domingo, fevereiro 15, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa

   Fotos dos visitantes d'O Jumento


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Amendoeiras em flor no Algarve [A. Moura, Faro]
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, devoto de da Santinha da Horta Seca

Imagino a alegria que hoje se vive junto de Passos Coelho, um primeiro-ministro que transborda de felicidade e não consegue esconder a "enorme alegria" de ver D. Manuel Clemente ser arvorado em cardeal.  Compreendo a "enorme alegria" pois a promoção é "um gesto com elevado significado para o país" que só pode ser explicado pelo nosso milagres económico, repetidamente demonstrado pelo viajante das feiras, a nossa querida santinha da horta seca, e pelo facto de termos conseguido pagar o que se devia ao FMI três anos depois.

Quem diria que em plena crise iríamos ter um Cardeal?

«O primeiro-ministro felicitou este sábado o patriarca de Lisboa pela sua investidura como cardeal da Igreja Católica, classificando Manuel Clemente como um “pastor de grande envergadura moral e espiritual”.

Numa nota enviada à agência Lusa, o gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considera a criação do novo cardeal de Lisboa como “uma enorme alegria e como “um gesto com elevado significado para o país”. O chefe de Governo lembrou o “contributo que o país sempre espera da Igreja Católica para o seu desenvolvimento social e cívico”.» [Observador]
 
 Dúvidas que me atormentam!
 
Porque será que todos os trabalhadores querem ser remunerados de forma justa e de acordo com o seu trabalho e os juízes querem ser remunerados pela dignidade do cargo? Será que só o trabalho dos juízes tem dignidade ou só os juízes merecem ser tratados com dignidade e isso dependerem de comerem bife do lombo em vez de frango assado ou de andarem num BMW em vez de terem um Ford?

 Marcelo irritado

Porque será que Marcelo ficou tão irritado com a sugestão de uma candidatura presidencial de Manuela Ferreira Leite? Até parece que tem medo de se confrontar com alguém sério e que não faz da política um exercício de pura intriga e calhandrice. Imagine-se o que será de Portugal se depois da desgraça de Cavaco tiver de suportar dez anos de intriga palaciana com alguém como Marcelo Rebelo de Sousa.

      
 Os "povos" que não querem trabalhar
   
«Em 2010, ainda governava José Sócrates, Cavaco Silva ouviu do Primeiro-ministro checo as seguintes palavras: «O défice do nosso orçamento chegou, o ano passado, aos cinco por cento. Eu fico muito surpreendido por Portugal não estar preocupado quando tem um défice de oito por cento. É um caso curioso, interessante e espero que não estejam aqui jornalistas porque, a nível interno, eu digo que é absolutamente necessário eliminar o défice o mais depressa possível e defendo a introdução de medidas radicais para o conseguir. Portanto, sr. presidente, peço-lhe que não divulgue por cá que vocês têm um défice ainda maior que o nosso».

Vaclav Klaus fez várias afirmações deste tipo diante de Cavaco Silva, algumas nos contextos mais inapropriados, e o Presidente ficou muito incomodado. Acabou por responder que Portugal iria sem dúvida no futuro ter défices mais baixos e elogiou um dos PEC de Sócrates.

Muita água passou de 2010 a 2015. É natural que hoje Cavaco Silva se sinta como Klaus face à Grécia, até porque as suas afirmações da semana passada são do mesmo teor das do político checo. No intervalo, Portugal “ajustou”, ou seja, aumentou exponencialmente os seus impostos, cortou salários e despediu centenas de milhares de portugueses, levou milhares de empresas à falência, destruiu a vida e o futuro de muitas famílias portuguesas, acabou com a escassa e débil classe média que se formara depois do 25 de Abril, alterou profundamente o equilíbrio das relações laborais a favor do patronato, vendeu todas as “jóias da coroa” menos uma, aumentou a pobreza, a exclusão social e as diferenciações sociais, desmantelou vários serviços públicos na administração central, na saúde, na educação e na justiça, e tem uma política externa ficcional. Mas “ajustou”, pelo que Cavaco Silva pode aparecer orgulhoso diante do sucessor de Klaus e dizer, na linguagem adolescente de Passos Coelho, que “fez o trabalho de casa”. Como batemos no fundo, alguns números da economia são debilmente positivos e outros continuam negativos, uns crescem, outros descem, outros já cresceram e depois desceram. Nalguns casos, as coisas melhoraram exactamente pelas razões que o governo demonizava, como seja o consumo interno.

