domingo, outubro 19, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



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Amolador, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
João Granjo, copista

Pláfgio é plágio e alguém que é ou foi professor, que dirigiu uma associação de professores e que foi secretário de Estado no ministério da Educação sabe muito bem disso, copiar é copiar e inserir um texto sem colocar aspas e sem qualquer referência a uma autor é copiar. Mas se copiar num tste é grave dá direito a expulsar um aluno de uma avaliação, a apropriação de documentos alheios é muito mais grave, é um roubo rasca.

O secretário de Estado de Crato cometeu um roubo rasca e o seu dever era apresentar um pedido de desculpas à vítima do seu copianço. Em vez disso começou por desmentir ou desvalorizar os seus actos e depois apresenta um pedido de demissão por razões pessoais e faz um comunicado cheio de tretas.

De gente que é responsável pela educação dos portugueses espera-se mais, mas o homem começou por copiar e acabou saindo pela porta traseira, sem cumprir com o seu dever de pedir desculpa aos portugueses e ao autor de cujas ideias se apropriou abusivamente e para se exibir num seminário no estrangeiro. Que vá com Deu, o país não precisa de gente desta em altos cargos do governo e esperemos que o senhor se retire igualmente do ensino pois seria um péssimo exemplo para os seus alunos.

«Foi na mesma comunicação preparada para as Jornadas Europeias da Convivência Escolar, que João Grancho copiou mais um professor universitário do Instituto da Educação. Em 2005, Joaquim Pintassilgo viu incluído no livro Escola, Culturas e Saberes o seu trabalho denominado “A profissão e a formação no discurso dos professores do ensino liceal”.

Aí, no segundo capítulo intitulado “O entendimento do professor como profissional do ensino”, surge um primeiro parágrafo muito semelhante a um excerto do segundo capítulo da comunicação do secretário de Estado demissionário. O capítulo versava sobre o “conjunto de normas e valores próprios dos professores” que eram sistematizados “sob a forma de um código de conduta”. Apesar de algumas palavras terem sido alteradas, os dois parágrafos são semelhantes.

O PÚBLICO contactou o gabinete do Ministério da Educação e Ciência (MEC) para dar oportunidade a João Grancho de reagir a este novo dado. Não houve resposta até ao fecho desta edição.

Depois de ter sido tornada pública a sua demissão, João Grancho afirmou à Lusa que o pedido era determinado “por imperativos de consciência e de sentido de serviço público”. E não, acrescentou, “por quaisquer questões relacionadas com o meu [seu] desempenho no cargo”. O governante acrescentou ainda que o pedido era a forma “que melhor preservava o Governo na difícil tarefa que ainda tem pela frente e que terá que concluir para bem de Portugal”.

Horas antes, através de um comunicado, o gabinete de imprensa do ministério da Educação fez saber que João Grancho se demitira invocando “motivos de ordem pessoal”. O Expresso online acrescentava que o pedido para sair tinha "razões de lealdade para com o ministro" e a necessidade de reagir com maior liberdade à notícia “sem as limitações do desempenho de um cargo governativo". » [Público]

 Cavaco não convoca eleições antecipadas

Depois do sucesso das rezas da esposa à Santinha de Fátima nas avaliações da troika deve estar à espera de um milagre que inverta as sondagens eleitorais.

      
 Atenção, o ar esta cheio de propaganda
   
«Um dos livros mais interessantes sobre o modo como se pode condicionar a opinião foi publicado há uns anos por Paul Hollander e chamava-se Peregrinos Políticos.

O livro retratava o modo como nos países socialistas, da URSS a Cuba, passando pela China, se usavam os intelectuais para os tornar instrumentos não voluntários de propaganda dos regimes comunistas. Uma parte considerável fazia propaganda porque queria, mas Hollander analisa os mecanismos involuntários, muito mais interessantes e acima de tudo muito mais eficazes para os tornar porta-vozes de regimes políticos com que muitos deles nem sequer simpatizavam. A vaidade era um dos mecanismos mais usados, tratando intelectuais e literatos menores como se fossem gigantes da literatura, em claro contraste com a importância e a reverência que lhes era dada nos seus países de origem. O resultado da lisonja era uma predisposição para aceitar a manipulação e reproduzir a propaganda.

