quinta-feira, dezembro 11, 2014

A sexta capa da revista Time

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Ao contrário do que a comunicação social divulgou a Time adoptou seis capas para a revista dedicada à personalidade do ano e não cinco como tem sido dito, há uma sexta capa dedicada a um tuga que foi um dos grandes “ebola fighters”, o nosso Dr. Paulo Macedo, o Opus ministro da Saúde. Aliás, depois desta sexta capa só falta mesmo a organização da competente missa de acção de graças na Sé de Lisboa para que o país possa agradecer a Deus e ao seu humilde representante na terra por nos ter livre. Só igual a nos ter livrado do ébola só mesmo a de Salazar que nos livrou da guerra.
  
E por falar em guerra o nosso Aguiar Branco também tentou uma sétima capa com a sua imagem e inspirado na sétima arte montou uma grandiosa encenação de um transporte d e um doente com ébola que ia ser transportado num meio aéreo da nossa poderosa FAP, presente nos céus da Europa desde o Báltico até Às selvagens. O filme do Aguiar-Branco meteu aviões, homens armados até aos dente e devidamente camuflados, perigosos manifestantes a quererem entrar pelo traseiro do meio aério dentro e ainda os inevitáveis jornalistas da CMTV.
  
Se não fosse o combate à legionela ainda o nosso incansável Paulo macedo estava fazendo exibições com a enfermeira Elizabete ou com a Catarina Furtado, era a ambulância especializada, a entrada de um doente no Curry Cabral, o primeiro doente em Évora, o regresso de um médico doente que estava na Guiné Bissau. De repente o país voltou à normalidade, do ébola nem vê-lo e quanto à legionela já está em fuga, aliás deu à perna mal o Macedo se meteu nos ecrãs da televisão.  
  
O problema é que a realidade não é das melhores e diz o Expresso que o país está em risco de perder o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMR Sul), uma instituição que era a 7.ª melhor da Europa segundo avaliações internacionais e a única que ajudava na recuperação no sul de Portugal. Coincidência das coincidências há pouco tempo nasceu num município algarvio gerido pelo líder regional do PSD um centro de reabilitação da iniciativa de um negócio privado com a colaboração dda autarquia e de Cuba. Enfim, coincidências num país onde não se mistura negócios com política.
  
Estive internado durante um mês no CMR Sul, ali conheci profissionais de qualidade excepcional, gestores competentes, uma instituição gerida com rigor e sem excessos. Ali vi verdadeiros milagres, doentes que tinha sofrido um AVC e que estavam quase imobilizados saírem pelo seu pé, ali quase me correram as lágrimas ao ver jovens acidentados, alguns quase crianças, a aprenderem a andar em cadeiras de rodas.
  
Daqui a uns tempos ninguém se vai recordar do ébola, o Paulo Macedo estará a colher os frutos da sua vocação para a propaganda (desta vez até a mim me conseguiu enganar) e o país descobrirá que tem um Serviço Nacional de Saúde que parece ter saído da guerra civil da Síria, com instituições quase destruídas, parecendo que foi o Estado Islâmico a mandar no ministério da Saúde.
  
A destruição mais ou menos premeditada do CMR é um crime contra a saúde pública e para as gentes do Sul sem dinheiro para pagar as dezenas de milhares de euros que pode custar uma reabilitação num centro privado. É esta a obra que fica do Dr. Macedo depois da sua propaganda.
  
Parece que não basta o país perder a sua geração mais qualificadas, alguns dos seus mais promissores professores universitários em troca de chineses endinheirados e corruptores, também estão destruindo de forma mais ou menos premeditada os serviços públicos de excelência. É preciso destruir muito do que de bom ainda há em Portugal em nome de uma regeneração que surgirá depois desta poda mal feita.
 
Numa região deficitária em investimentos públicos e, em particular, em cuidados de saúde, com cada vez mais gente idosa, com uma grande prevalência de lesões medulares, traumatismos crâneo-encefálicos, acidentes vasculares cerebrais e outras patologias do foro neurológico, numa região com cada vez mais gente idosa, num distrrito onde se promove a imagem de destino de idosos do norte da Europa (tive a oportunidade de conviver com pelo menos quatro doentes estrangeiros estabelecidos no Algarve), a destruição do CMR Sul por asfixia é mais do que incompetência do ministro, é um crime contra o Algarve, contra o sul do país e contra Portugal.
  
PS: Esperemos que depois deste post o Dr. Macedo não se volte a juntar a algum amigo do Dias Loureiro para se queixar por ofensas à instituição ou a mandar ler os cabeçalhos de email ara saber se algum funcionário do ministério da Saúde mandou informação para este blogue. 

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