quinta-feira, abril 02, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Pelourinho da Praça do Município, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Há alguns dias Cavaco Silva fazia um ataque vergonhoso à oposição sugerindo que escondia as previsões maravilhosas de crescimento dele e da própria OCDE, dizendo "Se o fizermos, estamos a contribuir para que se concretize uma possibilidade - que foi referida por mim próprio e pelo secretário-geral da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] na semana passada em Paris - da economia portuguesa crescer, no ano de 2015, 2%. Alguns aqui no país tentaram esconder as palavras do secretário-geral da OCDE. É uma atitude que revela algum incómodo incompreensível"

Agora a OCDE desmente Cavaco e prevê para Portugal um crescimento entre 1,3 e 1,5%. Será que Cavaco vai festejar ou opta por fazer aquilo de que acusou a oposição e faz de conta que não soube de nada?

«"O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu os 0,9% em 2014, e esperamos que atinja, no mínimo, entre 1,3% e 1,5% em 2015 e que continue nessa progressão mais perto dos 2% em 2016", disse Ángel Gurría durante a apresentação pública do relatório de diagnóstico "Uma estratégia de competências para Portugal", que decorre em Lisboa.

Na sua intervenção, o responsável referiu que a previsão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para o crescimento da economia "era um pouco mais baixa", mas perante "as condições" atuais, a Organização reviu em alta a evolução do PIB português.

"Tínhamos uma projeção que era uma pouco mais baixa, mas com as condições que temos agora, com o preço do petróleo mais baixo, com os juros mais baixos, previsivelmente, no curto e no médio prazo, e com a competitividade do euro", a Organização reviu as suas previsões, disse Gurría.» [JN]

 Costa deu à Costa num dia das mentiras



É caro para dizer que até parece que é mentira...

 Reflexões de bolso (1)

As soluções que no passado eram apresentadas como necessárias para superar a crise financeira passavam ou por uma saída do euro e uma desvalorização cambial para repor a economia ou, o que teria efeitos equivalentes, uma desvalorização designada de fiscal que passaria pelo empobrecimento feito pela via fiscal do factor trabalho. Esta foi a tese dominante e era a defendida por Vítor Gaspar.

Acontece que à desvalorização fiscal veio acrescentar-se uma desvalorização cambial do euro face às restantes moedas, enquanto o BCE mudou de política, facilitando o financiamento da economia. Como explicar então que a economia esteja tão mal como estava?
 
 Reflexões de bolso (2)
 
A grande conclusão que se pode tirar das eleições da madeiras é que ao menos o Alberto João sabia fazê-las, ganhou as eleições que quis e lhe apeteceu e com maioria absoluta e os resultados nunca foram postos em causa nem se enganaram a contar os deputados.Da primeira vez que o seu aprendiz foi a votos foi a barracada que se viu, a Madeira até parece a Florida, ainda que apenas nos aspectos eleitorais ou mesmo a capital dos colonialistas do "contenente" nos tempos do Santana Lopes.

 Interrogações que me atormentam

Agora que, finalmente, António Costa percebeu que isto de ser líder da oposição e candidato a primeiro-ministro é um pouco mais sério do que um lugar em part time nas entregas da Telepizza, interrogo-me se António Costa vai fazer campanha junto de chineses e outros estrangeiros dizendo que isto está tudo ma, ou se opta por se dirigir aos portugueses com mais casinhos e listinhas da treta.

 Uma pergunta à presidente da CNPD

Quantos tarefeiros há na AT? E porque razão um inspector estagiário que já tem vínculo ao Estado e que passou em todas as provas de avaliação pode trabalhar se não pode usar as ferramentas' Parece que a CNPD foi à AT mais em busca de mais poder do que das famosas listas entregues pelo secretário de Estado tal como disse o sindicalista por mais de uma vez.
  
