sexta-feira, abril 03, 2015

Tudo bons cristãos

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Igreja de São Domingos, Lisboa

Confesso que vejo cada vez menos o programa Quadratura do Círculo e ontem, mais uma vez, mudei de programa, já não tenho paciência para uma política onde os actores são grandes gestores de influências e onde não se consegue distinguir a crítica política do jogo sujo, a oposição do governo ou os adversários políticos dos amigos pessoais. Ali suspende-se a oposição quando o visado é amigo sem nunca se fazer uma declaração de interesses, ali a classe política mistura-se com panelinhas pessoais e se não fosse o Pacheco Pereira nem valeria a pena ligar para aquele programa.
  
Ali há dois mundos, o mundo da classe política formada por uma teia de amizades pessoais e o mundo dos outros, os cidadãos comuns que de alguma forma dão nas vistas no mundo dos políticos e devem levar na cabeça. Ontem diverti-me ouvindo o maior lobista português elogiar o seu secretário de Estado dos Assuntos fiscais, promovendo-o a herói nacional, a crer em Lobo Xavier devemos a Paulo Núncio tudo o que o fisco fez de bom, o que de mau possa ter sido feito ou o que de bom é menos elogiável politicamente foi obra de perigosos dirigentes que em boa hora foram saneados.
  
Num passado recente o herói da mesma obra já tinha sido Paulo Macedo o que nos leva a pensar que o próximo governo deverá ter o cuidado de escolher um secretário de Estado e um director-geral dos Impostos chamado Paulo, pois a única coisa em comum entre Paulo Macedo e Paulo Núncio é o nome. É curioso como quando a personagem que interessa elogiar é o director-geral ignora-se o nome do secretário de Estado, mas quando é o membro do governo que convém elogiar destroem-se moralmente os funcionários porque para esta classe política os funcionários públicos são gente se segunda classe, 
  
O aumento na cobrança na receita fiscal resultou de três projectos: o sistema de penhoras, o e-fatura, a amnistia fiscal para dinheiro que tinha fugido para o estrangeiro e o perdão fiscal para as dívidas ao fisco e à segurança social. O sistema de penhoras que promoveu Paulo Macedo e e agora o outro Paulo é um projecto da iniciativa de técnicos, o mesmo sucedendo com o e-fatura. Da iniciativa política foi a amnistia e o perdão fiscal. 
  
Mas os políticos protegeram os seus, lixaram os técnicos em relação aos quais o país tem mesmo uma dívida e promoveram aqueles que fazem carreiras políticas à custa do trabalho alheio e na hora da verdade não têm coragem de defender aqueles que os ajudaram a subir na vida. 
   
Hoje é sexta-feira santa e para os cristãos é o dia em que Jesus foi morto pelos romanos e por uma classe oportunistas de políticos e sacerdotes instalados. Imagino que os Paulos e os Lobos deste país tenham ido ontem celebrar a última ceia com a tradicional Missa do Lava-Pés, que hoje se apresentem na procissão com ar choros e que de seguida terão o Sábado da Vigília ou de Aleluia celebrar a ressurreição. Depois de várias missas, várias hóstias e muitas confissões e arrependimentos, até mesmo de algumas auto flagelações, regressarão renovados e cheios de vontade de continuarem a fazer o bem.
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