sábado, novembro 09, 2013

A estratégia de Cavaco Silva

O pesadelo que mais atormenta as noites de Cavaco Silva é o receio de um dia ser forçado pelo voto dos portugueses a dar posse a um governo de Sócrates ou de alguém considerado “socrático” ou que alguma vez tenha colaborado com o ex-primeiro-ministro como é o caso, por exemplo, de António Costa. Cavaco Silva odeia Sócrates e é mais do que evidente que em torno de Sócrates há um desprezo olímpico pelo detentor do cargo de Presidente da República.
 
Cavaco Silva tudo fez para derrubar Sócrates e no seu lugar colocar alguém do seu partido, nem que fosse o até então detestado Passos Coelho. Cavaco ambicionava ficar na história como o grande político do século XX e do início do século XXI e nunca poderia suportar ser obrigado a conviver com um primeiro-ministro que lhe recusava esse papel. Depois do que fez o regresso do Sócrates ou do que poderia ser entendido como uma interposta pessoa significaria o funeral político de alguém que transformou o seu segundo mandato numa câmara ardente.
 
Se Sócrates não perde uma oportunidade para ir enterrando Cavaco este não deixará de usar os poderes que tem para impedir uma solução política que dê protagonismo a Sócrates e para isso usará os poderes que tem, designadamente, a famosa bomba atómica.
 
Cavaco não pode permitir que esta legislatura chegue ao fim, mas também não pode deixar cair um governo que ele próprio adoptou. O governo não pode cair antes de tempo nem durar o tempo suficiente para que José Sócrates recupere a sua imagem. Para Cavaco a salvação do que julga que ainda resta da sua boa imagem passa por uma solução que envolva políticos racos que ele consiga manipular e esses políticos fracos são Passos Coelho e Seguro.
 
A Cavaco pouco importa que ganhe Seguro ou Passos Coelho, o importante é que Passos Coelho e Seguro sobrevivam o suficiente para que possam ir a eleições sem condições para que nenhum dos dois consiga governar sem o outro. Cavaco deseja um bloco central de políticos fracos para que ele possa transformar um governo fraco numa espécie de governo de salvação tutelado por Belém. Cavaco vai tentar usar o pouco tempo que lhe esta para branquear a imagem de um governante que conduziu o país ao fracasso, de um político que ganhou dinheiro fácil e de um presidente incompetente.
 

Cavaco não se cansa de tentar forçar uma associação entre Passos e Seguro com o argumento de que quer salvar o país. A verdade é que, como sempre sucedeu, cavaco está preocupado consigo e para se salvar conta com estes políticos. Da mesma forma Passos só sobreviverá com Cavaco e Seguro precisa de ir a eleições antes que haja tempo de alguém lhe ficar com o lugar.
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