quinta-feira, dezembro 04, 2014

Diálogo e honestidade

O primeiro pressuposto de qualquer diálogo ou processo negocial é o da honestidade dos interlocutores, das motivações e das propostas.  Um bom exemplo de um processo de diálogo condenado ao falhanço por falta de honestidade nas motivações foi o realizado sob pressão de Cavaco Silva. A antecipação de eleições a troco da eliminação de diferenças não pode ser considerada uma proposta honesta quando poucos meses depois se diz que segundo a lei as eleições não podem ser antecipadas.
  
Não foi só naquele caso em que as propostas de diálogo de Cavaco Silva estão votadas ao fracasso. Quando as propostas de diálogo são motivadas por circunstancialismos eleitorais adversos não se pode esperar que os adversários que desprezamos sintam a obrigação de nos auxiliar atirando-nos a boia do diálogo.
  
O governo não sente qualquer necessidade de dialogar com a oposição quando a sua decisão é irreversível, quando pode tomar uma decisão que sabe não ser reversível o governo decide, a maioria obediente aprova e o presidente apressa-se a homologar, a oposição não é tida nem achada. É o que tem sucedido, por exemplo, com as privatizações, alguém ouviu Passos Coelho ou Cavaco Silva defender que o plano das privatizações deve resultar de um consenso? Não parece, a verdade é que o governo decidiu privatizar a TAP e uma semana depois Cavaco já estava a vender a TAP no Dubai e ainda prometeu mais privatizações.
  
Sempre que se se aproxima eleições ou que depois de realizadas os resultados foram negativos para a coligação ou quando as sondagens apontam para desastres futuros é certo e sabido que Belém e São Bento, umas vezes o primeiro,. Outras o segundo, às vezes os dois ao mesmo temo, aparecem mansinhos a defender a necessidade de consensos.
  
As propostas de consenso vinda dos vários poderes da maioria, presidência e governo, têm muito pouco de honestas, não conseguem esconder o facto de o interesse nacional estar usado com o único objectivo de manipulação da opinião eleitoral dos portugueses. Uma das provas mais evidentes disso está no facto de os grandes defensores deste consenso pouco honesto serem do PSD. 
  
O CDS raramente ou mesmo nunca veio a público defender o consenso com o PS pois sabe que será a grande vítima de qualquer consenso podre. Paulo Portas sabe muito bem que se Passos Coelho conseguir manter-se no poder à custa de um consenso podre com o PS a grande vítima será  ele próprio, Passos Coelho está farto do líder do CDS e Cavaco Silva nunca foi um admirador do antigo director do Independente. Nãio admira que enquanto o PSD fala em diálogo na questão da reforma do IRS, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o verdadeiro número 2 de Portas neste governo, endurece a sua linguagem tudo fazendo para afastar o PS de qualquer acordo. O PSD namora o PS mas o CDS sabe que o futuro não passa por ele e não abdica do conteúdo ideológico ultra conservador da sua reforma do IRS.

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