sexta-feira, dezembro 05, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Vista de Alcântara, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Luís Marques Guedes

Parece que o país enriqueceu e depois de cortes de feriados e de palhaçadas carnavalescas o país assiste a uma verdadeira chuva de tolerâncias de ponto. O mais grave nesta generosidade governamental não está no oportunismo eleitoral mas sim na desconsideração que representam em relação aos funcionários públicos. O governo acha que os trabalhadores do Estado são uns imbecis que a troco de uns feriados se esquecem das canhalices que lhe foram e continuam a ser feitas por este governo.

Da parte que me toca só tenho uma coisa a dizer em relação às tolerâncias de ponto, que vão `*a bardamerda.

«Os trabalhadores da função pública terão tolerância de ponto a 24 de Dezembro e os serviços poderão escolher entre os dias 26 de Dezembro, 31 de Dezembro ou 2 de Janeiro para também darem tolerância aos seus funcionários.

A decisão foi anunciada nesta quinta-feira por Luís Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, que explicou que este ano o Governo decidiu dar dois dias porque os feriados do dia de Natal e de Ano Novo são numa quinta-feira.

"Atendendo às circunstâncias de que os dias seguintes são sextas-feiras, no dia 24 é dada tolerância de ponto e, em vez de se dar a tarde do dia 31, dá-se mais um dia, que será em alternativa, para ser gerido internamente pelos serviços, ou o próprio dia 31 de Dezembro, ou o dia 26, ou o dia 2 de Janeiro", explicou Marques Guedes, em conferência de imprensa, citado pela Lusa.» [Público]

 Um país a ser governado com oportunismo

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Passos Coelho não perdeu tempo para surfar no caso Sócrates, percebendo que a justiça estava aplicando a sua lei do enriquecimento ilícito, apesar de ter sido chumbada por violar a Constituição o ainda primeiro-ministro apressou-se a dizer que poderia voltar à carga, talvez por achar que os juízes do Constitucional tremem de medo só de pensar no Alexandre. A ideia de Passos até faz algum sentido pois a acusação baseia-se não em factos mas em supostos rendimentos, na prática a lei foi posta em vigor no que se refere a esta fase da acusação.

Já a ministra da Justiça perante a bandalhice do segredo de justiça disse o contrário, que fica para outra ocasião, não faz sentido debater o caso a quente.

Temos, portanto, um governo sem qualquer agenda, que governa sem programa e sem objectivos que não sejam os eleitorais. Há muita gente a perguntar ao António Costa o que quer para 2016 e ninguém pergunta a Passos Coelho se já sabe o que quer para o que resta de 2014 e para 2015.

 Muita verborreia e pouca coragem e frontalidade

Francisco Assis andou a tecer considerações sobre o que ele pensava serem as posições de António Costa, foi ao congresso sem qualquer ideia que não seja continuar a desfrutar o confortável cargo que conseguiu com a aproximação a Seguro, aproveitou a primeira oportunidade para se ir embora, ao que parece não o trataram com o estatuto superior que acha que deve ter.

Agora escreve um violento artigo no Público onde ataca violentamente sem dizer quem são as pessoas que ataca, não se percebe se é a extrema-esquerda de que fala ou se insinua que outros são agora de extrema esquerda. Atacar desta forma é fácil, ataca tudo e todos sem lhes dar a oportunidade de lhe responder. A isto chama-se cobardia e falta de frontalidade. Assis sente-se mais confortável afirmando as suas ideias em cima de ataques pouco frontais, assim é mais fácil.

Quanto às ideias do artigo não se vê uma única, já quanto às ideias dos outros sabe muito bem denegri-las e nem se dá ao trabalho de dizer de quem são, assim deixa no ar que tanto pode estar a atacar o PS como o BE. Parece que o PSD já tem a sua quinta coluna e Assis descobriu uma nova Fátima Felgueiras para voltar a ser herói nacional com uma ou duas pequenas bofetadas.

 A orgia vingativa

Sócrates sempre foi detestado pelos jornalistas, a sua postura e desprezo peklo meio irritou muita gente que não perdia uma oportunidade para o catacar. Como se isso não bastasse Sócrates recorreu aos tribunais para responder a alguns jornalistas habituados à impunidade contra a qual são agora destmidos militantes.

Um dos lados mais negros daqueilo que se assite em relação ao Caso Sócrates é o oportunismno daqueles que querem agora apresentar-se como grandes lutadores só porque no passado foram processados. Para eles o julgamento está feito e a verdade é a dos polícias e ponto final.

nalgusn casos ódio levou à irracionalidade e um bom exemplo disso é o de João Miguel Tavares, depois de se ter estendido ao comprido veio agora fazer uma exibição de cambalhotas. Como justiceiros como o colunista do Público o melhor é emigrar para o Zombawe. Um pouco mais de inteligência e de menos ódio ajudá-lo-iam a ter mais lucidez.

