sexta-feira, novembro 01, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Mértola

 Jumento do dia
    
Sor Álvaro, ex-ministro da Economia

Foi preciso sair do governo para descobrir a dimensão europeia da crise financeira. Desonestidade ou incompetência?

«O antigo ministro da Economia Álvaro Santos Pereira defendeu hoje que a dívida é "o elefante na sala" na Europa e que a solução para os países em dificuldades é o reescalonamento da dívida a pelo menos 40 anos.

"A dívida na Europa é o elefante na sala de que ninguém fala, mas o problema está lá e tem de ser resolvido", afirmou o antigo governante numa conferência hoje em Lisboa organizada pela revista Exame.z» [i]

 Sugestão

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 Dúvida

Alguém ainda se lembra das baboseiras que o "primeiro-ministro" Paulo Portas disse a propósito do seu guião?
 
Basta dar uma volta pela comunicação social para se perceber que depois de nem uma alminha da direita ter vindo defender a coisa em público o assunto já está esquecido. Se aquilo era o programa eleitoral de uma futura aliança entre Portas e Passos não se entende porque foi o líder de um partido que não representa quase ninguém a apresentá-lo.
 
      
 O talentoso Blatter e o tosco Cristiano
   
«Aquilo do Blatter com Cristiano Ronaldo? Não, não vou lá por indignação patriótica. Sim, suspeito que os países menos ricos como Portugal sejam desprezados pela multinacional FIFA. É a vida, sorte a nossa não sermos o Burundi, ainda mais desprezado. Não, o que retiro da cena de Joseph Blatter, falando entre universitários de Oxford, é outra coisa. Um homem barrigudo levanta-se e permite-se mimar um jovem que quando tira a camisola faz suspirar milhões de mulheres. Um careca permite-se criticar os gastos no cabeleireiro de um ídolo mundial. Um incompetente que marca um evento desportivo para o Qatar com temperaturas a 60 graus, esse (cuja única desculpa à tolice só pode ser o suborno), permite-se criticar um tipo que não sei se é o primeiro ou quarto dos melhores, mas que é, seguramente, um admirável profissional com ganas de perfeição (tudo o diz quando joga, sobretudo quando falha)... Então, porquê, o desaforo de Blatter? Aí já não são suspeitas que tenho, são certezas. Um dia, Marilyn, lindíssima e trágica, cantou no Madison Square Garden uma canção ao seu amor. À volta de John Kennedy, hoje esquecidas dondocas sorriam, julgavam saber de tudo e desdenhavam. A mesma coisa com Blatter. A história mundial da infâmia está cheia de poderosos sem qualidades, que não querem reconhecer a sorte de privarem com gente que sabe, faz bem e fascina. No fundo é bem prudente essa ingratidão: sem ela, como aguentariam a sua inferioridade?» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.

 Cães, gatos e pequena política
   
«É difícil qualificar um Governo que, a meio de uma discussão sobre o Orçamento do Estado (OE), mete ao barulho uma discussão sobre cães e gatos. A coisa, proposta pelo Ministério da Agricultura, chama-se Código do Animal de Companhia e exige que, trate-se de uma casa ou de um casarão, ninguém pode ter mais de dois cães ou quatro gatos.

Esta é a chamada política patusca. Tão patusca que, ontem, a ministra da tutela, Assunção Cristas, deixou cair o diploma, com este gostoso argumento: não teve tempo de ler a prosa sobre os animais, logo fica tudo suspenso.

A política patusca é a vizinha boa da pequena política: a primeira não provoca mais do que cenas embaraçosas; a segunda é daninha, rasteira e matreira. Na política patusca movem-se os capuchinhos vermelhos. Na política pequena mexem os lobos maus. Vejamos um exemplo.

Os ínclitos deputados do PSD e do CDS-PP apresentaram um conjunto de alterações ao OE. A mais impactante prevê que os cortes nas pensões de sobrevivência comecem nos 600 euros e não nos 419 euros, como deseja o Governo. A alteração beneficiará cerca de dez mil pessoas e custará 18 milhões de euros. Parece uma boa ideia. Parece.

Diga-se, em abono da verdade, que esta prática de pequena política é habitual. Os governos apresentam o OE e, depois, obviamente com as contas já previamente feitas e a narrativa acertada, permitem aos deputados que os suportam fazer um número para português ver. Apenas para português ver.