 A taxa que passou a subsídio

Supostamente era uma taxa a ser paga por cada viajante que viesse para Lisboa de avião mas com o prazo para a implementar a terminar a autarquia conseguiu que essa taxa fosse paga pela ANA. Agroa resta saber se estamos perante uma taxa a ser imputada aos turistas ou se António Costa conseguiu convencer a ANA a dar à autarquia um subsídio equivalente à receita que iria ser gerado pela taxa.

Se estamos perante um subsídio é importante saber o que recebeu a ANA em troca da sua generosidade, isto é, o que deu António Costa em troca. Para já assiste-se a um movimento geral de autarcas de cidades com aeroporto a quererem subsídios idênticos e até Loures lembra com razão que o Aeroporto de Lisboa é na verdade o Aeroporto de Lisboa e Loures, pelo que tem direito a uma parte do subsídio.

António Costa parece ter entrado com o pé esquerdo no seu novo heterónimo.

 Verdade ou mentira?

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Paulo Ralha disse na audição parlamentar que houve aval político para a criação da lista que deixou de o ser para passar a meros testes sem consequências disciplinares, como se queixa a própria CNPD. Para convencer os deputados o sindicalista disse que tinha testemunhas que não davam a cara por medo mas que estariam disponíveis para o fazer na justiça.

Será que o sindicalista do fisco e as tais testemunhas serão chamadas a provar que o sindicalista falou verdade no parlamento, iniciando um processo que ainda não parou? Os deputados vão exigir o apuramento da verdade ou ficam melhor servidos com mentiras?

Os partidos da oposição querem mesmo a verdade ou preferem meias verdades?

Se o sindicalista estava a falar verdade o secretário de Estado deve ser demitido, mas se estava a mentir e com isso a promover um caso nacional deve ser acusado de falsas declarações ao parlamento e a oposição deve tirar conclusões antes de dar início a caças às bruxas.

 O país está roto, chove como na rua

Estando em causa a segurança dos dados dos contribuintes os perseguidos são os que estavam preocupados em melhorar a segurança desses dados e tendo sido apanhado quem devassava os dados sejam os que os apanharam a ser condenados. António Costa, Paulo Núncio, Ralha e uma boa parte dos nossos comentadores estão de parabéns.
    
      
 Eficácia ma non troppo
   
«Quando os fascistas chegaram ao poder em Itália, em 1922, um dos primeiros sucessos que proclamaram ao mundo foi o de terem conseguido com que os comboios passassem a andar a horas. Provavelmente no ano seguinte, em Portugal, o poeta Fernando Pessoa escrevinhou num papel as seguintes frases:

"A obra principal do fascismo é o aperfeiçoamento e organização do sistema ferroviário. Os comboios agora andam bem e chegam sempre à tabela. Por exemplo, você vive em Milão; seu pai vive em Roma. Os fascistas matam seu pai, mas você tem a certeza que, metendo-se no comboio, chega a tempo para o enterro."

Os crimes da esquerda e da direita foram também, em muitos dos casos, crimes contra a esquerda e a direita — perpetrados por quem proclamava superar as distinções políticas, partidárias ou de opinião dentro da nação, do Estado ou da classe.

Foram também, muitas vezes, cometidos num quadro mental povoado por objetivos supostamente indiscutíveis. A eficácia, a competência, a pontualidade, a produtividade são objetivos desse género. Em si, toda a gente prefere a competência à incompetência, a eficácia à ineficácia. Daí a dizer-se que as diferenças políticas entre pessoas pouco importam porque aquilo de que necessitamos é de gente competente vai só um passo, e é um passo que todos nós damos todos os dias.

Contudo, ao fazê-lo, esquecemos que a eficácia ou a competência são apenas prezáveis num quadro de princípios, valores e ideais. Dizer que se é eficaz na construção de uma escola não é, claramente, a mesma coisa que ser eficaz na condução de um massacre. E se, a um nível menos extremado, se pode dizer que é preferível uma governação do campo político adversário que seja competente a uma do próprio campo político que seja competente, ainda assim a competência continua a ser um valor subordinado que não pode automaticamente excluir a hipótese de uma governação que seja, em simultâneo, do nosso campo político e competente.

