sexta-feira, março 10, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Luís Montenegro

Terá batido com a cabeça nalgum lado? Quem ouve Montenegro dizer disparates é bem capaz de se esquecer de que num momento de perda da lucidez Passos Coelho chegou a propor uma revisão na hora da Constituição para viabilizar eleições antecipadas. Aliás, até parecia que o PSD queria ir a eleições as vezes necessárias para ter uma maioria absoluta.

Agora a estratégia é nova, perdida a esperança de ganhar eleições prefeririam governar sem maioria até poderem provocar uma crise e tudo voltar ao ponto de partida. Ridículo.

«Caso o Governo de António Costa caía, ou seja, deixe ter o apoio do Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, diz que é possível encontrar outra solução governativa sem que seja necessário convocar eleições antecipadas. Na prática, isto seria uma novidade na democracia portuguesa.

“O quadro parlamentar permite outros ajustamentos, desde que haja vontade política dos partidos. Não lhe estou a dizer que vai haver, nem lhe estou a dizer que estou a contar com isso. Estou a dizer que o quadro deve esgotar-se, para haver eleições antecipadas devem-se esgotar os quadros todos”, defende o líder parlamentar do PSD em entrevista à Antena 1 esta quinta-feira.» [Expresso]

 A estratégia do insulto

JMF não perdeu tempo a dar corpo à nova estratégia de Passos

Falhadas as estratégias do primeiro-ministro no exílio, da vinda do diabo, das prendas dos reis magos, do plano B, da subida dos juros, do segundo resgate, do OE para 2017, da asfixia democrática e do malandro do Centeno, Passos Coelho foi ao seu argenal de armamento dos tempos da J buscar a estratégia do insulto.

Pela segunda vez Passos arma-se em virgem ofendida e já se percebeu que todos os debates parlamentares irão servir para intervenções em defesa da honra ou para insultos em off. O mau feitio de Costa é conhecido e Passos tenta levar o primeiro-ministro à asneira.

Esperemos que António Costa perceba que está perante uma estratégia manhosa que visa descredibilizar o parlamento e o governo, passando para segundo plano os problemas do país. António Costa deve dirigir-se a Passos Coelho com todas as delicadeza que ele merece e com um sorriso nos lábios, esta é a melhor forma e a mais inteligente de como faria o tio avô do outro, mandá-lo para a outra barda.

      
 Quem mandava era o Gaspar!
   
«O antigo vice-presidente da CGD António Nogueira Leite revelou esta quarta-feira que Pedro Passos Coelho (primeiro-ministro do Governo PSD/CDS) o convidou para liderar o banco público, só percebendo que ia ser vice-presidente quando recebeu o convite formal de Vítor Gaspar.

"O primeiro convite foi do senhor primeiro-ministro [Passos Coelho] e depois recebi o convite formal do ministro das Finanças [Vítor Gaspar]", afirmou Nogueira Leite durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Questionado pelos deputados, Nogueira Leite confirmou que o convite que lhe foi endereçado por Passos Coelho era para ser presidente da comissão executiva e que só se apercebeu que ia ser vice-presidente com o convite formal de Vítor Gaspar.» [Expresso]
   
Parecer:

Grande Gaspar!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Nogueira Leite porque razão aceitou o lugar.»
  
 A concorrência desleal entre Estados da UE
   
«O Reino Unido, cuja primeira-ministra vai esta quinta-feira a Bruxelas participar no Conselho Europeu apesar de estar prestes a dar início às negociações formais de saída da União Europeia, pode vir a ser obrigado a pagar uma multa de quase dois mil milhões de euros como aconselhado pela autoridade antifraude do bloco.

Em causa estão acusações feitas pelo gabinete europeu de luta antifraude (Olaf, na sigla francesa), que determinou que o Estado britânico tem responsabilidade no facto de gangues criminosos terem inundado os mercados negros do continente europeu com bens chineses ilegais. Na terça-feira, o Olaf sublinhou que o Reino Unido deve desembolsar 1,98 mil milhões de euros para o orçamento comunitário para compensar os direitos aduaneiros perdidos nesses esquemas ilegais contra os quais as autoridades do Reino Unido nada terão feito.

A recomendação deverá ser um dos temas centrais da cimeira de hoje; acima disso, arrisca-se a tornar-se mais um foco de tensão e conflito entre o Reino Unido, de saída, e as autoridades europeias. A exigência da agência antifraude deixa a descoberto os difíceis desafios que May vai enfrentar agora que se prepara para começar a negociar a saída da UE, após a vitória do Brexit no referendo de junho. Se a Comissão Europeia considerar que o Reino Unido deve pagar a multa antes de abandonar o bloco, o Governo britânico vai provavelmente ser pressionado pelos membros do Parlamento a não acatar a ordem.

“Isto não se trata do falhanço do Reino Unido em combater [o esquema ilegal], trata-se de uma fraude conduzida por operadores de trocas no estrangeiro”, defende ao “Guardian” Charlie Elphicke, deputado do Partido Conservador de May. “Muitas pessoas, incluindo eu, estão preocupadas, razão pela qual peço ao Gabinete Nacional de Auditorias que investigue o caso.” De qualquer forma, acrescenta o deputado britânico, “seria fundamentalmente errado e um anúncio falhado dizer que isto é da responsabilidade do Governo britânico. Seria errado o Olaf apontar-nos o dedo. Seria ainda mais errado a Comissão [Europeia] tentar dar início a procedimentos formais” contra o Reino Unido.» [Expresso]
   
Parecer:

O caso não é novo, há países que para atrair negócios fazem vista grossa à aplicação da lei tornando os seus portos mais competitivos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se o problema à escala comunitária.»

 Ao BdP o que é do BdP
   
«Num discurso hoje, no parlamento, no âmbito de uma interpelação do CDS sobre supervisão bancária, Mário Centeno disse que é necessário uma entidade que torne mais eficaz a coordenação e troca de informações entre as autoridades de supervisão financeira, ou seja, Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

"Impõe-se uma coordenação reforçada (...) com uma entidade vocacionada para uma visão global do sistema financeiro", afirmou o ministro.

O governante disse, então, que o Governo irá propor a "criação de uma entidade com a missão de assegurar a troca vinculativa de informações e a coordenação da atuação das autoridades de supervisão", que irá substituir quer o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros quer o Conselho Nacional de Estabilidade Financeira.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Veremos se o BdP aceita ser apenas aquilo que é, um banco central.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Discuta-se a solução.»

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