terça-feira, julho 07, 2015

Um erro estratégico

O centrar do debate entre mais ou menos austeridade levou-nos a centrar as atenções na Grécia durante mais de seis meses, como se o futuro do país dependesse do processo negocial entre o governo do Syriza e os credores. Esta tem sido a estratégia do BE como se uma vitória do Syriza servisse de certificação nacional das suas competências. Curiosamente o PCP antecipou-se ao BE nos festejos do não grego chamando a si o estatuto de líder da oposição á austeridade.
  
Os problemas gregos passaram a ser os mesmos  dos portugueses e muitos esqueceram que a crise grega começou muito antes da crise portuguesa e que se não fossem as artimanhas contabilísticas de sucessivos governos gregos é pouco provável que Portugal tivesse sido arrastado para o redemoinho em que se transformou a crise das dívidas soberanas. Esta estratégia interessa à esquerda conservador que passou a considerar on ser contra ou a favor da ma linha que divide os progressivas dos outros, a esquerda da direita, os bons dos maus. E a verdade é que a esquerda conservadora sempre foi defensora de grandes défices orçamentais e neste capítulo o PS fica do outro lado.
A ideia de que de uma forma ou de outra as soluções estão lá fora é partilhada por toda a oposição, o PS defende mecanismos que libertem o país o o peso do serviço da dívida, o PCP e o BE defende o alívio da própria dívida a fim de se aliviarem os défices para poder voltar a aumentar a dívida. Chegamos a um ponto em que direita e esquerda preferem olhar para o que se está a suceder na Grécia do que discutir os problema nacionais e isto só interessa aos que querem uma vitória do PS, aos que quem governar e aos que não se importam que o país volet a ser governado como tem sido desde que isso signifique que conseguem eleger mais dois ou três deputados.
  
Tudo isto interessa à direita que esconde a sua incompetência e as sua própria agenda política atrás do memorando, os portugueses morrem nas urgências por falta de dinheiro, a confusão do Citius deveu-se à acção premeditada de dois sabotadores, o atraso do ano escolar foi um mero incidente. Ninguém critica o governo porque o que está em causa não é o governo, a sua competência ou tudo o que esconde atrás da austeridade, a causa de todos os males é da senhora Merkel.
  
É a senhora Merkel que quer vender a TAP ao Barraqueiro, que disse que o BES não ia custar um tostão ao país, que se descuidou com o ano escolar, que quer ignorar a Constituição. Esta estratégia que passa por diabolizar a senhora Merkel e por olhar para a Grécia com a esperança de dali vir a solução tem o condão de branquear a maldade e a incompetência deste governo.

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