sexta-feira, novembro 15, 2013

Diálogo, pós troika e segundo resgate

A forma como o PSD/CDS e o Presidente da República bem como os argumentos com que se sugere esse diálogo diz muito sobre a forma manhosa com que a direita tenta iludir o fracasso da sua estratégia económica. Um fracasso que é cada vez mais evidente à medida que se aproxima o fim do período de ajustamento e o segundo resgate, senão mesmo a reestruturação de uma dívida que é cada vez mais insustentável.
Prevendo o desastre do seu governo Cavaco lançou uma manobra que visava forçar o PS a aceitar as medidas governamentais de forma incondicional. O mesmo Cavaco que ajudou a derrubar um governo do PS tentou obrigar este partido a assumir as consequências políticas do falhanço do seu governo.
Mais hilariante do que o diálogo sobre o pós troika só mesmo a sugestão da ministra das Finanças de que é possível que Portugal não venha a precisar de uma programa cautelar. Ambos negam a realidade e tentam fazer de conta não há nada a fazer antes do pós troika. Ninguém quer abordar aquilo que  todos os analistas económicos internacionais defendem, Portugal vai precisar de um segundo resgate.
A verdade é que durante quase três anos não houve investimento, nem público nem privado, as reformas não convenceram ninguém, a liberalização do mercado laboral não atraiu os investidores estrangeiros. Compreende-se que Pires de Lima vá fazer um road show para mendigar investimentos estrangeiros, isto depois de todo o governo não fazer outra coisa senão road shows, vejam-se as idas sucessivas dos ministros das Finanças à Alemanha ou aos Estados Unidos, as voltas ao mundo que Portas já deu, para não referir as viagens de Passos Coelho ou mesmo do já esquecido Miguel Relvas.
Cavaco Silva ainda ensaiou uma nova manobra para enredar o PS no novo resgate, até foi encomendada a competente notícia ao Expresso, mas perante a resposta negativa Belém permaneceu em silêncio e o governo defende agora que um programa cautelar não é um segundo resgate e por isso não é necessário negociar com a oposição. Nada de novo, depois de sucessivas alterações o memorando já nada tem em comum com o memorando inicial e tanto quanto se sabe o PS nunca foi envolvido nas novas negociações.

É mais do que óbvio que o governo falhou, que a estratégia de Cavaco Silva conduziu o país a um beco, que o famoso crescimento económico nem dá para o tabaco, que a dívida externa não para de aumentar. Começa a ser tempo de Cavaco e o governo se deixarem de manobras manhosas e assumirem as responsabilidades pelas políticas que adoptaram.



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