Nada de sólido, tudo muito instável e ninguém de bom senso é capaz de dizer que foi feita qualquer “reforma estrutural” em Portugal, muito menos na economia. Na sociedade sim, mas chamar-lhe reformas é um insulto à inteligência. Andou-se para trás. Quem quiser “compor” o país, vai ter enormes dificuldades.

É verdade que os juros estão historicamente baixos, só que não há nenhum analista independente que atribua essa circunstância aos méritos nacionais, mas sim ao BCE e ao excesso de liquidez dos investidores, que levaram quase todos os juros europeus (incluindo os gregos, até Janeiro de 2015), a baixar muito. A única coisa que o governo pode dizer a seu favor na questão dos juros é que, como sempre foi bom aluno das políticas de “ajustamento”, não foi um óbice para essa descida, como é o haver hoje em Atenas um governo rebelde. Mas, como também qualquer analista independente dirá, os juros são de tal maneira voláteis face aos diferentes riscos europeus, que podem voltar a subir a qualquer altura.

Cavaco Silva e Passos podem hoje esnobar da Grécia, como Klaus fazia com Portugal, mas ao fazê-lo enfileiram no pior que existe hoje na política europeia: a perversão dos objectivos da União, transformada num instrumento da política económica e financeira da Alemanha. A essa situação de facto, que nenhum Tratado permite, juntam-se duas outras ainda maiores perversões – o declínio do socialismo europeu domado pelo Tratado orçamental, logo a perda da alteridade política, e o permanente resvalar das democracias europeias para retirar do escrutínio dos parlamentos e, pior ainda dos eleitores, todas as políticas europeias decisivas. Está criado um monstro, e é da natureza dos monstros fazer monstruosidades.

Ora, quando Cavaco e Passos passaram a falar dos “gregos” como uma entidade orgânica, um país de gente preguiçosa, que só quer férias, que não paga impostos, nem aliás coisa nenhuma, das portagens à electricidade, e que pretende viver eternamente à custo do dinheiro estrangeiro, eles engrossaram uma hoste europeia que é demasiado conhecida e que vai do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, à Liga Norte italiana de Umberto Bossi e à sua reivindicação da Pâdania.

O caso italiano é muito significativo, porque espelha argumentos muito comuns nas zonas ricas de um determinado país, em relação às zonas mais pobres, muitas vezes rurais e pouco industrializadas, como é o caso do Sul da Itália. Por que razão o Norte italiano rico, industrial, trabalhador e próspero tem que “pagar” para esses preguiçosos da Calábria que vivem da assistência social e não querem trabalhar? O mesmo tipo de “argumentos” existe em vários países: na antiga Checoslováquia por parte dos checos e contra os eslovacos, em Espanha e mesmo em Portugal. E não é verdade que os alentejanos não gostam de trabalhar e querem viver sempre à “sombra de um chaparro” a dormir? E Pinto da Costa não falou várias vezes do Porto e do Norte trabalhador que alimenta os “mouros” de Lisboa para baixo? E em que é que estes “argumentos”, atingindo povos, regiões, histórias diferenciadas, são diferentes dos que a extrema-direita dá contra os “pretos”, os “árabes”, e os “imigrantes”, que também não querem trabalhar, mas viver da segurança social e das regalias dos países mais ricos, em detrimento dos seus habitantes “nacionais”?

Cavaco Silva e Passos Coelho falaram dos “gregos” com o mesmo grau de generalidade e anátema. Como muito dos seus repetidores nos media e nas redes sociais, são as “características” intrínsecas do povo que são atacadas. O que aconteceu na Grécia, nesta versão, é culpa do povo, não dos anteriores governos gregos. Percebe-se, porque o povo votou mal e derrotou o governo preferido por Cavaco Silva e Passos Coelho: o tandem troika-Nova Democracia.