Um dos exemplos deste tipo de comportamentos, mais sofisticado, encontrava-se num célebre crítico culinário, de um dos grandes jornais americanos, conhecido anticomunista e que foi convidado pelos chineses. Chegado à China, ofereceram-lhe uma viagem em que lhe foram servidas as maiores iguarias da cozinha chinesa. O resultado foi uma série de artigos do crítico maravilhado, descrevendo as qualidades excepcionais das refeições que lhe serviram, a confecção, os ingredientes, a aparência, tudo do melhor que havia. O anticomunismo do crítico sofisticado do jornal ficou pelo caminho e os artigos que escreveu acabaram por corresponder aos desejos dos anfitriões. Fora da cozinha e da mesa, deixou de haver China, comunismo, repressão, violência.

A apresentação do orçamento de estado, complementado em simultâneo com dois conjuntos de legislação com impacto orçamental, mas separadas do corpo principal, as mudanças no IRS “pró-família” e a “fiscalidade verde”, tem tido efeitos parecidos com a complacência do crítico americano com o comunismo chinês, obtida por via da comida. Trata-se de uma operação em que a realidade, a dura e crua realidade de que nos espera mais um ano de extrema austeridade, disfarçado com uma nuvem cor de rosa de palavreado, distracções, disfarces e mesmo mentiras, usando em pleno todos os mecanismos com que se pretende manipular a opinião pública. O resultado é um ar ainda mais poluído pela propaganda, nem sempre muito sofisticada, como os pratos chineses, mas adaptada às características dos que a servem ou a provam.

Começa pela apresentação simultânea de três documentos: um péssimo, um mau e um bom. O péssimo é muito péssimo e é o Orçamento, de longe o mais importante dos três. O bom documento contém as mudanças pró-família do IRS. O mau é o aumento dos impostos da “fiscalidade verde”. Embora possa haver argumentos técnicos para separar as medidas do IRS do Orçamento, a verdade é que noutras alturas o governo não o fez. O objectivo neste caso, para além de poder concentrar a atenção no “bom” papel e ocultar os “maus”, é usá-lo para entalar o PS: então o PS nega-se ao “consenso” sobre medidas favoráveis à família? Não pode. E assim se obriga a oposição a dar caução ao “bom papel” e amenizar, por essa caução alargada, o efeito negativo do conjunto do Orçamento. Canaliza-se a discussão para o que interessa ao Governo e, queira-se ou não, favorece-se uma interpretação benigna do conjunto do Orçamento.

Quanto à “fiscalidade verde”, faz-se o mesmo que habitualmente se faz com os chamados “impostos do vício”, o politicamente correcto do “verde” ajuda a legitimar mais um aumento de impostos puro e simples. E aí ficamos distraídos com os sacos de plástico, muitos dos quais já são biodegradáveis e por isso “verdes”, e falamos menos dos aumentos nos combustíveis e nos transportes. Ao destacar este diploma, pode-se assim dizer que não há aumentos de impostos no Orçamento, visto que a “fiscalidade verde” fica à parte. Na verdade, no cômputo global dos três documentos, mesmo incluindo o “bom”, a carga fiscal aumenta, visto que se vai buscar mais dinheiro do que o que se devolve às famílias. Ou seja, o dinheiro que os portugueses vão pagar ao estado aumenta. Como é que é assim possível que o Primeiro-ministro e a Ministra das Finanças e os seus propagandistas digam que não há aumentos de impostos? É possível apenas porque somos complacentes com a mentira, tão habituados estamos a viver no seu seio.» [Público]
   
Autor:

Pacheco pereira.

 O Supremo está para a sexualidade como a ASAE para os iogurtes
   
«Um velho assunto de 19 anos (1995) chegou ao ponto final judicial com o Supremo Tribunal Administrativo decidindo. Uma mulher fora operada, ao que parece mal, e tinha um contencioso com um hospital lisboeta. Os três juízes do Supremo Administrativo, dois homens e uma mulher, decidiram que a queixosa tinha razão mas diminuíram a indemnização que o tribunal anterior tinha decidido (um tribunal é lento, um comboio de tribunais é muito mais, daí as quase duas décadas). A queixosa alegava que desde a operação, e por causa desta, nunca mais tinha tido relações sexuais. O acórdão desvalorizou essa questão, explicando-se assim: "(...) importa não esquecer que a Autora na data da operação já tinha 50 anos e dois filhos, isto é, uma idade em que a sexualidade não tem importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança."