Mesmo exigências mais políticas e menos técnicas, como a da honestidade, necessitam de ser entendidas num quadro de valores maiores. Até Robespierre, instigador do Terror revolucionário que levou milhares de cabeças à guilhotina, era conhecido por “o incorruptível”. E como ele há outros casos, raros é certo, de tiranos que não enriqueceram nem se deixaram corromper, enquanto zelavam pela continuação de regimes essencialmente injustos e moralmente corroídos.

Vale a pena vincar este ponto porque hoje são de novo fortes os argumentos defendendo que as diferenças ideológicas ou de opinião devem ser secundarizadas em relação a critérios objetivos, neutrais e se possível quantificáveis de sucesso. Esses argumentos não precisam de advogar a eliminação direta dos adversários, como nos anos 30, para serem outra vez politicamente perigosos. Eles são perigosos porque esvaziam a possibilidade de deliberação democrática de uma sociedade que seja plural, que encontre em si os seus próprios interlocutores e que decida a cada momento para onde quer ir. São perigosos porque, ao escolherem critérios indiscutíveis, automaticamente esvaziam a discussão, e com ela a persuasão, que fazem de nós humanos. São perigosos esses argumentos porque, no fundo, substituem a democracia pela demagogia.» [Público]


 Aves com 12 gramas voa três dias sobre o Atlântico
   
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 «A proeza da toutinegra listrada é conhecida há cerca de 50 anos, mas nunca tinha sido testada ou provada. Agora, uma equipa internacional de biólogos está convencida de ter encontrado "provas irrefutáveis" da façanha, segundo resultados publicados, terça-feira, na revista científica britânica "Biology Letters".

"Esta é uma das mais longas viagens diretas sobre a água feitas por um pássaro cantor", afirma um dos autores do estudo, o investigador Bill DeLuca, num comunicado divulgado pela Universidade de Massachusetts em Amherst.

Esta ave habita geralmente nas florestas boreais do Canadá e dos Estados Unidos entre a primavera e o outono. Depois, parte para as Grandes Antilhas ou para a costa norte da América do Sul para o seu período de hibernação.

Para obter mais detalhes sobre a trajetória de migração, os pesquisadores instalaram geolocalizadores miniaturas, com um peso de 0,5 gramas, em 40 aves desta espécie entre maio e agosto de 2013. Vinte partiram de Vermont e outras 20 da Nova Escócia, na costa Leste dos EUA.

Graças aos dados recolhidos de cinco toutinegras capturadas durante o seu regresso à América do Norte, os cientistas descobriram que estas aves percorrem entre 2270 e 2770 quilómetros num voo que dura entre dois a três dias.» [JN]
   
Parecer:

Uma pequena maravilha da Natureza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Não houve lista VIP
   
«Quanto ganha Passos Coelho, quando devia a mãe do ex-primeiro-ministro José Sócrates às Finanças ou os rendimentos de Belmiro de Azevedo ou Soares dos Santos foram as notícias que levaram a que a Autoridade Tributária abrisse processos disciplinares a funcionários “por indícios de violação do dever de sigilo”. A revelação é feita num artigo de opinião no Jornal de Notícias, pelo ex-diretor-geral da Autoridade Tributária, Brigas Afonso, que se demitiu na sequência da polémica sobre a existência de uma lista VIP de contribuintes.

No texto, Brigas Afonso começa por dizer que a “polémica que ficará conhecida como a lista VIP assenta num conjunto de mentiras que um dia serão conhecidas em toda a sua dimensão”. E a primeira mentira revelada pelo anterior responsável pelo fisco é a de que teriam sido instaurados “centenas de processos disciplinares aos funcionários que tivessem consultado os respetivos dados fiscais”. Ora, diz Brigas Afonso, essa é uma das mentiras que circula e revela as 13 notícias que deram origem a processos disciplinares “por indícios de violação do dever de sigilo, e nada mais”: dez do Correio da Manhã, com informações de rendimentos de Pinto Ramalho, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército, de Jardim Gonçalves, ex-presidente do BCP, de Aprígio Santos, Presidente da Naval 1.º Maio, de Belmiro de Azevedo, patrão da Sonae, Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, Angélico, cantor que morreu num acidente, e dirigentes do Federação Portuguesa de Futebol; duas do Diário Económico e uma do jornal i, as três sobre a situação fiscal do primeiro-ministro Passos Coelho.» [Observador]
   
Parecer:

A quem interessa a devassa?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Ralha.»