Sim, porque se o PASOK tem culpas no passado, a Grécia era até Janeiro governada por um governo membro do Partido Popular Europeu (de que faz parte Merkel, Rajoy, Passos Coelho e Portas) que foi apoiado pelos partidos no poder na Alemanha, Espanha e Portugal. E mais: foi governado pela troika, em conjunto ou em cima, e se os resultados deixaram a Grécia com a gigantesca dívida que tem, e sem “ter feito o trabalho de casa”, a culpa é de quem? Do Syriza? Silêncio.

E os gregos não querem austeridade, o pecado mortal da Grécia para Cavaco e Passos. Mas o que é que eles tiveram nos últimos anos: despedimentos, falências, encerramentos, corte de serviços fundamentais, cortes na educação, na saúde, na segurança social, uma queda brutal do produto Interno Bruto? De onde é que isto veio, do esbanjamento e da preguiça inata aos gregos? Como é que se chama a isto, senão uma dura, penosa, cega, punitiva austeridade? Na verdade, como Passos Coelho diz com todas as letras: foi pouco, têm ainda que ter mais. Mas o que nem Cavaco nem Passos dizem, é aquilo que é evidente: não resultou, nem resulta, nem resultará. É uma receita errada quer em Portugal, quer na Grécia. Mas era a continuação dessa receita, aquilo a que chamam “cumprir as regras”, que Passos queria para a Grécia, com aquela cegueira que tem os acólitos e que continua mesmo quando os mestres já estão noutra.

Voltando a Klaus, ele disse uma coisa muito interessante, pediu a Cavaco “que não divulgue por cá que vocês têm um défice ainda maior que o nosso”, porque isso iria fazer os checos contestarem as medidas do governo. Uma parte importante da intransigência com os gregos vem de governos acossados, como é o caso do português e do espanhol, que andaram a dizer aos seus povos que não havia alternativa a não ser a política que seguiam.

Ora, a questão não é a de validar o programa do Syriza, ou assinar por baixo de Tsipras e Varufakis, mas a de saber se, no fim de tudo, os gregos têm ganhos de causa ao terem votado como votaram. E se sim, como é que ficam os que tinham para eles a receita de tudo continuar na mesma, votando na Nova Democracia, na obediência à troika, e na política até agora intangível da Alemanha. Esse é que é o mal grego que Cavaco e Passos querem extirpar.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.


 Mais uma do mentiroso compulsivo
   
«Portugal está entre os países da zona euro que concederam até agora um menor volume de empréstimos à Grécia, quer em percentagem do PIB, quer levando em conta a dimensão da sua população. Isso acontece pelo facto de Portugal, a partir do momento em que lhe foi aplicado também um programa da troika, ter ficado dispensado dos custos associados à ajuda financeira à Grécia.

Os números disponíveis parecem, assim, contrariar a ideia defendida por Pedro Passos Coelho esta quinta-feira de que Portugal é “de longe o país dentro da União Europeia que, em percentagem do seu produto, maior esforço fez de apoio e solidariedade em relação à Grécia”.

A confusão pode ter acontecido na sequência de dados publicados por um economista da Bloomberg sobre o grau de exposição de cada país da zona euro à dívida grega. Maxime Sbaihi calculou, em contas reproduzidas por alguns meios de comunicação social nacionais, que o Estado português tinha uma exposição à dívida pública grega de 5,5 mil milhões de euros. Este valor representa cerca de 3,2% do PIB e superaria assim os 2,8% registados por Chipre e os 2,5% de Eslovénia, Malta e Espanha.» [Público]
   
Parecer:

Este fulano não consegue estar sem mentir.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Hiopers tratam o cão com o pêlo do próprio cão
   
«Os sacos de plástico leves, que a partir deste domingo passam a ser taxados a dez cêntimos (IVA incluído), vão desaparecer das caixas de supermercados. Mesmo que alguém os queira comprar, operadores da grande distribuição como o Continente, o Jumbo ou Intermarché vão deixar de os ter, passando a vender sacos de plástico de maior qualidade ou outros com asas, de ráfia ou trolleys. Mas se o sector se escapa, assim, da obrigação de cobrar a taxa aos clientes, os portugueses não terão outra alternativa senão pagar ou reutilizar. E, em vez de financiarem o Estado ou o Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade, estão a fazer crescer as vendas destes produtos alternativos.