Começo por achar interessante o pormenor de "[já tinha] dois filhos". Ao sublinharem o facto (um acórdão é douto, tudo o que diz é notável), os juízes conduzem-nos para o que não foi dito, mas foi: a sexualidade é para reproduzir e, nesse capítulo, aquela mulher já podia dar-se por servida, logo a indemnização podia baixar. Aliás, na frase logo a seguir, o acórdão conclui: "Deste modo, e considerando todas aquelas vertentes..." Todas, incluindo os dois filhos que já tinha. Trago o pormenor para aqui para mostrar quanto um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo tem de ter em conta todas as contas, incluindo as de mercearia procriativa. E isso não é fácil, é necessário coragem e responsabilidade para julgar, isto é, decidir em matérias tão graves e tão sensíveis. Digo-o sem ironia, eu que há muitos anos e julgamentos concluí: eu não saberia ser juiz.

Outra coisa é a espantosa determinação, por tribunal, da data de fora de prazo da sexualidade (ou quando se começa a hesitar no deitar fora ou não o iogurte): 50 anos. 50 anos, o quê? Fecha-se a loja? Coiso e boceja-se por se assumir menor importância à sexualidade? De que experiências se valeram os três juízes? Das próprias, ouviram amigos, participaram em colóquios, interrogaram os meirinhos? O Supremo teve condições financeiras para fazer um focus group sobre as datas do declínio de interesse? Encomendou uma sondagem? Quando debateram os três a questão, um ou uma dos juízes invocou o caso de Vítor Hugo que dizia "até aos 80 anos, pensei que aquilo era um osso"? E tendo sido trazida essa frase à baila, foi afastada por vir de um gabarola notório, por ser antigo ou por ser de um homem e não se adequar ao julgamento em apreço? E, sendo aos 50 anos o declínio, como sentenciaram os nossos Kinsey, Masters and Johnson do Supremo, por que razão serve isso para baixar o valor do dano? Se na hora de se perder qualquer coisa é que se lhe dá maior importância, não seria de aumentar a indemnização à senhora por ela ter perdido as suas derradeiras oportunidades?

E, finalmente, eu. O Supremo Tribunal Administrativo sabe o mal, o "dano não patrimonial" mas doloroso, que me causou? Todos os meus amigos e companheiros de trabalho conhecem uma esperança antiga que tenho: Monica Bellucci. No filme L"Appartement, como invejei o Vincent Cassel! Sei que é paixão irrealizável, como ficou quase provado ainda há poucos anos: la Bellucci veio a Lisboa, mexi todos os cordelinhos para uma entrevista (havia de começar de alguma maneira) mas ela ignorou-me. Mas ficou só quase provado, não se provou. A minha... a minha... minha ilusão, admito, era: um dia será. Ela deixaria de ser o modelo do Dolce & Gabbana, engordaria, os Vincent Cassel desta vida iriam à vida e a minha persistência venceria. Ela envelheceria? Sim, mas isso até seria um pró, não contra: eu perderia concorrência.

E eis que cai a sentença que aqui me trouxe. Sabem o que fiz logo depois de ler o acórdão? Fui à Wikipédia. Funesta premonição: Monica Anna Maria Bellucci fez 50 anos a 30 de setembro.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

     

 Air Cratino
   
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«O ministro foi ao Brasil, Macau, China, Moçambique, México, Turquia e Cabo Verde. E à Europa. Em 2014 já deu quatro voltas ao mundo

As ausências do ministro da Educação no estrangeiro são motivo de crítica interna no Governo. Em plena crise da colocação dos professores, o facto de Nuno Crato ter saído do país — para participar num encontro informal, em Milão, sobre Telecomunicações — levantou vários sobrolhos ministeriais. Com o Ministério a arder, foi considerada “estranha” a ausência do “responsável político” por um dos piores arranques do ano letivo da história.

A viagem a Itália apanhou de surpresa a própria equipa da Educação. E, dentro do próprio Governo, houve quem questionasse Crato sobre a necessidade de manter a deslocação, sobretudo quando esta coincidia com o arranque da segunda tentativa de colocação de professores, depois do desastre ocorrido com o primeiro concurso. Em vésperas de um dia D, a saída do ministro para o estrangeiro caiu mal. Mas Crato não cedeu e foi mesmo para Milão.