Problema: se, em anos passados, estas manobras passaram mais ou menos despercebidas, neste ano não podem passar. Simplesmente porque este é o ano em que a economia portuguesa e respetivos consumidores estão escanzelados: na alma e nos bolsos. Não é possível ouvir a ministra das Finanças dizer, num dia, que tem muita sensibilidade social, mas não tem dinheiro para a pagar e, no dia seguinte, ouvir os deputados da maioria dizer que os 18 milhões de euros em causa terão como contrapartida "reduções noutras despesas" ou "medidas dirigidas a setores que ainda podem dar um contributo", seja lá isso o que for.

Os portugueses não podem ser complacentes com isto. Se é possível beneficiar dez mil pessoas cortando menos nas pensões, por que razão não consta essa medida no OE? O Governo não se lembrou? Só gente muito inteligente como estes deputados é capaz de alcançar a fórmula para lá chegar? Como podemos levar a sério o primeiro-ministro quando ele diz que não há folga no OE?

Bem sei que Poder Legislativo é uma coisa e Executivo outra. Usar esse argumento para explicar a manobra é, contudo, chamar tolos aos portugueses. Esta jogada de pequena política serve apenas para minorar danos embrulhando o presente num papel muito bonito. É feio.» [JN]
   
Autor:

Paulo Ferreira.

 Guião para matar ideias
   
«Paulo Portas quer ser o Giorgio Armani da reforma do Estado. Todos os anos o estilista apresenta os novos modelos e acaba com uma frase cintilante, um laço que embrulha o conjuntinho: "Proponho para esta estação una donna moderna però rinovata." Portas também deseja um Estado moderno (alguém deseja um Estado antigo?!) e renovado (alguém quer um Estado parado?!), mas não vai além disso. Não vai, aliás, a lado algum.

As "110 páginas úteis" do guião, como lhe chamou ontem, são de uma pobreza inacreditável. Não é sequer um catálogo de pronto-a-vestir político. É uma loja dos 300 onde, no meio de ideias copiadas, avulsas e superficiais, encontramos um ou outro ponto que é possível debater, mas apenas por causa do nosso desespero coletivo. O que resulta dali é tão-só uma salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades que não são mais do que a redação pueril de um candidato a uma juventude partidária que passou os olhos na biografia de Hayek , a da Wikipédia.

O célebre guião, este guião, esta coisita, não é um ponto de partida. A ser qualquer coisa é um ponto de chegada. É o fim da linha. É o epílogo que arrasa as últimas aparências que ainda restavam sobre este grupo de estagiários que o País tragicamente elegeu. É a prova documental de que o Governo não sabe o que está fazer - cumpre metas impostas externamente - e nem imagina para onde irá a partir daqui.

O texto que demorou dois anos a produzir é tão rudimentar que na verdade é apenas embaraçoso. Ontem senti vergonha alheia por Paulo Portas - o presidente do CDS acabou. Não compreendo, a não ser por vingança, raiva e desprezo profundos, como Passos Coelho foi capaz de o autorizar a apresentar esta manta de retalhos, este patchwork - Portas deve apreciar a palavra - que era suposto criar as bases para a mudança que o País terá um dia de enfrentar.

Não há quadros comparativos, não há estatísticas que permitam ver de onde viemos e para onde podemos ir, não há pensamento algum, referência alguma, não há estudo, não há trabalho. Nada. Ao pé disto o trabalho do FMI, o de janeiro, é um luxo científico. Talvez por isso, talvez porque aqui cabe mesmo tudo, Portas tenha conseguido enfiar esta frase grotesca: "(...) esta maioria tem uma matriz identificada com o chamado modelo social europeu." Tem, tem; e Portugal vai crescer 0,8% em 2014 e muito, muito mais em 2015...

Pior do que este declínio penoso do Governo é a situação em que ficamos. Ontem, em vez de sublinharem o desrespeito que este guião simboliza e revela, os partidos exibiram a habitual indignação como se aquilo fosse trabalho sério. Disseram: atenção, isto é a privatização da Segurança Social, da saúde e do ensino! Que horror! Algumas destas, digamos, ideias estão lá, sim, mas é o habitual bricabraque decorativo. A melhor maneira de matar uma ideia é apresentá-la assim - mal e porcamente. Ontem, quem ouviu Paulo Portas só teve uma reação: apagou a luz. Repito: isto por mim está visto.» [DN]
   
Autor:

André Macedo.
   
   
 Um bando de meninos
   
«O escritor António Lobo Antunes responde esta quinta-feira, na crónica publicada na na revista "Visão", sobre a razão pela qual “nunca” fala sobre o governo. A resposta é simples: “É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento”.

Classificando os membros do Governo de “garotos”, o escritor destaca que “existe [no Executivo] um Aguiar Branco (ministro da Defesa) e um Poiares Maduro (ministro Adjunto)” e “porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?”, sugere.» [i]
   
Parecer:

Uma boa definição.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
     

   
   

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