quinta-feira, novembro 07, 2013

Carta de condução de professor

e na sua formação académica esse domínio não tenha sido contemplado. Para se ser um bom professor não bastam conhecimentos científicos, são igualmente necessários conhecimentos no domínio da pedagogia.
 
Faria sentido que alguém que vai ensinar receba a devida preparação no domínio da pedagogia, bem como informação pormenorizada sobre os programas de ensino, os objectivos e as regras de funcionamento das escolas. Não basta uma licenciatura e umas reuniões para que alguém seja lançado como professor. Faz todo o sentido que o Estado assegure a formação inicial e nesse caso faria igualmente sentido que houvesse um processo de avaliação.
 
O que não faz sentido é considerar que, por exemplo, o que um doutorado em matemática aprendeu seja equiparado ao exame de código reservando-se o ministério o direito de proceder a uma avaliação dos conhecimentos científicos como se fosse um exame de condução. O exame que vai ser feito como condição de ingresso na carreira de professor faz pensar que vai ser instituída a carta de condução de professor.
 
Quem garante que os avaliadores têm mais conhecimentos científicos ou mesmo pedagógicos que os avaliados? Estamos perante uma situação caricata em que os examinadores podem ter menos conhecimentos científicos e mesmo pedagógicos do que os avaliados. A vantagem dos avaliadores é terem conhecimento da chave de respostas aos exames.
 
É aceitável que o ingresso em muitas profissões esteja condicionado a exames de ingresso, a estágios e a avaliações realizadas no final dos estágios. Nalgumas profissões, como é o caso dos magistrados, há mesmo lugar a formação de pós-graduação. Mas em nenhum caso há uma avaliação do que já se avaliou nas universidades, salvo no caso de concursos em que se pretende classificar os concorrentes e em vez de se considerem as notas de cursos, obtidas com critérios diferentes, se opta pela avaliação de conhecimentos.
 
No caso dos professores não há uma avaliação no momento do ingresso, nem essa avaliação garante o ingresso. A avaliação pretende apenas a concessão de uma autorização a concorrer a uma vaga de professore, como se fosse uma carta de condução.
 

Por este andar teremos cartas de condução para juízes, médicos enfermeiros, porque não? Temos um país em que um qualquer idiota pode chegar a ministro ou a Presidente da República mas para se chegar a professor é preciso fazer um exame porque o ministro da Educação não confia nas universidades e no rigor e honestidade dos professores universitários. É caso para dizer que o professor Crato, só não se percebe se ele não confia no trabalho que fez enquanto professor universitário ou se desconfia dos seus colegas.
    
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