 A revolução que durou três horas
   
«Alertada a CNE, toca a reunir outra vez, introduzir novamente os dados e voltar a emitir uma acta que anulou a anterior e que levaram a festejos breves da CDU, nomeadamente através das redes sociais. Dizia-se, inclusive, que tinha havido uma “revolução na Madeira”. Os cinco votos que a CDU reivindicava desde a noite das eleições no passado domingo e que pretendia “resgatar” do pacote dos nulos para eleger o 3.º deputado e retirar a maioria absoluta ao PSD, porque é "o que resulta do método de Hondt, já que o último deputado eleito foi o vigésimo quarto do PSD", não vingou.» [Público]
   
Parecer:

Esta revolução na Madeira faz lembrar o ataque ao parlamento russo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 A Obra de São Paulo Macedo
   
«Falta de camas impediu que 266 doentes fossem operados em 2014. "É inaceitável", afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
  
O presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Joaquim Abreu de Sousa, afirmou quarta-feira que "o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho" ao nível da assistência porque as instituições estão "no limite".

Joaquim Abreu de Sousa, até há poucas semanas presidente da SPO, proferiu estas afirmações no decurso da sua audição na Comissão Parlamentar da Saúde, onde se encontra a pedido do PS e após ter afirmado, em março, que foram adiadas cirurgias oncológicas devido à falta de camas.» [DN]
   
Parecer:

Aos poucos vamos conhecendo a dimensão da desgraça que representou para o SNS o mandato do Opus Macedo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a António Costa quando é que critica a gestão de Paulo Macedo.»
  
 O país estava á espera da autarquia de Lisboa
   
«António Costa renunciou esta quarta-feira à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, tendo feito a última intervenção pública na qualidade de autarca. Na hora do "adeus" à capital, o secretário-geral do PS recusou que tenham sido os resultados das eleições regionais da Madeira a precipitar a decisão, vincando, ao invés, que esta já estava planeada.

Numa radiografia rápida - o discurso não durou mais de cinco minutos - à sua gestão da Câmara Municipal, Costa salientou que "hoje, a casa está arrumada", reforçando, contudo, que desde 2007 (quando chegou aos Paços do Concelho nas eleições intercalares) os tempos não foram fáceis. "Vencemos a crise municipal e enfrentámos a crise nacional", afirmou para enaltecer que governou sempre "em contraciclo". O recado tinha um destinatário claro: Passos Coelho.» [DN]
   
Parecer:

Convenhamos que o discurso de António Costa põe a autarquia à frente do país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Ferro Rodrigues pouco honesto
   
«Depois de a Comissão de Dados ter encontrado ilegalidades na lista VIP  e de ter denunciado excessivo acesso de empresas privadas aos dados dos contribuintes , Ferro Rodrigues aproveitou o debate quinzenal para questionar o primeiro-ministro sobre estas conclusões.

"Nunca houve uma partirização da Administração Pública como hoje. O exemplo do primeiro-ministro não é também um dos exemplos mais inspiradores. Onde irá parar esta espécie de sonsice política?", questionou o deputado do PS, sublinhando que "estranhamente" essa lista VIP não incluía a ministra das Finanças (segundo a Comissão de Dados, há quatro nomes na lista: Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas e Paulo Núncio).» [Expresso]
   
Parecer:

O relatório da CNPD não permite a Ferro Rodrigues falar em partidarização ou estabelecer as relações entre governo e a lista. É a velha política dos casos e casinhos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

   
   
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