelas pessoas e famílias (que tinham começado uma vida nova, há três semanas, e agora viram todos os seus planos destruídos) fossem mesas de escola ou estojos de química. "Vão lá buscar a família Saraiva a Beja, que afinal eles eram para ir para o depósito em Cinfães."

O ministro foi à Assembleia da República pedir desculpa ao País e dar a sua palavra que os professores não teriam qualquer espécie de prejuízo. Agora diz "os prejudicados serão indemnizados". Se ninguém é prejudicado, como é que há prejudicados que serão indemnizados? Mais depressa se apanha um mentiroso que um semântico.

As aulas já vão a meio do primeiro período e continua a não haver professores. O matemático Crato diz que são só 180 professores que são afectados, mas esquece-se de fazer as contas: como as turmas têm pelo menos 30 alunos, estamos a falar de mais de cinco mil crianças. Diz o estouvado: "Vão 800 professores a caminho das escolas... espera, afinal, não. É só uma manif de professores que vai para a 5 de Outubro". Agora, Crato promete ver a situação dos professores "prejudicados" no futuro. Está a pensar colocar vinte professores de Matemática em Marte, lá para 2085.

Quem devia pedir a demissão de Crato eram os mesmos que dentro do Governo quiseram a demissão de Relvas. Na verdade, mais vale tirar o curso como tirou o Relvas do que apanhar um professor desonesto como o Crato. Nada como acabar com mitos de honestidade e competência. Não estou a falar do Zeinal, mas do Crato. Faltava pôr o Medina nas finanças (outra vez).

Para terminar a fantochada, Passos goza com a vida das pessoas e diz que Crato vai voltar à universidade, mas não já. Provavelmente, para uma privada, que é para eles que ele tem trabalhado. Passos brinca com o assunto e ri-se, juntamente com o valente Crato.

A galhofa do ministro deriva do facto de ele não ter os filhos a estudar em Portugal. O PM brinca porque, como é sabido, a maioria dos jotinhas raramente ia às aulas.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

João Quadros.

 Abjecção
   
«Só por ilusão a proposta para a criação de uma base de dados de “pedófilos” tem a ver com um estado de direito. Remete para medos mais do que para riscos, e defronta mal os riscos.

A proposta da Ministra da Justiça para a criação de uma base de dados de “pedófilos” (depois explico porque coloquei aspas), a que possam ter acesso pais de crianças, ainda que com obrigação de manter o sigilo, de modo a saber se entre os seus vizinhos há alguém que tenha sido condenado por pedofilia, é, do meu ponto de vista, abjecta.

Escolhi deliberadamente esta palavra forte, porque a proposta  ofende normas escritas e não escritas do que é (ou deve ser) o funcionamento de uma sociedade que desejamos civilizada. Terei que repetir a litania óbvia, que o que digo não significa menorizar o crime da pedofilia, nem “proteger” os agressores (que neste caso já cumpriram pena), nem deixar a preocupação com a protecção das crianças e dos menores dos seus abusadores, o que não é a mesma coisa. Custa-me ter que estar a repetir este óbvio, mas seja. Pode ser que assim fique claro que este artigo não é tanto sobre a pedofilia, como sobre o funcionamento de uma sociedade civilizada. Nem, em bom rigor, é sobre os “direitos” dos pedófilos, como não é sobre os “direitos” dos assassinos, embora numa sociedade civilizada quer uns quer outros tenham direitos.

Escrevi pedofilia entre aspas porque a palavra é das mais ambíguas que por aí correm, mais sujeita a simplificações, deturpações e ignorâncias. Estamos perante realidades muito diferentes entre si, umas de claro carácter patológico, outras da ordem das perversões sexuais, outras criminosas, e outras dependentes de factores sociais e culturais. Outras ainda, indevidamente classificadas na pedofilia, que na percepção popular inclui o abuso de menores, como se fosse a mesma coisa. Outras, por fim, mais complexas, como a percentagem, mais alta do que se imagina, de pessoas com uma vida sexual normal e que nunca cometem qualquer crime, mas que também se sentem excitados com imagens de crianças. É caso de alguns consumidores de pornografia, que também vêem ou adquirem imagens proibidas e criminosas. Repito o que está em muitos estudos, sem sombra de justificação, mas apenas para revelar que o mundo a preto e branco é mau conselheiro para estas questões.

Existem classificações jurídicas precisas, mas aquilo de que trato é da percepção popular e mediática da pedofilia, que é o fundo, entre o medo legítimo e a ignorância populista, para que esta proposta governamental remete. Deixemos, por isso, o direito de lado, porque só por ilusão é que esta proposta tem a ver com um estado de direito. Remete para medos mais do que para riscos, e defronta mal os riscos.