No último mês, as principais cadeias de hiper e supermercados têm aumentado a oferta de sacos e a maioria optou por deixar de disponibilizar os que são alvo da contribuição, introduzida no âmbito da fiscalidade verde. O diploma incide nos que têm alças e uma espessura igual ou inferior a 0,05 milímetros, ou seja, menos resistentes e não reutilizáveis. Pelas suas características, são mais difíceis de tratar enquanto resíduos.

“Os sacos de plástico leves terão os dias contados”, admite Ana Isabel Trigo de Morais, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), sublinhando que a sensibilização ao consumidor das melhores práticas ambientais “não é uma novidade” para um sector que, desde 2002, tem à venda sacos reutilizáveis. A tendência é “para desaparecer” e, na grande distribuição, a sua presença “será praticamente residual”, continua.» [Público]
   
Parecer:

Lá se vaui a receita verde e o Núncio é que vai ficar verde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um saco ao Núncio apra que ele deite a espuma da raiva.»

 O super juiz ainda não se demitiu?
   
«Advogada de dois dos arguidos da Operação Marquês afirma que detenções foram feitas sem mandado de detenção e acusa Ministério Público e Carlos Alexandre de não seguirem regras processuais.

Paula Lourenço acusa o Ministério Público de "sequestro" . A advogada que representa o empresário Santos Silva e o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, na Operação Marquês, aproveitou a revista da Ordem dos Advogados para falar sobre o caso.

A advogada acusa a equipa liderada por Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, de ter agido "sem mandado de detenção" e com "violência" fazendo uma exaustiva descrição, embora sem referir nomes, das detenções e buscas que envolveram os seus dois clientes.» [DN]
   
Parecer:

A ser verdade o que a advogada diz o super juiz deveria dar entrada em Évora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»

 Em Portugal a dignidade tem o seu preço
   
«Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) alerta que a independência dos juízes não pode estar desligada de "uma remuneração justa, equitativa e adequada às responsabilidades".

Um relatório da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) alerta que a independência jurisdicional não pode estar desligada da questão financeira, devendo aos magistrados judiciais ser garantida "uma remuneração justa, equitativa, digna e adequada às responsabilidades".» [DN]
   
Parecer:

Enfim, a dignidade dos nossos juiz mede-se pela cilindrada do carro?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a pergunta aos sindicalistas vigilantes.»
  
 Até que enfim
   
«Paulo Morais começa por responder à defesa: "Estou a preparar qualquer coisa. O quê? Não sei." Mas rapidamente se liberta e conta ao Expresso que de facto quer ter "uma intervenção política ativa". O ex-número dois de Rui Rio na câmara do Porto tem uma certeza - quer voltar à política ativa - e um calendário definido: a decisão sobre o quê e como fará terá de ser tomada em breve, "até março". O timing parece escolhido a pensar nas legislativas, mas Paulo Morais não o confirma.

Segundo o Expresso apurou, desde finais do anos passado que o vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade tem contactado possíveis apoiantes para uma candidatura presidencial ou a criação de um novo partido que possa ir já às legislativas deste ano. A decisão sobre o que fazer não está tomada, e uma das hipóteses é mesmo juntar as duas possibilidades: Morais patrocinar a criação de um partido, para testar a estrutura e o discurso nas legislativas, mas reservando-se para a corrida a Belém.» [Expresso]
   
Parecer:

Anda por aí muita gente a fazer render a corrupção em seu favor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Pulo Morais se tirar proveiro do discurso anti-corrupção não é uma forma de corrupção moral do discurso político.»
  

   
   
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