«O passo que lhe falta dar para chegar à perfeição sintética é este: aceitar que eu não me outorgo o direito de dizer que fulano é culpado quando não tenho provas disso, mas que me outorgo todo o direito de presumir que fulano é culpado, ou de achar que ele é culpado, se considerar ter suficientes indícios para tal. Mais: considero até, no caso de Sócrates, que para ver esses indícios não é necessária a perspicácia de Sherlock Holmes. Bastará não ter a vesguice dos dois irmãos Dupondt.» [Público]

      
 Passos Coelho e o país do futuro
   
«Antes de mais: este Governo herdou uma situação calamitosa no défice e na dívida. Foi deste ponto de partida que arrancou Passos Coelho e isso criou enormes dificuldades para muitas decisões. Mas governar o país obrigou a decidir coisas importantes sem o manual de instruções da troika. Havia opções a tomar. E são essas decisões, ideológicas, que colocam em causa o futuro do país porque as contas certas por si só não fazem crescer a economia.

1. Por exemplo, a mais histórica de todas: deixar morrer o BES? Ricardo Salgado e a família Espírito Santo deviam obviamente perder o controlo de capital do banco por todos os crimes cometidos - além das sanções judiciais. Mas o país inevitavelmente corria um enorme risco se o segundo maior banco do sistema acabasse de um momento para o outro. Não aconteceu em nenhum país da Europa após a crise de 2008. Qualquer pessoa com dois dedos de testa antecipava isso.

O problema era dinheiro? Não era. Havia o dinheiro da troika, como se viu depois. Qual o montante da ajuda à banca em Portugal? Cinco mil milhões, sobretudo ao Millennium e ao BPI, dinheiro esse que está quase pago (e com ganhos para o Estado devido aos juros altos cobrados). Agora repare-se: em Espanha o apoio à banca foi de 200 mil milhões de euros, 40 vezes superior ao português. Está quase pago e com lucro do Estado espanhol.

É deste provincianismo de Passos e Maria Luís Albuquerque de que estamos a falar no final de julho de 2014 quando o BES ameaçava ruir. Já sem Ricardo Salgado à frente, e com Vítor Bento e o Banco de Portugal a tentarem evitar um colapso estrondoso, o tal primeiro-ministro que supostamente não governa para eleições disse, a partir das suas férias no Algarve, que não haveria "dinheiro dos contribuintes" para o BES (depois de ter dito que o BES estava seguríssimo...). Razões de Estado ou populistas?

Ao fechar o banco, o Estado português ofereceu a Angola 3,3 mil milhões de euros de mão beijada porque o Governo angolano tinha-se comprometido a garantir parte do dinheiro desaparecido no BES Angola (Ricardo Salgado perdeu o rasto a 5,7 mil milhões de euros...). Mas falido o BES, adeus 3,3 mil milhões de euros garantidos... O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, deve-se ter rebolado a rir da infantil decisão portuguesa.

Isto, claro, já para não se falar, do embuste de "confiança" que foi um aumento de capital de mil milhões de euros exigido pelo Banco de Portugal ao BES, certificado pela KPMG (que verificava as contas desde 2002 e, afinal, as contas do BES escondiam a falência desde, pelo menos, 2013. Junte-se aos 3,3 mil milhões de Angola os mil milhões da PT, os dois mil milhões de obrigacionistas e tesouraria de grandes empresas e a conta é gigantesca.

Se há coisa que a comissão de inquérito ao caso BES mostra é um Governo totalmente incapaz de estar à altura da gravidade do momento histórico que estava a viver, por mais erros que o Banco de Portugal tenha acumulado.

2. Assim chegamos à destruição da PT onde já há dois números a correr: despedimentos de três mil ou de oito mil funcionários. Num primeiro momento o Governo dirá que não, etc... Depois tudo acontece porque é o "mercado". Tal como na venda dos aeroportos que, num só ano, levaram à subida das taxas aeroportuárias em Lisboa de 14% e 6% no Porto. Mas alguém tinha dúvidas que a entrega em monopólio da ANA não faria isto? Se não há alternativa, o monopolista faz dos preços o que quer... Os CTT vão pelo mesmo caminho. E depois será a TAP, a Águas de Portugal e finalmente a Caixa Geral de Depósitos.


A histórica destruição da PT a que estamos a assistir é igual ao momento em que, há 50 anos, o Portugal de Salazar não conseguiu criar uma forte empresa para produzir automóveis e depois nunca fomos capazes de o fazer. As telecomunicações são a base do futuro e uma infraestrutura base de produtividade. Perder a PT é uma tragédia. Os erros começaram lá dentro, claro, mas tornaram-se irreversíveis com a queda do BES, uma vez mais.