A verdade é que o debate sobre a pedofilia está de tal maneira inquinado pela obsessão mediática com o assunto nos últimos anos, que data do “affaire Dutroux” de 1996 na Bélgica, que incluía pedofilia e assassinato, que não é possível qualquer discussão razoável sobre o assunto. Hoje, o crime hediondo por excelência é a pedofilia, antes não o era. Tudo pode ser feito, se do outro lado estiver um pedófilo real ou imaginário, e, se o “povo” mandasse, inclusive a pena de morte.

A história da percepção da pedofilia, (como por exemplo da violência doméstica), é relevante para que se seja capaz de relativizar o tema. Para quem consulta os cortes da censura nos anos do salazarismo, na secção das “questões morais e de costumes”, encontra muitas notícias que hoje seriam enquadradas na pedofilia, mas que antes eram classificadas como “abuso de menores”, ou actos, reprováveis sem dúvida, mas a que a sociedade não dava grande importância. A censura cortava, mas não se escandalizava.

Pedofilia, pura e dura, existia diante dos olhos de todos ainda há uns anos e ninguém queria saber disso para nada. Aliás, numa mistura de ignorância e hipocrisia, existia também na sociedade portuguesa, onde era possível que algumas celebridades do mundo artístico, da poesia, da música e do jet set se passeassem com pupilos entregues por pais e mães (mais neste caso por mães), que apareciam como governantas, caseiras ou empregadas de confiança, num trade off económico e social  a que ninguém dava importância. Casos de pederastia e de pedofilia, apareceram em revistas do coração e do jet set, como se a mais normal das companhias para um adulto fossem menores pré-púberes em fotos nas piscinas e nos restaurantes.

O grande argumento a favor de um registo de pedófilos é o carácter compulsivo do crime, e o risco da sua repetição. Mas se é assim estamos perante algo que é da ordem da doença e deve ser tratado como uma doença. Acresce, que não vejo muitas estatísticas a apoiarem as afirmações da Ministra sobre a reincidência em Portugal, tanto mais que o contexto conhecido da maioria dos crimes de pedofilia em Portugal é o familiar. Ou seja, outro mundo bem diferente dos filmes de Hollywood em que a pedofilia e o serial killing são tratados de forma idêntica. São coisas de pais com filhas e amigas das filhas, de tios com sobrinhas, de padrastos e padrinhos com enteadas e afilhados.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 O último sair que apague a luz
   
«Reino Unido, Espanha e Suíça são os países para onde os portugueses mais gostariam de emigrar por motivos profissionais.

De acordo com um estudo agora divulgado pelo The Boston Consulting Group (BCG), entre 70% a 80% dos portugueses no ativo estariam dispostos a ir trabalhar para o estrangeiro.

Portugal integra o conjunto de países que, "devido à situação económica mais instável, tem como fatores explicativos desta tendência a oportunidade dos trabalhadores progredirem profissionalmente fora do país e de terem melhor qualidade de vida", revela ainda o mesmo estudo.» [Expresso]
   
Parecer:

O belo país que Passos nos deixa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 BES: a excitação dos banqueiros
   
«A reportagem descreve um ambiente de excitação na capital portuguesa durante o Verão e, também, de "celebração", com a "queda dramática da coisa mais parecida com um oligarca que havia em Portugal, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, e com ele o desaparecimento do banco que leva o nome célebre da sua família através de 20 países".

A Euromoney escreve que os banqueiros em Lisboa dizem que o desaparecimento do BES é um momento de separação das águas para o país: o ponto de viragem em que o velho Portugal se tornou na nova Europa. E cita um banqueiro: "São dias especiais. Isto tem sido a coisa mais importante e melhor que nos aconteceu em anos".» [Expresso]
   
Parecer:

Um dia talvez se venha a saber um pouco da verdade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Deputados racistas, chamalhes ferreira Leite
   
«A ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, acusa hoje no Expresso os deputados dos vários partidos de terem aprovado legislação que se “assemelha a um racismo ‘moderno’ que não discrimina cor de pele, nem sexo, mas a idade”. Em causa está uma norma que impede os pensionistas de receberem ajudas de custo quando, “mesmo gratuitamente”, querem exercer funções no setor público, como dar aulas numa universidade.

A norma original causou também polémica há alguns meses e proibia, pura e simplesmente, que fossem exercidas quaisquer funções. Na altura, o problema por levantado por outro ex-ministro das Finanças, Bagão Félix, e o Governo admitiu um erro e corrigiu a norma no Orçamento Retificativo que foi aprovado no início de setembro.

Numa “carta aos deputados”, título da crónica quinzenal hoje publicada no Expresso, Ferreira Leite diz que a correção não foi melhor. “Sabem que corrigiram eliminando a proibição, mas com a ressalva de o reformado não podia receber, se fosse o caso, ajudas de custo tais como despesas de deslocação ou refeições. Ou seja, o reformado passou da situação de não poder contribuir para o bem comum, mesmo gratuitamente, para a situação de ter de pagar para o poder fazer”, acusa.» [Observador]
   
Parecer:

E tem toda a razão, eu diria mesmo racistas e canalhas, isto para não ofender as progenitoras de tais desgraças.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  

   
   
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