sexta-feira, fevereiro 06, 2015

O cagarolas

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Morrer para que o grandioso Macedo tenha a cereja no seu bolo 

Este Paulo Macedo parece ter a mania de morrer na praia, se calhar é uma maldição da Praia da Altura, do tempo que estava por lá a passar férias e partiu o braço quando foi tomar banho com algum cachão, mas teve sorte, se fosse agora teria ficado maneta pois quando chegasse a sua vez de ser atendido na urgência já o braço teria gangrenado. Durante três anos o Macedo conseguiu fazer passar a a ideia de que não tinha cortado vencimentos, não tinha reduzido as camas dos hospitais, não tinha metido as ambulâncias nas garagens, não tinha aumentado o horário de trabalho do pessoal clínico, não tinha cortado nas comparticipações, conseguiu que fossem as farmácias e as indústrias farmacêuticas a pagar a crise.
  
Agora, em ano de eleições era o momento de meter a cereja em cima do bolo, onde todos os países tinham falhado o grande e competente Macedo vencia, fazia vergar o laboratório do desejado medicamento para tratar a hepatite C. Começou por fazer saber que estava a preparar uma posição em Bruxelas, a comunicação social foi inundada com a notícia da grande ideia do Macedo. Mas passados meses ninguém soube onde é que o Macedo entregou o “requerimento”, os doentes continuaram a morrer mas da grande iniciativa do Macedo nada.
  
Depois começou o braço de ferro e quando em 17 países já havia acordo entre governos e o laboratório, em Portugal o Macedo mantinha-se firme e hirto, o medicamento que poderia salvar as vidas dos portugueses seria a cereja em cima do seu bolo, com alguma sorte iria ficar para a história e substituiria o cavalo na estátua de D. José, com alguma sorte até poderia apear o rei. Os portugueses com hepatite C continuariam a morrer, mas no meio das estatísticas do cancro, da pneumonia e dos AVC ninguém daria por eles.
  
Mas teve azar, os “mortos” foram ter com ele ao parlamento e depois daquele ar de sobranceria com que olhou para o doente que lhe apontava o dedo, depois de dizer que estas manifestações favoreciam o laboratório, o Paulo Macedo parece ter feito xixi pelas calças abaixo e fez saber que esteve uma hora com o filho da última vítima da sua cereja. Num dia o discurso continuou a ser o do firme e hirto dr. Macedo, apoiado por um primeiro-ministro indiferente ao sofrimento, no dia seguinte foi o ver se te avias para salvar o salvador Macedo.
  
De um dia para o outro o doente que não tinha direito ao tratamento passou a ter, os cem tratamentos gratuitos que um governo desumano recusara foram bem-vindos e o preço que os Estados não poderiam suportar por haver um limite passou a ser suportável. O preço que estava sendo recusado e que já tinha sido aceite por outros países, a começar pela Espanha mesmo aqui ao lado ainda foi apresentado como uma grande conquista do gestor Macedo, o comunicado passava a mensagem manhosa de que o preço estava em metade do exigido inicialmente. O que o ministro manhoso não mandou escrever no comunicado é que essa redução não resultava do seu brilhantismo pois já tinha sido negociada por outros.
  
O grande dr. Macedo tem azar com as praias e se em tempos partiu o bracinho na Praia da Altura agora foi a altura de ele morrer na praia. Quando queria apresentar um SNS melhor e sem custos os portugueses foram morrer ao abandono nas urgências, quando se preparava para usar os doentes com hepatite C como se fossem cerejas no seu bolo eis que lhe caiu uma doente falecida com hepatite C no seu gostoso pão-de-ló. E de um dia para o outro o corajoso, firme e hirto negociador apressou-se a inundar os hospitais com o tratamento da hepatite C.
  
O dinheiro que não havia para salvar os portugueses sem recursos que morriam por não ter o dinheiro para pagar os medicamentos, apareceu quando foi necessário para salvar a imagem do dr. Macedo.

PS: este post foi escrito ainda antes de se saber que o Macedo é um gabarolas que veio defender que ele tinha conseguido um acordo melhor do que os outros países, não conseguindo esconder a sua estratégia sinistra de deixar morrer gente para um dia se gabar. O mesmo que há dois dias olhava com indiferença para o doente que lhe apontava o dedo e que drante meses esteve indiferente à morte de portugueses, quer aparecer a cobrar ao país pelo seu brilhantismo.

Este é o verdadeiro Paulo Macedo em todo o seu esplendor!
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