sábado, março 25, 2017

2,1%

Parece que os 2,15 do défice orçamental deixaram muita gente atrapalhada. O próprio Marcelo, que há pouco tempo se entreteve a ler as mensagens SMS teve dificuldades em dar o seu ao seu dono optando por recordar Vítor Gaspar, quando o ex-ministro das Finanças foi para Bruxelas dizer que o povo português era o melhor povo do mundo. Com Marcelo o povo passou do melhor ao estatuto de herói. Digamos que Centeno nada fez, o povo é que optou por evitar os serviços públicos para lhes poupar na despesa e pagou todos os impostos que devia sem pestanejar.

Mas se para Marcelo a equidade política obriga a atribuir ao bom povo português os resultados do trabalho do governo, já a reação do PSD foi tudo menos honesta. Ainda há poucos dias foi notícia que Passos Coelho estava convencido de que realizar-se-iam eleições gerais antes das autárquicas. Passos estava tão convencido de que o governo cairia com a vinda do Diabo que não se preocupou com mais nada.

A desonestidade de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, para não referir o agora desaparecido Paulo portas, está no facto de saberem o que fizeram em 2015. Tanto sabem o que fizeram que apostaram tudo num segundo resgate em 2016, daí as exigências do plano B e do anúncio da vinda do diabo em setembro. Sabiam muito bem que a propaganda eleitoral de 2015, designadamente, a fraude do reembolso da sobretaxa, tinha sido conseguido com uma antecipação de receitas fiscais de 2016 na ordem dos 700 milhões de euros.

Se o PSD fosse honesto, em vez de desvalorizar os resultados de 2016 falando em medidas extraordinárias ou na insustentabilidade dos resultados, deveria agradecer ao governo ter mantido o défice de 2015 abaixo dos 3%. Mário Centeno poderia muito bem procedido ao reembolso do IVA que o Paulo Núncio reteve abusivamente para montar a fraude do reembolso da sobretaxa do IRS. Se assim tivesse feito o défice de 2015 teria ficado acima dos 3% e o de 2016 situar-se-ia abaixo dos 2%.

O PSD que tanto se gabou dos resultados de 2015, sabendo muito bem que tinha sido conseguido à custa de receitas de 2015, poderia agora ser um pouco mais honesto e elogiar Mário Centeno em vez de andar por aí com truques para destruir a imagem do ministro.
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