As críticas às ausências de Crato não são, porém, de agora. Em plena sétima avaliação com a troika, quando o Governo preparava o corte de 4 mil milhões de euros na despesa, o ministro foi criticado por fazer “uma autêntica volta ao mundo“. Esteve no Chile, no Brasil e na China, numa ausência que se estendeu por três semanas. As Finanças não esconderam o seu desagrado por não poderem contar, nos trabalhos de preparação dos cortes, com o responsável do Ministério com maior peso na despesa com pessoal de toda a Administração Pública. A equipa de Vítor Gaspar ficou “furiosa” e, na altura, fê-lo saber. Preparava cortes e programas especiais de rescisão de funcionários e o ministro que representa um quinto dos trabalhadores no Estado estava fora. Pior, as notícias mostravam-no a inaugurar um radiotelescópio a “2635 m de altitude”, o que lhe permitiu observar “a região desértica e um pôr do sol único”.

Frequent Flyer

“As viagens realizadas pelo ministro são aquelas requeridas pelas obrigações internacionais de Portugal” respondeu ao Expresso o Gabinete de Crato, sublinhando as vezes em que foi “requisitado para acompanhar” o Presidente da República ou o primeiro-ministro como parte da justificação para as saídas em serviço. “Mesmo quando em viagem, o ministro está sempre em contacto com o gabinete, os secretários de Estado, os serviços e os demais membros do Governo, e acompanha de perto todos os assuntos em desenvolvimento”, afirma o gabinete.

O Ministério não adianta comentários, nomeadamente sobre a carregada agenda que levou, só este ano, o ministro a completar quase 160 mil km de voos. É o equivalente a quatro voltas completas ao mundo e passou, por exemplo, por duas visitas ao Brasil no espaço de menos de um mês. Ou a duas viagens sucessivas à China, uma das quais na comitiva de Cavaco. O ministro foi ainda a Moçambique por duas vezes, a primeira das quais incluiu uma visita à escola portuguesa, durante as férias escolares da Páscoa. Foi a Cabo Verde em julho e ao México em agosto, quando a prova dos professores arrancou pela primeira vez. Isto, é claro, sem contar com as viagens feitas na Europa ou com as obrigatórias presenças nas reuniões em Bruxelas.

Há vários anos que, mesmo sem qualquer atividade governamental, as viagens de Nuno Crato são motivo de notícia. Em 2008, o agora ministro foi entrevistado na rubrica ‘Passageiro Profissional’ da revista de bordo da TAP, a “Up”. No artigo sublinhava-se a “paixão pelo turismo científico” do professor universitário, explicavam-se as rotas preferidas e concluía-se que “o investigador português Nuno Crato conheceu o mundo daquela que considera a melhor forma: a trabalhar”. » [Expresso]
 

  
Parecer:

Enquanto vai dando cabo da escola pública e da vida de muitos professores o incompetente diverte-se à custa do erário público.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o incompetente.»





 Foi apanhado de surpresa, dizia o Costa
   
«O Banco de Portugal levantou dúvidas desde o primeiro momento sobre a validade da garantia estatal de 4200 milhões de euros, emitida pelo Governo angolano ao BES Angola, com data de 31 de Dezembro do ano passado, o que, na prática, significava que, no final de 2013, o BES estava insolvente por contaminação ao BESA e pela exposição ao Grupo Espírito Santo (GES), cujo passivo já era de quase 6000 milhões.

As dúvidas foram levantadas em cartas enviadas pelo vice-governador do Banco de Portugal, Duarte Neves, à Espírito Santo Financial Group (ESFG), a holding que exercia uma posição de controlo no BES e que estava sob a alçada directa do supervisor do sistema bancário.

Esta é uma entre outras informações recolhidas pelo PÚBLICO que este domingo, na Revista 2, são desenvolvidas no âmbito de uma reportagem sobre a ascensão e a queda do GES. No trabalho, são relatados vários episódios que mostram como ao longo dos anos, Ricardo Salgado se foi movimentando nos bastidores do poder enquanto, sem o saber, estava a ser investigado pelas autoridades policiais portuguesas. A 25 de Julho, o ex-presidente do BES foi constituido arguido por suspeita dos crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais.

A Revista 2 revela, ainda, como o ex-administrador executivo com o pelouro financeiro do BES, Morais Pires, “resolveu” a forte exposição comercial do universo empresarial de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, ao BES, e dá conta de um negócio do construtor José Guilherme com empresas da esfera da família Espírito Santo, que ao fim de três anos renderam ao amigo de Ricardo Salgado uma mais-valia de várias dezenas de milhões de dólares.» [Público]
   
Parecer:

Este Costa começa a estar a mais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao governador do BdP que apanhe a boleira do Granjo e se demita de um cargo que não tem desempenhado da melhor forma.»

   
   
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