quinta-feira, fevereiro 09, 2017

O lado negro do crédito malparado

Há anos que a construtora Teixeira Duarte agoniza em crise, a sua falência tem sido notícia e por várias vezes vimos imagens de trabalhadores parados e sem receber ordenados. Um lógico seria que uma empresa inviável seja declarada falida, evitando o aumento do passivo até níveis irrealistas. Uma empresa falida pode ser vendida e recuperada, de uma empresa que se arrasta anos sem renovar equipamentos e sobrevivendo com maus negócios não sobra nada.

A Caixa Geral de Depósitos fez bem em reprovar o PER, mas ao que parece a empresa vai sobreviver durante mais algum tempo com a ajuda dos trabalhadores. Isto é, os trabalhadores que estiveram meses sem receber ordenados insistem num modelo de empresa muito provavelmente inviável, porque neste país é difícil de perceber que uma empresa falida não significa postos de trabalho, antes pelo contrário, significa a destruição dos seus postos de trabalho mais alguns das empresas com que concorre de forma desesperada e desleal.

Quando se ala de crédito malparado ficamos muito preocupados com a situação da banca e esquecemos o rasto de destruição da economia deixado atrás por esse crédito, uma boa parte dele concedido de forma irresponsável ou corrupta. m Portugal não ocorreu nenhuma bolha imobiliária, como sucedeu em Espanha, para justificar a dimensão do fenómeno do crédito malparado. O problema português resulta de má gestão e de corrupção.

Muito desse crédito malparado alimentou projectos inviáveis cuja promoção impediu a realização de outros mais viáveis, financiou empresas mal geridas que com dinheiro fácil destruíram empresas bem geridas fazendo-lhes concorrência desleal. Uma boa parte deste crédito malparado alimentou a corrupção, começou por ser autorizado com recurso a esquemas corruptos e financiou a actividade empresariam de gente sem escrúpulos.

O grande prejuízo do crédito malparado não foi o que resultou para os bancos, os gestores destes, desde o administrador ao mais modesto chefe de agência, sabiam o que estavam fazendo. O maior prejuízo provocado por estes muitos milhares de milhões está na destruição de muito tecido saudável da economia, destruindo gente honesta e cumpridora, favorecendo corruptos e incompetentes.

Quando vejo alguns PER serem aprovados interrogo-me porque razão no nosso país a incompetência e a má gestão merecem tanto apoio e tanto carinho, quando as empresas que mais contribuem para o progresso do país poço ou nada recebem. Não seria mais lógico destruir de uma vez por todas os acessos da nossa economia, reservando os recursos para empresas competitivas ou para promover jovens empresários?

A economia portuguesa teria muito a ganhar acabando com esquemas que servem para que empresas inviáveis, mal geridas e conduzidas opor gente sem competência e com poucos escrúpulos continuem no mercado, enquanto os prejuízos que provocam em terceiros e à banca são dissimulados nas suas contabilidade. Seria preferível que a imensidão de recursos usados para manter estas empresas, financiados pelo fisco, pela Segurança Social, pela banca, pelos trabalhadores e pelos restantes credores, fossem investidos em empresas saudáveis.


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