domingo, novembro 03, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Aves de Lisboa:
Alvéola-cinzenta, Parque da Bela Vista

   Fotos dos visitantes


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Esplanada na Praia de Catembe, Maputo [T. Selemane]

 Jumento do dia
    
Rui Moreira, presidente da CM do Porto

A crer nas explicações da EDP os cortes de luz atingiram moradores que faziam ligações directas à rede ou viciavam os contadores, uma decisão que pode gerar revolta mas que não é criticável. Mas o presidente da CM do Porto acha que nestas circunstâncias devia ter sido avisado com antecedência, sinal de que entende que tinha uma palavra a dizer na decisão da empresa. Por esta ordem de ideias todos os comerciantes e empresas que no Porto decidam cortar o crédito ou o fornecimento a um cliente abusador antes de o fazer deve pedir a opinião do autarca.

«O presidente da Câmara do Porto criticou hoje o facto de não ter sido informado dos cortes de energia pela EDP em várias zonas nem da intenção de fechar o centro de saúde de Azevedo, em Campanhã.
   
"Numa altura em que a Câmara do Porto anunciou que a Campanhã seria uma prioridade (...), é nessa freguesia que se abatem um conjunto de medidas que objetivamente têm impacto na população", afirmou Rui Moreira durante uma visita ao bairro de São Vicente de Paulo, também em Campanhã.

"Relativamente a estas duas questões a nossa preocupação principal é que a câmara municipal não foi informada. Não foi informada dos cortes de energia, não foi informada da intenção de fechar o centro de saúde", disse o líder da câmara portuense.» [DN]
 
      
 O "comeback" do Álvaro
   
«É certo que bater em mortos pode, no limite, configurar um ato de certa cobardia. O problema é quando os mortos não aceitam a sua condição e insistem no estrebucho típico de quem recusa entender, por teimosia ou incapacidade, que o seu prazo de validade chegou ao fim.

É o caso do ex-ministro da Economia que, esta semana, numa espécie de comeback ao palco mediático, apontou metas e desígnios, fez recomendações e lançou desafios como se, nos últimos dois anos, não tivesse ele próprio culpas no cartório por ter feito parte de um Governo que nos conduziu ao estado em que estamos.

Disse o Álvaro - conforme pediu que o tratássemos pouco depois de aterrar em Lisboa - que a economia só terá futuro quando houver uma redução drástica dos impostos. Que a fiscalidade "está a asfixiar" as empresas e as famílias. Que a administração fiscal se comporta como "um grande inquisidor" ou o "Torquemada das empresas". Isto tem de acabar, bramou o economista que, enquanto ministro, foi cúmplice do "enorme aumento de impostos" para o ano da desgraça de 2013 e aprovou o esbulho de salários e pensões que estrangula os contribuintes.

Continuou o Álvaro o seu diagnóstico afirmando que "a dívida é o elefante na sala de que ninguém fala, mas o problema está lá e tem de ser resolvido". Como? É fácil, respondeu o professor de Economia. A solução europeia passa por uma receita semelhante à da América Latina em 1989, ou seja, "fazer um reescalonamento da dívida a 40, 50 ou 60 anos" para garantir crescimento duradouro. Isto é, mais tempo para pagar aos credores com a dívida a ser vencida em prazos mais dilatados tornando-se assim, naturalmente, sustentável. E o Álvaro prosseguiu, agora de peito feito, recuando até à década de 50 do século passado para lembrar que não foi só nos países latino-americanos que as dívidas foram reescalonadas. Isto depois de, ao lado do primeiro--ministro e de Vítor Gaspar, ter ajoelhado durante dois anos perante a senhora Merkel. "Na altura", recordou, "a Europa e os Estados Unidos não viraram as costas à Alemanha e é fundamental que a Alemanha não vire as costas à Europa".

Fora do Governo - e só passou um par de meses - o corajoso Álvaro assume-se da oposição à "austeridade cega", estando convicto - e ai de quem tenha dúvidas! - de que a Europa só se preocupa com tesouraria, que só há ministro das Finanças, Ecofin e Eurogrupo e que, por este andar, não tarda a que as ditaduras estejam de volta ao velho continente. E se para combater esta doutrina e também a harmonização fiscal europeia - "uma ideia à União Soviética" - que nos impede de baixar o IRC para 10%, o que é "imperativo", "tivermos de ir contra a Europa, paciência".

O Álvaro é um pândego. Antes de ser ministro defendia, nos escritos que apaixonaram Pedro Passos Coelho, que a alternativa a "um vigoroso programa de reformas" que urgia levar a cabo "chama-se declínio económico e social de Portugal, chama-se emigração e desemprego, chama-se crise e recessão, chama-se falta de futuro. E, por isso, é importante que os reformistas não esmoreçam e que as reformas não deixem de ser feitas".

Sejamos claros, aquilo a que os reformistas tipo Álvaro nos conduziram foi ao regresso aos máximos de emigração registados em meados da década de 1960 - segundo as estatísticas demográficas do INE, 10 mil pessoas abandonam todos os meses o País -, precisamente por causa do nosso declínio económico e social e por falta de futuro; foi à maior taxa de desemprego de que temos memória em democracia; e foi à maior recessão económica acumulada desde 1974.

Factos são factos. Pretender expiar a culpa e a responsabilidade, querendo fazer crer aos incautos que se renega agora a cartilha da austeridade cega, não passa de uma idiotice inútil.» [DN]
   
Autor:
 
Nuno Saraiva.
     

   
   

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