segunda-feira, julho 13, 2015

A Europa não é uma sinfonia

Agora que a Europa chegou a um acordo, que aprendi cos sucessivos discursos de Tsipras que em grego se diz sinfonia, ficou evidente que apesar da unanimidade esta Europa conduzida pela senhora Merkel mais os seus paus mandados é tudo menos uma sinfonia. Afinal não foi por causa dos gaiatos que a reunião do Eurogrupo foi interrompida ou que nem foi o programa radical do Syriza que defendia uma saída da Grécia do Euro e uma provável crise financeira internacional.
  
Hoje sabemos que a intenção da Alemanha desde o início de todo este processo era fazer com que a Grécia saísse do Euro, agora percebemos que a impossibilidade de um acordo durante cinco meses não resultou apenas do toca e foge permanente do Varoufakis. A Alemanha sempre teve a intenção de dificultar qualquer acordo com o governo grego e para isso contou alguns governos mais germanófilos. A este propósito convém lembrar que o governo português tem merecido da parte da senhora Merkel e do seu ministro das Finanças gestos muito simpáticos, ainda há poucos meses a ministra das Finanças apareceu num simulacro de seminário ocorrido nas instalações do ministério das Finanças alemão, ao lado do ministro, o mesmo que chegou a convidar Vítor Gaspar a escrever um artigo publicado no site do ministério das Finanças alemão.
  
Ficou óbvio que a Alemanha impediu um acordo ao nível do Eurogrupo e que partiu para a cimeira dos chefes de estado e de governo com a proposta de saída da Grécia da zona euro. Isso era possível porque a Alemanha tinha aliados firmes que a apoiariam nessa posição e ninguém acredita que era apenas a Finlândia ou os estados bálticos. A Grécia ficou no Euro porque vários países se opuseram frontalmente ao projecto alemão, foi o caso da Itália e da França que finalmente tomaram uma posição.

Finalmente a Europa admite que há dois problemas nos países que foram sujeitos a intervenções da troika, a dívida aumentou e consome as poupanças que seriam necessárias para o seu crescimento económico e que os programas ignoraram a importância da promoção do crescimento para superar a crise. Apenas a Alemanha e Portugal estão firmes na defesa da austeridade extrema, um porque foi quem impôs a austeridade e o outro porque tem uma fidelidade canina ao dono.
  
É óbvio que a Grécia precisava de reformas que até aqui recusava e que sem as quais dificilmente invertia um processo económico que conduziu a esta crise. A origem da crise grega é anterior à austeridade e não se explica apenas pela crise financeira de 2008. Seria impossível superar esta crise financeira e manter um sistema de pensões que se financiava com impostos num país onde a administração tributária é de uma total ineficácia. 
  
Mas também é óbvio que os erros da troika conduziram a Grécia à beira do precipício, tanto a Grécia como Portugal forma vítimas de experiência falhadas que foram conduzidas por economista incompetentes, como é o caso do nosso Gaspar. Em Portugal a realidade foi disfarçada com uma suposta saída limpa, mas o descalabro grego foi de tal forma grande que se tornou impossível recorrer a qualquer disfarce.


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