A pergunta que coloco aqui desde há muitos meses é sempre a mesma: como reconstruir este país depois das decisões "estratégicas" deste Governo?» [JN]
   
Autor:

Daniel Deusdado.



 As coisas de que a ONU se lembra de defender...
   
«O Conselho Social e Económico das Nações Unidas (CES-ONU) considera que Portugal deve “aumentar os esforços para reduzir o desemprego, principalmente entre os jovens”, avaliando o cumprimento do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais.

Num relatório a que hoje a Lusa teve acesso, o “Comité recomenda que o Estado aumente os esforços para reduzir o desemprego, em particular o desemprego entre os jovens, para atingir progressivamente a completa realização do direito ao emprego”, que é um dos direitos contemplados no Pacto que Portugal assinou em 1978, e no âmbito do qual são feitas avaliações de cinco em cinco anos sobre a transposição destes princípios para a legislação em vigor em cada um dos países que assinaram o tratado.

Nesta quarta avaliação, que resulta de um conjunto de reuniões entre a delegação portuguesa e o comité das Nações Unidas encarregue de avaliar o cumprimento dos princípios do tratado pela parte portuguesa, e a que a Lusa teve acesso, o CES-ONU mostra-se “preocupado com a taxa de desemprego, que se mantém excecionalmente alta, afetando desproporcionadamente os jovens com menos de 24 anos, cuja taxa de desemprego mais que duplicou desde 2008″, e assinala também que “o desemprego de longa duração passou de 48,2% no segundo trimestre de 2008, para 56% no segundo trimestre de 2013″.» [Açores]
   
Parecer:

Claro que a Maria Luís, o nosso Nobel da Economia, mais o seu pupilo da Lusíada não vão concordar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
 
 Os independentes do Maduro foram longe demais
   
«A Entidade Reguladora para a Comunicação Social dá razão aos directores da RTP sobre a compra dos jogos da Liga dos campeões. A ERC defende que esta é uma decisão que cabe exclusivamente à administração do canal e não ao conselho geral independente.  

A entidade diz que o conselho não tinha de ser avisado nem pode interferir com os conteúdos, sob "pena de grave violação da independência e autonomia editorial."

A ERC acrescenta que o contrato de concessão da RTP prevê a aquisição de direitos de eventos de interesse público e, nessa lista, estão os jogos da Liga dos Campeões.

A administração foi demitida, ontem, pelo conselho, por não ter comunicado a compra dos direitos televisivos.» [SIC]
   
Parecer:

Digamos que os independentes fizeram o que o pequeno académico lhes mandou fazer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o conselho dos indepenentes pró TVI.»

 Mais uma medida de combate ao desemprego estatístico
   
«O Governo aprovou nesta quinta-feira um regime transitório que descongela, em 2015, o acesso à reforma antecipada para os trabalhadores do sector privado com pelo menos 60 anos de idade e 40 de descontos. O anúncio foi feito pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, na conferência de imprensa a seguir à habitual reunião do Conselho de Ministros.

A possibilidade de pedir a reforma antecipada (antes dos 66 anos de idade) no sector privado está suspensa desde Abril de 2012, mas o descongelamento agora aprovado não desbloqueia totalmente o acesso e terá condições específicas que vigoram durante 2015.» [Público]
   
Parecer:

Com esta medida o governo quer exibir uma descida das taxas estatísticas de desemprego em ano eleitoral pois trabnsforma desempregados de longa duração em pensionistas. Entre pensionistas e emigrantes o governo ainda se arrisca a chegar ao pleno emprego sem investimeento, sem consumo e sem crescimento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mandem-se os parabéns ao Lambretas.»

 Uma questão partidária?
   
«"Essa é uma discussão fundamentalmente partidária, que suponho que se fará ao nível do parlamento", disse Pires de Lima à saída de uma reunião de ministros da Competitividade da União Europeia, quando questionado sobre o regresso à agenda nacional da questão dos feriados.

"Eu, enquanto ministro da Economia, como deve compreender, não devo intrometer-me nessa discussão. Cada um fará a interpretação que muito bem entender desta minha 'não intromissão' nessa agenda, que é uma agenda que deve ser liderada, suponho eu, pelas forças políticas que têm representação na Assembleia da República", afirmou.

Já sobre a decisão, anunciada hoje pelo Governo, de serem concedidos dois dias de tolerância de ponto aos funcionários públicos no Natal e Ano Novo, e questionado sobre se tal não poderá afetar a produtividade do país, Pires de Lima admitiu que estava a saber pelos jornalistas da "novidade".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Quando os feriados foram eliminados com o apoio do seu partido foi uma iniciativa do seu ministério e visava criar riqueza. Talvez Pires de Lima não saiba o que significa ter coragem política, ser leal ou ser coerente, mas a verdade é que enquanto ministro da Economia não era esta a resposta que se esperava dele. Parece que o homem só tem jeito para ser bobo parlamentar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
   
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