quarta-feira, dezembro 17, 2014

O elogio da pobreza

Desde há muito que a pobreza é considerada uma virtude, A Bíblia ensina-nos que é mais fácil passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Talvez inspirado nas suas origens cristãs Lenine descobriu entre os pobres os mais virtuosos, caberia ao proletariado o papel de vanguarda que levaria a humanidade ao céu terreno e ainda hoje vemos um Jerónimo de Sousa metalúrgico representar esta herança de pureza da classe operária.
  
O problema é que também parece ser muito difícil um rico entrar pela porta de uma penitenciária e, o Juiz Alexandre que o diga, nem mesmo uma preventiva para que lhe tomem o gosto. Parece que as virtudes da pobreza e a pureza dos pobres não convence muito boa gente que faz da pobreza alheia profissão, veja-se o caso da senhora Jonet do Banco Alimentar contra a Fome que acha que o problema do país é os pobres consumirem acima das possibilidades, uma tese do remediado Passos Coelho que na hora de fazer amizades prefere os Ricciardi ou os Espírito Santo à maralha de Massamá.
  
Bem, em relação aos Espírito Santo ainda vamos ver muita gente justificar as suas relações não com os palacetes luxuosos onde tiraram a barriguinha de misérias nas noites de passagem do ano, mas sim pelo seu espírito solidário e cristão, uma família que traz na sua carta genética no abandono na roda. Até estou admirado por o Marcelo ainda não ter justificado a sua intimidade com a divina família por apreciar a doçaria produzida pelas irmãs do Ricardo Salgado, justificando as jantaradas com o seu sentido de solidariedade com os mais carenciados.
  
Já faltou mais para que Passos Coelho justifique a forma como deixou o BES e o GES estatelarem-se no chão como uma estratégia para mostrar aos portugueses que há vantagens neste empobrecimento do país. A pobreza é virtuosa e é mais saudável ter um país pobre mas honrado, um país que cumpre com as suas obrigações, que diz que vai pagar o que deve mesmo que isso seja impossível, do um país que vive acima das suas possibilidades.
  
A verdade é que o espectáculo que nos está sendo proporcionado pelos Espírito Santo e amigos é um verdadeiro elogio da pobreza. Se ser rico é aquilo a que temos assistidos, então mais vale nascer e morrer pobre, o que no caso dos Espírito Santo equivale a dizer que mais valia nunca terem enriquecido. Aquilo a que temos assistido é degradante, ricos obesos com as orelhas enterradas na gordura do pescoço, grandes empresários que não sabem falar, gente sem princípios.
  
Há a ideia de eu certa gente é educada, tecnicamente muito preparada, que um grande grupo financeiro é gerido na base da competência e, afinal, tudo aquilo que se passou no BES poder-se-ia ter passado numa tasca da zona J de  Chelas. Se a riqueza é isto mais vale ser pobre.

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